Ata do Copom reforça corte de juros em março, mas mantém cautela sobre ritmo
Ata do Copom reforça expectativa de início do corte de juros em março, mas BC evita sinalizar ritmo do ciclo e mantém cautela diante da inflação e da atividade econômica.
Foto: Reprodução Banco Central
A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) reforçou a sinalização de que o início do ciclo de corte de juros deve ocorrer na reunião de março, ao apontar uma combinação de moderação da atividade econômica e desaceleração da inflação no Brasil. O documento destaca que a inflação vem arrefecendo tanto no índice cheio quanto nas medidas subjacentes, enquanto as expectativas inflacionárias passaram a ficar menos distantes da meta, indicando que os efeitos da política monetária já começam a se refletir na trajetória dos preços.
Segundo análise de Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart XP, o mercado trabalha com a expectativa de que o Copom dê início ao ciclo com um corte de 0,5 ponto percentual, mantendo reduções ao longo de 2026. No entanto, o comitê evitou sinalizar a magnitude total e a extensão do ciclo de flexibilização, reforçando que as próximas decisões dependerão da evolução dos dados econômicos e do comportamento das expectativas de inflação.
A ata também chama atenção para fatores que podem gerar um repique da atividade ao longo do ano, como a ampliação dos benefícios sociais e a redução do imposto de renda para pessoas que recebem até R$ 5 mil, medidas que tendem a liberar renda adicional e estimular o consumo. Para o Copom, será fundamental avaliar se esse impulso terá efeitos relevantes sobre a inflação, especialmente no setor de serviços, historicamente mais sensível ao aquecimento da demanda.
Outro ponto de alerta destacado no documento é o crescimento da renda real acima da produtividade do trabalho, fator que pode pressionar os custos e contribuir para a elevação dos preços no médio prazo. Embora ainda demande maior avaliação, o tema reforça o tom cauteloso adotado pelo Banco Central, que reconhece avanços no cenário inflacionário, mas mantém prudência diante dos riscos que ainda cercam o processo de desinflação.