Filme "Dark Horse" coloca Michelle Bolsonaro em destaque e reduz participação de Flávio na trama

O filme "Dark Horse" gerou repercussão política antes de sua estreia ao apresentar Michelle Bolsonaro como uma das figuras centrais da narrativa, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com participação limitada.

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18 de jul, 2026 às 17:00
Imagem do poster de Dark Horse, filme contando a história de Bolsonaro, mostrando um homem de meia-idade, com cabelos castanhos penteados de lado e expressão séria. Ele veste um terno escuro e uma faixa presidencial com as cores verde e amarela do Brasil. Ao fundo, sob um céu nublado e tempestuoso, destaca-se o Palácio do Planalto, em Brasília. Foto: Divulgação

O filme “Dark Horse voltou ao centro do debate político antes mesmo de sua estreia ao revelar uma escolha narrativa que chamou a atenção de aliados da família Bolsonaro. Embora a produção retrate o atentado sofrido por Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018 e os acontecimentos que culminaram em sua eleição, a obra reserva um papel muito mais relevante para Michelle Bolsonaro do que para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A avaliação ocorreu após integrantes da equipe ligada à pré-campanha presidencial do parlamentar assistirem ao longa para medir possíveis impactos eleitorais e jurídicos.

Segundo pessoas que acompanharam a exibição antecipada, o principal objetivo foi verificar se o filme “Dark Horse” poderia ser interpretado como uma peça de promoção eleitoral. A conclusão foi de que a participação discreta de Flávio tende a reduzir esse risco, uma vez que sua presença na narrativa é limitada e concentrada em poucos momentos.

Filme “Dark Horse” prioriza Michelle Bolsonaro na narrativa

Ao contrário do que parte do meio político imaginava, o foco do roteiro não está na trajetória política de Flávio Bolsonaro. A produção concentra boa parte da narrativa na relação entre Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, explorando momentos familiares e o apoio da então futura primeira-dama durante o período eleitoral de 2018.

Entre as cenas retratadas estão episódios como o casamento do casal, o nascimento da filha Laura e o período de recuperação após o atentado sofrido por Jair Bolsonaro em Juiz de Fora (MG). Michelle aparece em diversas sequências consideradas centrais para o desenvolvimento da história, enquanto Flávio e Eduardo Bolsonaro surgem apenas em participações pontuais.

A percepção de integrantes da campanha é que o filme “Dark Horse” se aproxima mais de um thriller político baseado nos acontecimentos daquele período do que de uma cinebiografia dedicada exclusivamente ao ex-presidente ou a seus familiares.

Campanha avaliou possíveis impactos eleitorais

A análise prévia da produção ocorreu diante da repercussão envolvendo o financiamento do longa. A preocupação dos aliados de Flávio Bolsonaro era entender se o conteúdo poderia gerar novos desgastes políticos durante o período eleitoral ou até mesmo motivar questionamentos na Justiça Eleitoral.

Nos bastidores, a avaliação predominante foi que a participação reduzida do senador dificulta argumentos de que a obra teria como objetivo impulsionar sua candidatura à Presidência da República.

Essa interpretação ganhou força porque a estreia comercial foi planejada para acontecer apenas após a conclusão das eleições, estratégia considerada uma forma de minimizar questionamentos sobre eventual influência no processo eleitoral.

Polêmica sobre financiamento ampliou repercussão

Antes mesmo do lançamento, o filme “Dark Horse” passou a ser alvo de discussões por causa de mensagens divulgadas publicamente que relacionam Flávio Bolsonaro a um pedido de recursos destinado ao financiamento da produção.

A divulgação dessas informações aumentou a atenção sobre o projeto e fez com que adversários políticos questionassem tanto a origem dos recursos quanto o momento escolhido para a estreia.

Em razão desse cenário, grupos políticos recorreram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitando medidas para impedir o lançamento durante a campanha. O pedido, entretanto, acabou sendo arquivado por questões processuais, sem análise do mérito.

O caso também trouxe à memória a decisão do TSE em 2022, quando um documentário sobre Jair Bolsonaro teve sua exibição suspensa durante o período eleitoral.

Produção aposta em elenco internacional

O filme “Dark Horse” reúne um elenco majoritariamente estrangeiro. O ator norte-americano Jim Caviezel interpreta Jair Bolsonaro, enquanto Michelle Bolsonaro é representada por Camille Guaty. Já o senador Flávio Bolsonaro é interpretado pelo brasileiro Marcus Ornellas.

A produção foi gravada em inglês como estratégia para ampliar sua distribuição internacional. Para o mercado brasileiro, a expectativa da distribuidora é disponibilizar versões dubladas.

O trailer divulgado anteriormente reforça o tom de suspense político adotado pelo longa, concentrando grande parte das imagens na reconstrução do atentado ocorrido em setembro de 2018 e nos acontecimentos que se seguiram até a posse presidencial.

Ancine acompanha regularização do longa

Além das discussões políticas, o filme “Dark Horse” também é acompanhado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), responsável pelos procedimentos de registro e fiscalização necessários para produções estrangeiras realizadas no Brasil.

O órgão abriu processos administrativos para verificar o cumprimento das normas aplicáveis às filmagens e à documentação exigida para esse tipo de produção. Entre as etapas ainda necessárias estão a conclusão do registro da obra e a obtenção da classificação indicativa antes da chegada aos cinemas.

Enquanto essas análises continuam, a distribuidora mantém a previsão de lançar o longa somente após o encerramento das eleições, buscando reduzir a possibilidade de novos questionamentos judiciais e evitar que a obra seja associada diretamente ao processo eleitoral.

Com isso, o filme “Dark Horse” permanece cercado por expectativas tanto pelo conteúdo retratado quanto pelas controvérsias envolvendo sua produção, financiamento e impacto no cenário político brasileiro.