Conhecer os diferentes tipos de inflação é um assunto de educação financeira importante porque consumidores e investidores podem compreender melhor como a variação dos preços está afetando as próprias finanças.

Sabe aquela pizza ou refeição que você adorava pedir no delivery e costumava custar menos, mas o preço subiu? Isso acontece com vários produtos e serviços e, quando os preços aumentam exageradamente, pesam no bolso do consumidor.

Em relação aos investimentos, existem aqueles que podem sofrer desvalorização com a inflação e outros que contam com proteção. Além disso, entender os índices de preços permite que formuladores de políticas econômicas e agentes financeiros entendam as causas subjacentes e adotem estratégias adequadas para lidar com possíveis problemas. 

Controlar a inflação é um dos pontos importantes da política monetária, em especial em países que já tiveram histórico de inflação galopante, como foi o caso do Brasil nos anos 1980. Para saber mais sobre o tema, leia nosso guia completo!

O que é inflação?

A inflação é o aumento geral nos preços na economia ao longo do tempo. Uma das consequências adversas é que os salários podem não render tanto, afetando principalmente o poder aquisitivo de pessoas de baixa renda. Afinal, a inflação influencia o poder de consumo.

Ou seja, o aumento descontrolado de preços pode interferir no quanto pagamos nas contas de aluguel, supermercado, gasolina, vestuário, entre outras despesas.

Nesse sentido, quando a demanda é alta e a oferta é baixa, os preços se elevam. Além disso, se o governo imprime dinheiro em excesso, isso pode fazer os preços subirem, porque há mais moeda circulando que a oferta de produtos.

Por conseguinte, as pessoas acabam tendo que pagar mais pelas mercadorias que adquirem. Vale lembrar que existem também outros tipos de inflação.

Ela também traz reflexos para os investidores, visto que os investimentos podem ter um retorno menor que o desejado, embora haja também aplicações que contam com a proteção contra o aumento do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

Esses são alguns dos motivos pelos quais economistas e analistas do mercado financeiro ficam de olho nos indicadores econômicos. Se os preços começarem a ficar muito elevados, é um mau sintoma para a economia do país.

Quais são os principais tipos de inflação?

São diversos os tipos de inflação, como de demanda, de custos, inercial, estrutural, entre outras. Cada uma tem suas especificidades. Confira os próximos tópicos!

Inflação de demanda

A inflação de demanda é aquela que tem como motivo o aumento da procura por bens e serviços, de forma mais acentuada que a oferta. Imagine que um certo bem de consumo esteja em alta e há muitas pessoas com o desejo de comprá-lo.

Com isso, pode ser que a empresa fabricante não consiga atender todos os consumidores. Como consequência, o produto fica mais caro.  Outros exemplos são os que ocorrem quando há maior oferta de crédito ou quando a economia fica aquecida.

Inflação de oferta

Entre os tipos de inflação, a de custos, também conhecida como de oferta, acontece quando os custos de produção se elevam, a exemplo dos preços dos impostos, salários, matérias-primas ou insumos. Por conseguinte, o preço final dos bens e dos serviços são afetados.

Para exemplificar, quando há elevação no preço de uma commodity como o minério de ferro, os custos de empresas de construção civil, de automóveis ou de eletrodomésticos tendem a aumentar. Isso afeta o quanto os consumidores pagarão por produtos derivados da commodity.

Inflação inercial

A inflação inercial está relacionada à memória inflacionária, de modo que a inflação observada no passado tenha reflexos na inflação corrente. Ela se refere a um tipo de inflação contínua, crescente e com aceleração moderada.

O conceito surgiu na década de 1980 no país, para explicar a situação que ocorria no período. Desde a crise do petróleo em 1973, a inflação no Brasil já presenciara a inércia que prevaleceu no governo Geisel e nos anos seguintes.

Se um país convive com uma inflação alta por uma década, por exemplo, ela acaba se incorporando à economia e isso se reflete nas expectativas dos consumidores e das empresas.

Então, o aumento dos preços se torna algo comum, sendo propagado voluntariamente por comerciantes, independentemente de alterações na oferta ou na demanda. Este é um tipo de inflação difícil de controlar.

Inflação estrutural

Na lista de tipos de inflação, a estrutural deriva de contratempos na economia, como baixos investimentos em infraestrutura, falta de competitividade no mercado, desigualdades sociais e pouca produtividade.

Esses fatores podem trazer consequências para a oferta de serviços e bens no país, levando a uma elevação de preços, ainda que a demanda não seja alta.

Para você ter uma ideia, quando a produtividade é insuficiente, fica mais difícil diminuir os custos de produção, sendo preciso compensar a questão de alguma forma, em geral, com aumento de preços.

