Poupança registra retirada líquida em abril e acumula perdas bilionárias em 2026

A poupança voltou a registrar mais saques do que depósitos em abril de 2026, com retirada líquida de R$ 476,4 milhões, segundo o Banco Central.

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09 de maio, 2026 às 13:00
Close das mãos de uma pessoa contando um maço de notas de 50 reais brasileiros, com foco na textura do papel-moeda. Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

A poupança registrou retirada líquida de R$ 476,4 milhões em abril de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central do Brasil. O resultado mostra que os brasileiros voltaram a sacar mais dinheiro do que depositaram na modalidade de investimento mais tradicional do país. O movimento acontece em meio aos juros elevados e ao aumento da procura por aplicações financeiras com maior rentabilidade.

Os números do Banco Central revelam que os depósitos na caderneta somaram R$ 362,2 bilhões no mês passado, enquanto os saques chegaram a R$ 362,7 bilhões. Mesmo com o saldo negativo, os rendimentos creditados nas contas de poupança atingiram R$ 6,3 bilhões no período.

O cenário reforça a tendência observada nos últimos anos, marcada pela saída contínua de recursos da poupança. Apenas nos quatro primeiros meses de 2026, a retirada líquida acumulada já alcança R$ 41,7 bilhões.

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A retirada líquida ocorre quando o volume de saques supera o total depositado pelos investidores. Embora a poupança continue sendo uma das aplicações financeiras mais populares do Brasil, o produto perdeu competitividade diante do atual cenário econômico.

Nos últimos anos, a combinação de inflação elevada e juros altos aumentou a atratividade de investimentos de renda fixa que oferecem retornos superiores. Com isso, muitos brasileiros passaram a migrar recursos para alternativas como CDBs, Tesouro Direto e fundos atrelados à taxa Selic.

Retirada líquida da poupança nos últimos anos

PeríodoSaldo líquido
2023– R$ 87,8 bilhões
2024– R$ 15,5 bilhões
Jan-abr/2026– R$ 41,7 bilhões
Abril/2026– R$ 476,4 milhões

Mesmo diante das retiradas, o saldo total da caderneta permanece acima de R$ 1 trilhão, impulsionado pelos rendimentos creditados mensalmente e pela grande base de investidores.

Juros altos reduzem competitividade da poupança

Um dos principais motivos para a saída de recursos da poupança é o atual patamar da taxa Selic. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu recentemente os juros básicos em 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,5% ao ano.

Apesar do corte, os juros seguem em nível elevado, o que favorece aplicações financeiras com maior rentabilidade. Em muitos casos, investimentos conservadores de renda fixa conseguem entregar ganhos significativamente superiores aos da poupança.

A regra de rendimento da caderneta limita seu desempenho em períodos de juros altos. Atualmente, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR), o que reduz sua competitividade frente a outros produtos financeiros.

Além da rentabilidade, especialistas apontam que a facilidade de acesso a plataformas digitais de investimento também impulsiona a migração de recursos. Hoje, investidores conseguem aplicar em diferentes produtos financeiros de forma simples, rápida e com baixo valor inicial.

Banco Central mantém atenção sobre inflação e economia

A política de juros do Banco Central do Brasil tem como principal objetivo controlar a inflação no país. Quando a Selic permanece elevada, o crédito fica mais caro, o consumo tende a desacelerar e a pressão sobre os preços diminui.

A meta contínua de inflação definida pelo Banco Central é de 3% ao ano. No entanto, os índices recentes seguem acima desse patamar.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,88% em março, após alta de 0,7% em fevereiro. No acumulado de 12 meses, a inflação oficial brasileira chegou a 4,14%.

Os aumentos nos preços dos alimentos e dos transportes foram os principais responsáveis pela aceleração inflacionária no período.

Inflação de abril será divulgada nos próximos dias

O mercado financeiro acompanha com atenção os próximos indicadores econômicos para avaliar os rumos da taxa de juros no Brasil. A expectativa agora gira em torno da divulgação da inflação de abril, prevista para a próxima terça-feira (12) pelo IBGE.

Os dados poderão influenciar as próximas decisões do Copom e indicar se o Banco Central continuará reduzindo os juros ao longo de 2026.

Enquanto isso, a poupança segue enfrentando dificuldades para recuperar espaço entre os investidores brasileiros, especialmente em um cenário de juros elevados e maior busca por rentabilidade.