Você sabe o que é Taxa Selic, CDI e o Índice IPCA? Talvez algum desses três indicadores financeiros seja familiar para você, já que são bastante falados em noticiários e importantes para a economia do país como um todo. Mas, nem sempre suas implicações mercadológicas são conhecidas.

Entender esses conceitos é muito importante para quem deseja compreender melhor o funcionamento da economia do país e assim tomar decisões mais embasadas nos investimentos.

Por isso, neste artigo, vamos entender cada um desses indicadores, explorando seu significado, sua relação com a economia e seus impactos nos mercados financeiros. Acompanhe:

Taxa Selic

A Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) representa a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela serve para regular a reserva de curto prazo e injetar ou retirar liquidez (entende-se como dinheiro) da economia. No bom português, isso significa que quanto mais baixa a taxa de juros mais dinheiro pode circular na economia.

Isso acontece através da seguinte dinâmica: com juros muito baixos, perde-se a atratividade de deixar o dinheiro parado em aplicações conservadoras e liquidas, então a tendência é que o dinheiro seja investido pensando no longo prazo, mirando em rentabilidades maiores e/ou esse dinheiro seja utilizado para consumo. Ou seja, os juros baixos estimulam tanto investimentos como consumo.

Quem define a Selic?

Essa taxa é determinada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil a cada 45 dias. O Copom analisa diversos indicadores econômicos, como o Índice IPCA, para tomar suas decisões sobre a taxa Selic.

O que é a Ata do Copom?

A ata do Copom é o documento divulgado pelo Banco Central após as reuniões do Copom, onde são detalhadas as análises e as decisões tomadas em relação à política monetária, incluindo a definição da taxa Selic.

Calendário Copom 2024

Confira abaixo as datas definidas do calendário Copom 2024:

  • 30 e 31 de janeiro
  • 19 e 20 de março
  • 7 e 8 de maio
  • 18 e 19 junho
  • 30 e 31 de julho
  • 17 e 18 de setembro
  • 5 e 6 de novembro
  • 10 e 11 de dezembro (a última do ano)

Qual a relação com o Tesouro Selic?

A relação entre a taxa de juros e o Tesouro Selic é direta. O Tesouro Selic se trata de um título público emitido pelo governo brasileiro e sua rentabilidade está ligada à taxa Selic. Quando a taxa Selic aumenta, a rentabilidade do Tesouro Selic também tende a aumentar, e vice-versa.

Isso ocorre porque o Tesouro Selic é um título pós-fixado, ou seja, sua remuneração é calculada com base na variação da taxa Selic. Portanto, se a taxa Selic sobe, os investidores que possuem Tesouro Selic recebem uma rentabilidade maior, e se a taxa Selic cai, a rentabilidade do título também diminui.

Essa relação faz com que o Tesouro Selic seja uma opção interessante para investidores que buscam proteção contra a variação da taxa de juros, já que seu rendimento acompanha de perto as mudanças na taxa básica de juros da economia.

Como funcionam as variações da Selic e quais são impactos nos investimentos e na economia?

As variações da Taxa Selic são determinadas pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, como vimos anteriormente. O Copom se reúne periodicamente para decidir sobre a taxa Selic com base em diversos fatores, como a inflação, o crescimento econômico, o comportamento do mercado financeiro, entre outros.

Quando o Copom decide aumentar a taxa Selic, isso geralmente ocorre para conter a inflação, tornando o crédito mais caro e desacelerando o consumo e os investimentos. Por outro lado, se o Copom opta por reduzir a taxa Selic, isso pode estimular a atividade econômica, incentivando o consumo e os investimentos.

As variações na taxa Selic podem afetar diversos aspectos da economia, como os juros cobrados em empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras. Em geral, quando a taxa Selic sobe, os juros também tendem a subir, tornando o crédito mais caro e impactando o custo da dívida para empresas e consumidores. Quando a taxa Selic cai, os juros costumam cair, tornando o crédito mais acessível e estimulando o consumo e os investimentos.

CDI

Acompanhando a SELIC, temos o CDI – Certificado de Depósito Interbancário. É uma taxa que foi criada para regular os empréstimos de curto prazo entre os bancos. Por exemplo, se um banco está precisando de dinheiro para equalizar os depósitos de curto prazo, ele pega emprestado de outro banco que tenha recursos sobrando e o Banco Central faz essa intermediação. A taxa de juros cobrada é o CDI. Essa Taxa CDI normalmente é muito próxima (quase igual) a SELIC. Essa taxa acabou se tornando a mais comum do mercado como referência para remuneração de títulos de dívida diversos (CDB, LCI, LCA, CCB, CRI, CRA).

Relação entre CDI e Selic

A relação entre o CDI e a Selic é muito próxima. Na prática, o CDI costuma seguir de perto as variações da Selic, já que as taxas de empréstimos entre bancos são influenciadas diretamente pelas decisões do Banco Central sobre a taxa básica de juros.

Em síntese, a Selic é a taxa de juros definida pelo Banco Central, enquanto o CDI é uma taxa que reflete o custo do dinheiro no mercado interbancário e tende a acompanhar de perto as variações da Selic.

IPCA

Por sua vez, o IPCA – Índice de Preços para o Consumidor Amplo, é um indicador que mostra a variação dos preços de diversos produtos e serviços consumidos pelas famílias brasileiras. Para definir o IPCA do mês, o IBGE calcula o valor de vários itens de consumo como alimentos, energia elétrica, água, gasolina, mensalidade escolar, consultas médicas, atividades de lazer, etc. É com base nele que o Banco Central calcula o índice brasileiro de inflação e deflação, ou seja, ele é usado como termômetro mensal da variação dos preços.

Relação entre os indicadores financeiros

Os indicadores financeiros estabelecem relações como é o caso da taxa Selic, que é um importante mecanismo de controle do IPCA. É de acordo com o resultado deste, que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decide por aumentar, manter ou baixar a taxa básica de juros – Selic.

Esses três indicadores financeiros são cruciais para compreender a economia brasileira, facilitar as escolhas e resultar em investimentos mais inteligentes.

Equipe MI

Equipe de redatores do portal Melhor Investimento.