Superquarta de juros marca primeiras decisões do BC e do Fed em 2026

A primeira superquarta de juros de 2026 concentra as decisões do Banco Central do Brasil e do Federal Reserve.

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Última atualização:  28 de jan, 2026 às 11:23
Imagem de várias cédulas de dinheiro brasileiro, incluindo real de 20 e 100, e moedas, simbolizando riqueza e economia no Brasil. Foto: Getty Images/Canva

A superquarta de juros desta quarta-feira (28) concentra as atenções do mercado financeiro global, com as primeiras decisões de política monetária de 2026 sendo anunciadas pelo Banco Central do Brasil (BC) e pelo Federal Reserve (Fed), dos Estados Unidos. A expectativa majoritária dos investidores é de manutenção das taxas de juros nos dois países, diante de um cenário que ainda mistura sinais de desaceleração da inflação com economias resilientes.

A agenda começa nos Estados Unidos, onde o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) divulga sua decisão às 16h (horário de Brasília). Em seguida, às 16h30, o presidente do Fed, Jerome Powell, concede entrevista coletiva para explicar os fundamentos da decisão. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC anuncia seu veredito por volta das 18h30.

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Na superquarta de juros, os agentes financeiros trabalham com um cenário amplamente consensual. No Brasil, a taxa Selic está em 15% ao ano, patamar mantido desde junho de 2025, após uma sequência de decisões cautelosas do Copom. Já nos Estados Unidos, a taxa básica segue na faixa entre 3,5% e 3,75%, depois do corte promovido pelo Fed em dezembro do ano passado.

Dados de mercado reforçam essa leitura. O Sistema Expectativas de Mercado, divulgado semanalmente pelo BC, mostra que a mediana das projeções aponta para manutenção da Selic nesta reunião. Nos EUA, a ferramenta CME FedWatch indica que 96,1% dos participantes esperam juros inalterados, enquanto apenas 3,9% ainda veem chance de novo corte.

Esse alinhamento de expectativas reduz a probabilidade de surpresas, mas mantém o foco na comunicação dos bancos centrais e nos sinais sobre os próximos passos da política monetária.

Cenário econômico sustenta cautela do Banco Central do Brasil

No Brasil, a decisão do Copom ocorre em um ambiente de sinais mistos na economia. De um lado, o mercado de trabalho segue aquecido, com o desemprego em mínimas históricas, o que indica uma atividade econômica ainda forte e potencialmente inflacionária. De outro, os dados mais recentes mostram que o IPCA avança gradualmente em direção ao centro da meta, enquanto o dólar apresenta sinais de acomodação no mercado doméstico.

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, tem reforçado em suas declarações públicas que as decisões seguem dependentes dos dados, o que reforça a postura de cautela do colegiado. Analistas do Santander destacam que o cenário observado no início de 2026 é bastante semelhante ao de dezembro, quando o Copom optou por manter a Selic pela quarta vez consecutiva.

Nesse contexto, a avaliação predominante é de que o BC ainda não dispõe de elementos suficientes para iniciar um ciclo de cortes, especialmente diante do risco de reaceleração da inflação.

Fed decide juros sob pressão política nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, a superquarta de juros ocorre em meio a um ambiente político mais turbulento. A reunião do Fed é acompanhada por uma investigação criminal conduzida pelo governo do presidente Donald Trump envolvendo Jerome Powell, além do esforço para remover Lisa Cook do cargo de diretora da autoridade monetária.

Trump voltou a afirmar, na terça-feira (27), que deve anunciar em breve o nome escolhido para substituir Powell, cujo mandato termina em maio. Apesar do ruído político, analistas avaliam que a independência do Fed segue preservada, ao menos por enquanto.

Os indicadores de mercado corroboram essa visão. As expectativas de inflação implícitas nos ativos financeiros permanecem relativamente estáveis, assim como os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano de longo prazo, o que sugere ausência de temor generalizado sobre interferência política na política monetária.

Comunicação dos bancos centrais será o foco do mercado

Com a manutenção dos juros amplamente precificada, o principal ponto de atenção da superquarta de juros será a linguagem adotada pelos bancos centrais. Investidores buscarão pistas sobre o ritmo da inflação, a evolução da atividade econômica e eventuais sinais de mudança na estratégia futura.

Para Tim Duy, economista-chefe para os EUA da SGH Macro Advisors, não é possível analisar as decisões do próximo presidente do Fed de forma isolada. Segundo ele, o ambiente econômico e a dinâmica interna do Fomc serão determinantes para os rumos da política monetária.

Assim, embora a superquarta não deva trazer mudanças imediatas nas taxas, ela cumpre papel central ao balizar expectativas e orientar as próximas decisões de investidores, empresas e governos.

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