Fed mantém juros dos EUA inalterado e interrompe sequência de cortes

Decisão do Federal Reserve ocorre em meio à pressão de Trump sobre a instituição. Saiba mais sobre os juros americanos e os impactos no Brasil.

imagem do autor
Última atualização:  28 de jan, 2026 às 16:57
powel, presidente do Fed, instituição responsável pelos juros americanos, ao lado de Donald Trump, Presidente dos EUA Reprodução / Flickr / The White House

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu manter a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, na primeira reunião de política monetária de 2026. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (28) e já era amplamente esperada pelo mercado financeiro.

Com o movimento, o Fed interrompe um ciclo de três cortes consecutivos, iniciado no segundo semestre de 2025. Na reunião anterior, realizada em dezembro, a autoridade monetária havia reduzido os juros em 0,25 ponto percentual, levando a taxa ao menor nível desde setembro de 2022, segundo dados do próprio banco central americano.

Decisão ocorre em meio a pressões políticas

A manutenção dos juros acontece em um contexto de crescentes tensões entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o comando do Federal Reserve. Desde o início de seu novo mandato, em janeiro de 2025, Trump tem intensificado críticas públicas ao presidente do Fed, Jerome Powell, e defendido cortes mais agressivos na taxa de juros.

Além disso, está em análise na Suprema Corte dos Estados Unidos a tentativa do governo de demitir a diretora do Fed, Lisa Cook, o que pode abrir espaço para novas indicações alinhadas à agenda econômica do presidente.

Fed vê inflação ainda elevada e incertezas econômicas

Em comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) afirmou que o mercado de trabalho segue com geração de empregos mais fraca, enquanto a taxa de desemprego mostra sinais de estabilidade. Já a inflação, segundo o colegiado, continua “um pouco elevada” e acima da meta de 2%.

“A incerteza em relação às perspectivas econômicas permanece alta, e o Comitê segue atento aos riscos para seus dois mandatos: emprego máximo e estabilidade de preços”, informou o Fomc.

A decisão de manter os juros não foi unânime. Dois dirigentes (Stephen I. Miran, indicado por Trump, e Christopher J. Waller) votaram a favor de um novo corte de 0,25 ponto percentual. Os demais membros, incluindo Powell e o vice-presidente John C. Williams, optaram pela manutenção da taxa.

Impactos no Brasil e nos mercados globais

A política monetária dos Estados Unidos tem efeitos diretos sobre economias emergentes, como o Brasil. Juros elevados nos EUA mantêm as Treasuries mais atrativas, o que tende a fortalecer o dólar e reduzir o fluxo de capital para mercados como o brasileiro.

Esse movimento pode pressionar o câmbio, elevar custos de importação e dificultar o processo de queda da Selic, taxa básica de juros definida pelo Banco Central do Brasil, segundo analistas.

Veja também:

Próximos passos

O Fed reiterou que seguirá monitorando dados do mercado de trabalho, inflação e cenário internacional e está preparado para ajustar a política monetária, se necessário, diante de novos riscos à economia.

Enquanto isso, cresce a expectativa sobre quem será o próximo presidente do Federal Reserve, já que o mandato de Jerome Powell termina em maio. Nomes como Kevin Hassett, Christopher Waller e Michelle Bowman são citados como possíveis sucessores, segundo o site Politico.

Pedro Gomes

Jornalista formado pela UniCarioca, com experiência em esportes, mercado imobiliário e edtechs. Desde 2023, integra a equipe do Melhor Investimento.