De acordo com um comunicado do Banco Central (BC) divulgado nesta quarta-feira (31), as finanças do setor público consolidado apresentaram um excedente primário de R$ 78,7 bilhões nos primeiros quatro meses deste ano, o que corresponde a 2,31% do Produto Interno Bruto (PIB).

Em comparação com o mesmo período do ano passado, quando foi registrado um superávit de R$ 148,5 bilhões (4,74% do PIB), houve uma queda de 47%.

O superávit primário ocorre quando as receitas superam as despesas, excluindo os encargos da dívida pública. Quando ocorre o oposto, temos um déficit. Esse resultado engloba o governo federal, os estados, municípios e as empresas estatais.

Ao mesmo tempo, a dívida bruta do setor público consolidado, um indicador observado de perto pelos investidores para avaliar a capacidade de pagamento dos países, aumentou 0,2 ponto percentual no mês passado, alcançando 73,2% do PIB.

Somente em abril, foi registrado um superávit primário de R$ 20,3 bilhões, apresentando uma queda em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o saldo positivo foi de R$ 38,9 bilhões. Esse foi o pior resultado para o mês de abril desde 2020, quando ocorreu um déficit de R$ 94,3 bilhões.

O resultado superavitário das contas públicas no último mês foi impulsionado pelo desempenho das finanças do governo federal, estados e municípios. A seguir estão os detalhes:

  • O Governo Federal registrou um superávit de R$ 16,9 bilhões;
  • Estados e municípios tiveram um saldo positivo de R$ 4 bilhões;
  • As empresas estatais apresentaram um déficit de R$ 602 milhões.

Despesas com juros

No conceito conhecido como resultado nominal, que inclui os juros da dívida pública, houve um déficit de R$ 25,4 bilhões nas contas do setor público em abril. Nos últimos 12 meses, até abril deste ano, o déficit nominal foi de R$ 603,3 bilhões, correspondendo a 5,92% do Produto Interno Bruto (PIB).

Esse dado é de grande importância para as agências de classificação de risco, que o utilizam para determinar a nota de crédito dos países, sendo considerado pelos investidores.

O resultado nominal das contas do setor público é influenciado pelo desempenho mensal das contas, pelas ações do Banco Central no mercado cambial e pelos juros básicos da economia (taxa Selic) estabelecidos pela instituição para controlar a inflação. Atualmente, a taxa Selic está em 13,75% ao ano, o maior valor em seis anos.

De acordo com o Banco Central, no mês passado, as despesas com juros nominais totalizaram R$ 45,8 bilhões. Nos últimos 12 meses, até abril, os gastos com juros totalizaram R$ 659,5 bilhões, o que representa 6,47% do PIB.

Dívida bruta das contas públicas

O nível de endividamento do setor público, que é monitorado pelas agências de classificação de risco, permaneceu estável em abril, representando 73,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, o que corresponde a um total de R$ 7,45 trilhões. Em março, a dívida era de 73% do PIB, totalizando R$ 7,39 trilhões.

Equipe MI

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