CFOs no mercado: troca no comando financeiro das empresas bate recorde

Estudo revela que a rotatividade de diretores financeiros atingiu o maior nível da série histórica em 2025. No Brasil, quatro em cada dez empresas trocaram de CFO, enquanto conselhos passaram a priorizar executivos experientes.

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19 de jul, 2026 às 10:30
Empresário com braços cruzados e gráfico Forex abstrato. Imagem: Envato Elements.

A troca de diretores financeiros (CFOs) nas empresas alcançou o maior nível da série histórica em 2025, refletindo as mudanças no papel estratégico da função e a crescente pressão sobre a alta liderança. Dados do Índice Global de Rotatividade de CFO, elaborado pela Russell Reynolds Associates, mostram que a rotatividade cresceu 12% em relação à média dos últimos sete anos e avançou 10% na comparação com 2024.

No Brasil, cerca de 40% das companhias mudaram o ocupante da cadeira de CFO ao longo do ano. Ao mesmo tempo, o tempo médio de permanência no cargo caiu para 4,5 anos, bem abaixo da média global de 6,5 anos, indicando que a sucessão passou a fazer parte da rotina das organizações.

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Empresas buscam líderes preparados para assumir rapidamente

O levantamento aponta que a volatilidade econômica, a transformação digital e o aumento das responsabilidades dos diretores financeiros mudaram o perfil buscado pelos conselhos de administração.

Embora 57% dos executivos tenham assumido seu primeiro mandato como CFO em 2025, a procura por profissionais com experiência anterior atingiu um recorde histórico. No Brasil, 65% dos novos diretores financeiros já haviam ocupado a posição anteriormente, evidenciando a preferência das empresas por lideranças capazes de reduzir o tempo de adaptação e entregar resultados em um cenário de maior complexidade.

Segundo Fernando Machado, sócio-diretor e líder da prática de Finanças da Russell Reynolds Associates, o cargo deixou de ser restrito à gestão financeira.

Em sua avaliação, o CFO passou a desempenhar um papel estratégico, liderando iniciativas de transformação, participando das decisões corporativas e fortalecendo a relação com conselhos de administração e investidores. Esse novo escopo aumenta a necessidade de executivos experientes, capazes de transmitir confiança desde os primeiros meses na função.

Papel do CFO vai além das finanças

A pesquisa mostra que o diretor financeiro passou a assumir responsabilidades que antes eram compartilhadas com outras áreas da empresa.

Além de administrar resultados e acompanhar indicadores financeiros, esses profissionais têm sido cada vez mais cobrados por conduzir projetos de transformação organizacional, apoiar a estratégia de crescimento e liderar iniciativas ligadas à inovação e à inteligência artificial.

Essa mudança acompanha uma tendência observada em outras pesquisas de mercado. Estudos da Boston Consulting Group (BCG) indicam que a inteligência artificial passou a ocupar espaço permanente nas decisões estratégicas das empresas, exigindo maior participação da alta liderança na implementação de novas tecnologias e na transformação dos modelos de negócio.

De CFO a CEO

O estudo também reforça a importância estratégica da posição na sucessão executiva. No Brasil, 13% das transições analisadas resultaram na promoção do CFO para o cargo de CEO, demonstrando que a função continua sendo uma das principais portas de entrada para o comando das organizações.

Ao mesmo tempo, os dados mostram que a permanência no cargo vem diminuindo. Cerca de 70% dos diretores financeiros brasileiros ficam menos de cinco anos na função, enquanto apenas 12% conseguem permanecer por mais de uma década.

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Participação feminina segue abaixo da média

Apesar de avanços observados em alguns mercados, a presença de mulheres na liderança financeira ainda permanece reduzida no Brasil.

Segundo a Russell Reynolds Associates, elas representam apenas 14% dos CFOs das empresas listadas no Novo Mercado, percentual aproximadamente 50% inferior ao registrado no cenário internacional.

Para Tatiana Mereb, consultora da empresa, ampliar a participação feminina exige investimentos contínuos na formação de lideranças, fortalecimento do pipeline de talentos e criação de ambientes que favoreçam o desenvolvimento, a retenção e a preparação de mulheres para posições estratégicas.

Os dados reforçam que o cargo de CFO atravessa um período de profunda transformação, tornando-se cada vez mais decisivo para o planejamento estratégico, a inovação e a governança das empresas em um ambiente de negócios marcado por mudanças constantes.

Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.