Trump escolhe novo presidente do Fed e sinaliza mudança na política monetária dos EUA

Indicação de Kevin Warsh para substituir Jerome Powell reforça pressão por juros mais baixos e revisão da atuação do banco central

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Última atualização:  30 de jan, 2026 às 10:38
Kevin Warsh é o novo presidente da Fed Foto: Tierney L. Cross/Bloomberg

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta sexta-feira (30) a escolha de Kevin Warsh para assumir o comando do Federal Reserve (Fed) a partir de maio, quando se encerra o mandato de Jerome Powell. A decisão é vista por analistas como um sinal claro de que a Casa Branca pretende influenciar de forma mais direta os rumos da política monetária americana.

A indicação ocorre em um momento de debate intenso sobre o nível dos juros, o papel do Fed na economia e os efeitos prolongados dos estímulos adotados nos últimos anos. Ao optar por Warsh, Trump envia ao mercado a mensagem de que espera mudanças na condução da autoridade monetária, especialmente na comunicação e na estratégia de juros.

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Quem é Kevin Warsh

Kevin Warsh é pesquisador em Economia na Hoover Institution e professor na Stanford Graduate School of Business. Ele integrou o Conselho de Governadores do Fed entre 2006 e 2011, período que incluiu a crise financeira global de 2008, o colapso do Lehman Brothers e o início das políticas monetárias não convencionais nos Estados Unidos.

Durante a crise, Warsh atuou diretamente nas negociações entre o Fed, o Tesouro americano e grandes instituições financeiras, sendo visto como um operador técnico com trânsito tanto em Washington quanto em Wall Street.

Após deixar o banco central, manteve forte presença em círculos acadêmicos, think tanks e conselhos corporativos, consolidando-se como uma voz influente no debate econômico americano.

O que a escolha de Warsh indica para os juros

A principal leitura do mercado é que a nomeação abre espaço para uma postura mais favorável à redução dos juros no curto prazo, alinhada ao discurso econômico do governo. Trump tem sido um crítico frequente da atual condução do Fed e já responsabilizou a política monetária restritiva por limitar o crescimento econômico.

Ao mesmo tempo, a indicação não representa, necessariamente, um retorno a políticas de estímulo ilimitado. Warsh tem defendido publicamente uma revisão da atuação do banco central, com maior cautela no uso de instrumentos extraordinários e menor dependência da expansão do balanço do Fed.

Impacto esperado nos mercados

A mudança no comando do Fed tem implicações diretas para os mercados globais. Investidores monitoram os desdobramentos da indicação em busca de sinais sobre:

  • Trajetória dos juros americanos
  • Comportamento do dólar
  • Fluxo de capitais para mercados emergentes
  • Reação de bolsas e ativos de risco, como criptomoedas

A confirmação no Senado será um dos próximos pontos de atenção, podendo influenciar a volatilidade nos próximos meses.

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Pedro Gomes

Jornalista formado pela UniCarioca, com experiência em esportes, mercado imobiliário e edtechs. Desde 2023, integra a equipe do Melhor Investimento.