Se pensarmos ainda em uma indústria que conta com equipamentos defasados ou obsoletos, isso têm impacto direto na produção de bens. Além disso, se não há um sistema de transporte eficaz e se as estradas estão com falhas no asfalto, esses fatores em conjunto se tornam onerosos e encarecem a cadeia produtiva.

Inflação espiral

A inflação espiral acontece quando há uma sequência de reajustes aos trabalhadores ou elevações de salários para compensar a perda do poder de compra gerada pela inflação.

Como esses funcionários terão mais dinheiro para consumir, se houver um aumento dos gastos haverá mais dinheiro movimentando o mercado. Além disso, as empresas têm maiores despesas com as folhas de pagamento e acabam aumentando o preço dos produtos, causando uma espiral inflacionária. Ou seja, ela ocorre em ciclos.

Inflação global

Também entre os tipos de inflação, a global acontece quando vários dos principais países do mundo apresentam aumentos de índices inflacionários concomitantemente. Com o advento da globalização, existem situações que podem levar à elevação de preços no comércio exterior.

Um exemplo foi o que aconteceu após a pandemia da Covid-19, que desorganizou os negócios entre países e fechou fronteiras. Isso interferiu na lei da oferta e procura internacional, tendo causado uma queda na produção e na disponibilização de produtos.

Além disso, com a reabertura dos países houve um aumento da demanda que se somou aos incentivos dos governos para aliviar os impactos econômicos. Em outro sentido, a prevalência de guerras, como a da Ucrânia, também contribuem para a inflação global. 

Inflação monetária

A inflação monetária ocorre quando o governo imprime e emite dinheiro de maneira vertiginosa. Quando há mais moeda circulando do que a disponibilidade de produtos e serviços, os preços sobem para chegar ao ponto de equilíbrio na economia.

Por esse motivo, existem políticas monetárias que visam evitar o descontrole da inflação. A Casa da Moeda precisa seguir a lógica econômica, com seus respectivos fundamentos, para evitar tal descontrole. Outro ponto importante é o multiplicador bancário, ou seja, quanto os bancos emprestam tendo como referência as reservas. 

Inflação reprimida

Quanto aos tipos de inflação, a reprimida é a que mais têm impacto do governo em uma economia. Desse modo, o Estado congela preços e impõe teto de valores para evitar que haja um aumento desses preços. Porém, a consequência disso é o efeito inverso e a inflação sobe.

Mas por que isso acontece? Suponha que uma fábrica de arroz tenha um custo em torno de R$9 para cada medida de 500 gramas. Agora imagine que o governo diga que tal produto custará R$7.

Em outras palavras, a empresa terá prejuízo e poderá até mesmo deixar de operar no mercado, o que levaria à escassez de produtos, aliada ao aumento da demanda, elevando a inflação.

Estagflação

A estagflação ocorre quando há uma recessão, que representa uma queda da atividade econômica das empresas, ao mesmo tempo, em que há um aumento da inflação em valores maiores que os desejados.

Ela se manifesta também com uma redução na demanda por produtos e serviços e contribui para o desemprego. Por sua vez, a origem está ligada a uma disseminação descontrolada do crédito que os bancos concedem.

Embora a teoria keynesiana afirme que a oferta de crédito favorece investimentos e a criação de empregos, o crédito fácil com o passar do tempo eleva a circulação de dinheiro na economia. Como resultado, o Banco Central terá que elevar juros e os consumidores e empresas se veem na situação de ter que refinanciar dívidas.  

Portanto, uma política monetária excessivamente expansionista pode causar a estagflação, bem como concessão de crédito desenfreada e uma política fiscal com despesas em demasia.

Hiperinflação

Entre os tipos de inflação, a hiperinflação ocorre quando os preços sofrem um aumento significativo. De modo geral, a taxa chega a ser maior que 50%. O conceito foi estudado nos anos 1950 pelo economista Philip Cagan.

Tal situação pode ser frequente, com aumentos constantes, ou pode ocorrer apenas por um certo prazo, alterando a inflação de um nível para outro. Não restam dúvidas de que uma inflação maior que 50% tem consequências danosas para a economia. Além de afetar as pessoas de baixa renda, atinge todos os segmentos sociais.

Deflação

A deflação é o oposto da inflação. Ou seja, manifesta-se pela redução geral de preços de serviços e produtos. Em um primeiro instante, podemos pensar que seja algo positivo. Afinal, quem não deseja pagar menos por bens de consumo?

