IGP-DI sobe 2,41% em abril e registra maior alta desde 2021
O IGP-DI avançou 2,41% em abril, marcando a maior alta desde 2021, segundo dados divulgados pela FGV.
Imagem: Pixabay
O avanço do IGP-DI em abril surpreendeu o mercado financeiro e reforçou os sinais de pressão inflacionária na economia brasileira. O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 2,41% no mês, registrando a maior alta desde 2021, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (8) pela Fundação Getulio Vargas. O resultado veio acima das expectativas dos analistas e foi impulsionado principalmente pela forte aceleração dos preços no atacado.
A alta do IGP-DI ocorreu após o indicador ter avançado 1,14% em março. Com isso, o índice acumula elevação de 2,92% no ano e avanço de 0,78% nos últimos 12 meses. O movimento reforça a preocupação do mercado com a trajetória da inflação e seus possíveis impactos sobre juros, crédito e atividade econômica no país.
Segundo levantamento do Broadcast, a mediana das projeções do mercado apontava alta de 2,39% para abril, enquanto as estimativas variavam entre 1,83% e 2,60%. O dado divulgado pela FGV ficou acima do centro das expectativas e confirmou uma aceleração importante dos preços em diferentes segmentos da economia.
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O principal responsável pela disparada do IGP-DI em abril foi o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI), que mede a variação dos preços no atacado. O indicador subiu 3,09% no mês, após registrar alta de 1,38% em março.
O IPA-DI possui grande peso na composição do IGP-DI e costuma refletir oscilações de commodities agrícolas, industriais e matérias-primas. Dessa forma, movimentos de alta no atacado acabam pressionando também outros setores da economia ao longo do tempo.
A aceleração do índice ocorre em um momento em que investidores acompanham com atenção os dados de inflação no Brasil, especialmente diante das discussões sobre política monetária e os próximos passos da taxa básica de juros.
Analistas avaliam que a pressão mais forte no atacado pode gerar impactos futuros sobre os preços ao consumidor, dependendo da intensidade do repasse realizado pelas empresas.
Inflação ao consumidor também ganhou força
Além da pressão observada no atacado, os preços ao consumidor também mostraram aceleração em abril. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI) avançou 0,88%, acima da alta de 0,67% registrada em março.
O indicador acompanha a variação de preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias e é um dos componentes mais observados para medir o comportamento da inflação no varejo.
A FGV também informou que o núcleo do IPC-DI — métrica que desconsidera oscilações extremas para captar a tendência da inflação — subiu 0,42% em abril, após avanço de 0,37% no mês anterior.
No acumulado de 2026, o núcleo do IPC-DI registra alta de 1,59%. Já em 12 meses, o avanço chega a 4,05%, mostrando que a inflação subjacente segue em patamar elevado.
Construção civil também pressionou o índice
Outro componente que contribuiu para a aceleração do IGP-DI foi o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI), que avançou 1,00% em abril, após alta de 0,54% em março.
O indicador mede a evolução dos custos da construção civil, incluindo materiais, equipamentos, serviços e mão de obra. O avanço do INCC-DI pode afetar diretamente setores como mercado imobiliário, infraestrutura e construção residencial.
O aumento dos custos no setor também reforça o cenário de pressão disseminada nos preços da economia brasileira, atingindo diferentes cadeias produtivas.
O que é o IGP-DI e por que o índice é importante
O IGP-DI é um dos principais indicadores de inflação do país e é utilizado como referência para reajustes de contratos de aluguel, tarifas públicas e outros acordos financeiros.
Calculado pela FGV, o índice reúne dados de preços ao produtor, ao consumidor e da construção civil. A composição do IGP-DI é formada pelo IPA-DI, que possui peso de 60%, pelo IPC-DI, com participação de 30%, e pelo INCC-DI, responsável pelos 10% restantes.
Por medir diferentes etapas da economia, o indicador é acompanhado de perto por investidores, empresas e economistas para avaliar tendências inflacionárias e expectativas para os juros.
O resultado de abril reforça um ambiente de maior cautela no mercado financeiro, principalmente em relação à trajetória da inflação nos próximos meses. Investidores também acompanham outros indicadores econômicos para avaliar se a pressão observada no IGP-DI será temporária ou poderá se espalhar para outros segmentos da economia.