Ibovespa despenca 2,22% aos 170 mil pontos com tarifas e guerra no radar
Bolsa brasileira sofre com aumento das tensões entre EUA e Irã, novas ameaças tarifárias de Washington e forte queda de ações de Vale e bancos.
Imagem: Envato Elements.
O Ibovespa fechou em forte queda nesta quarta-feira (3), aos 170.330,63 pontos, recuo de 2,22%, em um dia marcado pelo aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, novas preocupações com tarifas comerciais dos Estados Unidos e saída de investidores de ativos de risco. O principal índice da Bolsa brasileira perdeu 3.867 pontos no pregão, enquanto o dólar avançou 1,15%, encerrando a sessão cotado a R$ 5,067.
O movimento ocorreu em meio à piora do sentimento global dos mercados. O aumento dos confrontos entre Estados Unidos e Irã elevou a aversão ao risco e impulsionou os preços do petróleo, ao mesmo tempo em que investidores passaram a revisar expectativas para os juros americanos após dados econômicos mais fortes que o esperado.
Guerra e tarifas aumentam pressão sobre os mercados
O cenário internacional voltou a ser o principal foco dos investidores. As negociações para uma possível redução das tensões entre Estados Unidos e Irã perderam força após novos episódios de conflito na região, ampliando as preocupações sobre os impactos para a economia global.
Ao mesmo tempo, o governo do presidente Donald Trump voltou a sinalizar medidas tarifárias mais duras contra parceiros comerciais. A possibilidade de novas cobranças sobre produtos importados reacendeu temores de desaceleração do comércio internacional e aumentou a cautela nos mercados financeiros.
Nos Estados Unidos, o relatório ADP mostrou criação de empregos acima das expectativas, reforçando a percepção de que a economia segue aquecida. Com isso, parte do mercado passou a reduzir as apostas em cortes de juros mais rápidos pelo Federal Reserve.
As bolsas americanas encerraram o dia em queda:
- Dow Jones: -1,06%
- S&P 500: -0,74%
- Nasdaq: -0,89%
Vale e bancos lideram perdas do Ibovespa
No mercado doméstico, as ações de grande peso no índice foram as principais responsáveis pelo desempenho negativo.
A Vale (VALE3) caiu 3,78%, devolvendo parte dos ganhos registrados na sessão anterior e acompanhando um movimento mais cauteloso em relação ao setor de mineração.
Os grandes bancos também registraram perdas relevantes. Santander (SANB11) recuou 2,34%, Bradesco (BBDC4) caiu 2,14%, Itaú Unibanco (ITUB4) perdeu 2,12% e Banco do Brasil (BBAS3) fechou em baixa de 1,81%.
O desempenho dessas empresas teve impacto significativo sobre o Ibovespa devido ao peso que possuem na composição do índice.
Petrobras não acompanha alta do petróleo
Apesar da valorização do petróleo no mercado internacional, as ações da Petrobras não conseguiram sustentar ganhos.
Os papéis preferenciais da companhia (PETR4) encerraram o pregão com queda de 0,77%. Investidores continuaram avaliando questões relacionadas ao mercado de combustíveis e aos impactos das discussões sobre preços internos.
Entre os poucos destaques positivos da sessão estiveram empresas ligadas ao setor de proteínas. A Minerva (BEEF3) avançou 2,29%, beneficiada pela percepção de que o segmento pode ser menos afetado pelas novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos.
Brava Energia (BRAV3) e PRIO (PRIO3) também conseguiram fechar em alta, impulsionadas pela valorização da commodity no exterior.
Produção industrial traz sinal positivo para a economia
Apesar do forte movimento de queda na Bolsa, os dados econômicos domésticos apresentaram sinais mais favoráveis.
A produção industrial brasileira registrou crescimento pelo quarto mês consecutivo em abril, superando expectativas do mercado e reforçando a percepção de resiliência da atividade econômica.
Além disso, integrantes da equipe econômica do governo destacaram a expectativa de que o desempenho da economia brasileira continue surpreendendo positivamente durante o segundo trimestre de 2026.
Mesmo assim, os dados não foram suficientes para compensar o impacto do cenário externo mais turbulento e da redução do apetite dos investidores por ativos brasileiros.
Dólar sobe e juros futuros avançam
O ambiente de maior cautela também foi refletido no mercado cambial.
O dólar comercial subiu 1,15% e encerrou o dia a R$ 5,067, interrompendo duas sessões consecutivas de queda. O avanço da moeda americana acompanhou o fortalecimento global do dólar e o aumento da busca por ativos considerados mais seguros.
Os juros futuros também fecharam em alta em toda a curva, refletindo as incertezas sobre o cenário internacional, as expectativas para a política monetária americana e os riscos para a inflação global.
Com o feriado de Corpus Christi na quinta-feira (4), os investidores terão uma pausa antes da retomada dos negócios na sexta-feira. A expectativa segue concentrada na evolução do conflito no Oriente Médio, nas negociações comerciais dos Estados Unidos e nos próximos indicadores econômicos que poderão influenciar o rumo dos mercados.
Maiores altas e baixas da bolsa nesta quarta-feira (03)
Índices globais e câmbio
| Nome | Fechamento | Variação (pts) | Variação (%) |
| 🇧🇷 Bovespa | 170.330,63 | -3.867,01 | -2,22% |
| 🇧🇷 USD/BRL | 5,0670 | +0,0576 | +1,15% |
| 🇺🇸 S&P 500 | 7.553,72 | -56,31 | -0,74% |
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