No entanto, se persistir no longo prazo, pode colocar em risco a economia do país. Um exemplo disso foi a crise de 1929 desencadeada pela queda da bolsa de Nova York. Os preços caíram e houve recessão.

Com isso, houve aumento de desemprego e do poder de compra. Logo, o ideal é que a inflação atinja um patamar de equilíbrio para não afetar outros indicadores macroeconômicos.

Reduflação

Entre os tipos de inflação, esta tem um efeito indireto no aumento de preços. A reduflação acontece quando há uma diminuição na quantidade de itens vendidos sem redução do preço.

Por exemplo, imagine que um pacote com 7 sabonetes custe R$15. Porém, a empresa decidiu reduzir a quantidade de itens no pacote para 5 sabonetes, pelo mesmo valor. Embora o preço seja o mesmo, o consumidor sairá perdendo 2 itens.

Quais são as principais causas da inflação?

As causas da inflação podem estar associadas a eventos naturais, aumento da renda dos consumidores, gastos públicos, instabilidade política, entre outros motivos. Confira cada um deles!

Eventos naturais

Eventos da natureza, como alterações climáticas e desastres, podem ocasionar inflação de oferta se a produção das empresas for atingida. Basta pensar nos momentos de seca, quando a energia tende a se tornar mais cara. Além disso, as chuvas podem afetar o transporte, a logística e danificar estradas.

Aumento de renda da população

Quando há uma alta na renda dos trabalhadores, há um maior consumo, que causa a inflação de demanda.

Por exemplo, no caso de incentivos ou programas do governo que distribuem renda, pode acontecer essa elevação nos preços. Outro ponto relevante é quando ocorre uma política monetária expansionista, com corte de juros e maior oferta de empréstimos.

Gastos públicos

O governo de um país é responsável pelo financiamento de programas sociais e obras, que causam inflação de demanda e podem ser controladas pela autoridade monetária. Por outro lado, se a dívida pública cresce em um ritmo maior que a capacidade de pagá-la, a tendência é que a inflação prevaleça ao longo do tempo.

Instabilidade política

Momentos de instabilidade política contribuem para diferentes tipos de inflação, como a hiperinflação, a estagflação e a inercial, em especial em países em desenvolvimento.

Afinal, crises econômicas são uma ameaça às empresas, que podem falir ou demitir funcionários. Além disso, turbulências no cenário internacional podem interferir nas relações diplomáticas, que podem levar a sanções ou restrições de comércio entre países.

Desequilíbrio entre procura e oferta

Se a oferta é baixa e a demanda é elevada, o que acontece é que os preços vão subir. O mesmo vale no sentido oposto: se a oferta é alta e a demanda é baixa, os preços vão cair. A lei de oferta e demanda foi estudada por Adam Smith no século XVIII e ainda prevalece atualmente.

Custos de produção

A elevação dos custos de produção tem reflexos nos preços. Se as empresas realizam empréstimos para financiar suas atividades, e se as taxas de juros são altas, as despesas serão maiores.

Outra questão é que a elevação da carga tributária, a exemplo dos impostos, e o aumento do preço de insumos encarecem os custos.

Ausência de concorrência

Quando não há concorrência para venda de determinado produto, ou se a concorrência é baixa, as empresas podem formar monopólios ou oligopólios, que acabam estabelecendo preços elevados ou reduzindo a oferta de bens para ficarem mais caros.

Quais são as consequências da inflação?

Além de conhecer os tipos de inflação, é bom saber que ela pode ter como resultado a redução no poder de compra, reflexos negativos no PIB, aumento da dívida pública e desvalorização dos investimentos. Entenda.

Queda do poder de consumo

Nem sempre os reajustes nos salários acompanham o aumento dos preços. Por isso, a inflação gera uma perda no poder de consumo. Consequentemente, as empresas têm menores expectativas com as estimativas de vendas.

Imagine um pacote de viagens que custava R$1.800 e passa a valer R$2.200 devido ao aumento das passagens aéreas. É provável que muitos turistas considerem este valor elevado.

Impactos desfavoráveis no PIB

A redução do poder de consumo e dos investimentos tem ressonância no PIB (Produto Interno Bruto). O motivo é que este indicador econômico reúne, entre outros fatores, o consumo das famílias e os investimentos privados. Se ambos caem, há chances de ocorrer um menor crescimento do país.

Aumento da dívida pública

Quando os preços estão altos, isso é um ponto negativo para o governo, que precisa arcar com despesas, o que pode elevar déficits nas contas públicas. Além disso, muitos dos títulos públicos têm a remuneração baseada na inflação, de modo a equilibrar a inflação corrente, o que é outro custo para o governo.

Redução no poder dos investimentos financeiros

A capacidade de investir no mercado financeiro também é influenciada pelos diversos tipos de inflação. Afinal, os retornos dos ativos podem perder parte do valor após descontada a inflação. Com isso, o rendimento líquido pode ser menor que o esperado.

Qual a relação entre inflação e investimento?

Um dos principais efeitos desfavoráveis aos investimentos em decorrência do aumento da inflação é a queda da rentabilidade real. Ou seja, o investidor pode ter lucros, mas não ter um ganho real.

Se, por exemplo, você teve investimentos com valorização anual de 11% do capital, mas se a inflação tiver sido de 13% no ano, significa que o rendimento real foi negativo. Em vista disso, houve uma desvalorização da aplicação.

Outra questão é que as incertezas no mercado em relação aos diferentes tipos de inflação podem causar volatilidade em ativos como os de renda variável.

Quais são os indicadores de inflação?

Existem três indicadores da inflação principais no Brasil, o IPCA, o INPC e o IGP-M. Entenda abaixo cada um deles!

IPCA (Índice de Produtos ao Consumidor Amplo)

O IPCA indica a inflação oficial no país, cujo cálculo é feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ele considera uma cesta de serviços e bens, tendo em torno de 300 a 400 componentes. Além disso, considera famílias de 1 a 40 salários mínimos de áreas urbanas.

INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor)

O INPC funciona com cálculo mensal, também por meio do IBGE. A diferença para o IPCA é principalmente no que se refere à renda das famílias, já que o indicador avalia as que têm entre 1 e 5 salários mínimos.

IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado)

O cálculo do IGP-M é realizado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e não considera apenas o método da renda. Ele analisa os preços de outros setores da economia, como a construção. Serve também como indexador de reajustes de planos de saúde e aluguel.

Quais investimentos estão atrelados à inflação?

Um dos tipos de investimentos que é alvo de atenção de investidores e que está ligado à inflação é o Tesouro IPCA. No entanto, há outros também. Confira!

Títulos privados

Há títulos privados que têm rendimentos atrelados à inflação, a exemplo dos CDBs (Certificados de Depósito Bancário). A emissão é realizada por bancos e há opções com rentabilidade híbrida.

Outros exemplos de títulos nesta modalidade são as letras de crédito, como LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), além do CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e do CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio).

Tesouro IPCA

O Tesouro IPCA é um título público cuja negociação se dá no Tesouro Direto. Trata-se do único tipo de investimento na plataforma do governo que possui rendimento híbrido e segue as variações do IPCA, com liquidez diária e marcação a mercado.

Existem duas categorias, que são o Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal) e o Tesouro IPCA+ com juros semestrais (NTN-B). O primeiro permite obter a rentabilidade na data de vencimento. Já no segundo você recebe retorno prefixado por meio de cupons semestrais.

Fundos de inflação

Os fundos de inflação reúnem ativos na carteira de investimentos com rentabilidade vinculada a índices de inflação. Em geral, esse tipo de investimento envolve títulos que integram o IMA-B (Índice de Mercado Anbima). Alguns deles podem ser de longo prazo, com mais de cinco anos de duração.

Fundos imobiliários

Os fundos imobiliários, ou FIIs, também podem estar atrelados à inflação, ainda que indiretamente. O lucro desses fundos vem do pagamento de aluguel de imóveis e os contratos sofrem reajuste conforme a inflação, de forma que a rentabilidade dos investidores fique protegida.

ETFs de renda fixa

Os ETFs de renda fixa utilizam índices de preços na Bolsa de Valores como parâmetro para acompanhar a performance dos investimentos atrelados à inflação, sendo da categoria de renda variável. 

Então, agora você já sabe quais são os tipos de inflação e como afetam os investimentos. Leia também o artigo: 8 indicadores econômicos para se atentar na hora de investir!

Resumindo

Quais são os três principais tipos de inflação?

Os três tipos de inflação principais são:

  • inflação de demanda: a demanda por bens e serviços em uma economia excede a capacidade de produção e há aumento generalizado nos preços;
  • inflação de oferta: as despesas de produção de bens e serviços aumentam, levando os produtores a repassar os custos para os consumidores;
  • inflação estrutural: os aumentos de preços são causados por desequilíbrios na economia, como mudanças na estrutura de mercado, regulação governamental, choques tecnológicos, entre outros.

O que gera inflação no país?

A inflação em um país pode ser gerada por um excesso de demanda em relação à oferta, aumentos nos custos de produção, desequilíbrios estruturais na economia e políticas monetárias e fiscais expansionistas.

Equipe MI

Equipe de redatores do portal Melhor Investimento.