Renda Fixa em 2026: estratégias para superar o CDI
A Selic deve cair em 2026. Quais ativos se beneficiam dos cortes e como buscar retornos acima do CDI.
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O mercado financeiro brasileiro vive um momento de grande expectativa. Com a taxa Selic estacionada em 15,0%, o maior patamar em duas décadas, investidores de renda fixa desfrutam de uma rentabilidade elevada e segura.
No entanto, o cenário para 2026 aponta para uma mudança significativa, que é o início de um ciclo de cortes nos juros. Essa transição, embora gradual, abre uma janela de oportunidade para quem souber se posicionar adequadamente, olhando para além dos produtos bancários tradicionais.
Selic 15: Por que os juros estão tão altos?
Para entender o futuro, é preciso compreender o presente. As recentes decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 15,0% ao ano não são arbitrárias. Elas refletem o esforço do Banco Central em controlar a inflação e estabilizar a economia.
Atualmente, a inflação projetada para 2025, segundo os últimos Boletins Focus, está em torno de 4,5%, valor acima do centro da meta de 3,0%, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Monitorando os últimos comunicados, o Copom vem destacando que as expectativas de inflação para 2025 e 2026 permanecem “acima da meta” e que o cenário exige uma política monetária “significativamente contracionista por período bastante prolongado”.
Fatores como a incerteza fiscal e um real desvalorizado adicionam pressão ao quadro, justificando a cautela do Banco Central.
Boa notícia para o investidor: a queda da MP 1303
Em meio às discussões sobre o orçamento de 2026, uma notícia trouxe alívio e estabilidade ao mercado: a queda da Medida Provisória 1303/2025 em outubro de 2025. A proposta original do governo previa, entre outras medidas, a tributação de ativos hoje isentos, como LCI, LCA, CRI, CRA, debêntures incentivadas e os dividendos de FIIs e Fiagros.
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Sua derrubada no Congresso foi uma vitória crucial para o investidor e para o financiamento de setores estratégicos.
Com a queda da MP, o cenário para 2026 é de manutenção dos benefícios fiscais, o que torna os investimentos incentivados ainda mais atraentes no ciclo de queda de juros que se aproxima. A isenção de Imposto de Renda para pessoa física em debêntures de infraestrutura, FI-Infras e FIIs está, por ora, garantida, preservando a segurança jurídica e a previsibilidade para o planejamento de longo prazo.
Com a Selic projetada para encerrar 2026 em torno dos 12,25% ao ano, a estratégia de investimento precisa ir além da emissão bancária tradicional. É o momento de explorar ativos que, além de se beneficiarem da queda dos juros, desempenham um papel vital no crescimento do país.
Debêntures Incentivadas e FI-Infras: O motor da infraestrutura
As debêntures incentivadas são títulos de dívida emitidos por empresas para financiar projetos de infraestrutura. Ao investir nelas, você não apenas busca uma rentabilidade atrativa e isenta de Imposto de Renda, mas também financia diretamente o desenvolvimento de rodovias, portos, aeroportos, saneamento e geração de energia limpa, por exemplo.
O mercado demonstra sua força: em 2025, a captação via debêntures incentivadas atingiu R$ 62,5 bilhões até maio, um crescimento de 39,3% em relação ao ano anterior.
Para o investidor que busca diversificação e gestão profissional, os Fundos de Investimento em Infraestrutura (FI-Infras) são a porta de entrada ideal. Eles investem em uma carteira diversificada de debêntures e outros ativos do setor, e suas cotas são negociadas em bolsa, oferecendo liquidez e isenção total de IR sobre rendimentos e ganho de capital.
| Ativo | Vantagens Principais | Riscos Associados |
| Debêntures Incentivadas | Isenção de IR, taxas reais atrativas (IPCA+), contribuição para o desenvolvimento do país. | Risco de crédito do emissor, menor liquidez, prazo longo. Não possui FGC. |
| FI-Infras | Isenção total de IR, diversificação automática, gestão profissional, liquidez em bolsa. | Risco de crédito dos ativos na carteira, volatilidade das cotas. Não possui FGC. |
Fundos Imobiliários (FIIs): Renda passiva potencializada
Os FIIs são outra classe de ativos que se beneficia diretamente da queda da Selic. Historicamente, os preços de suas cotas se movem de forma inversa aos juros. Uma análise da XP Investimentos sobre os últimos três ciclos de cortes mostrou que se antecipar ao movimento é a estratégia mais eficiente.
Investidores que compraram cotas de Fundos Imobiliários entre quatro e doze meses antes do início da queda da Selic tiveram um desempenho bem superior, com retornos médios anuais entre CDI + 6,0% e CDI + 8,8%. Já quem esperou o início efetivo dos cortes para investir acabou ganhando bem menos (cerca de 100% do CDI), mostrando que antecipar o movimento dos juros costuma gerar resultados mais vantajosos.
O motivo é que o mercado costuma antecipar a queda dos juros antes mesmo da decisão oficial do Copom. Quando a Selic começa a recuar, o rendimento dos aluguéis pagos pelos fundos imobiliários (dividend yield) passa a parecer mais atrativo em comparação a outras aplicações de renda fixa, o que estimula a demanda e impulsiona a valorização das cotas.
Atualmente, o IFIX, índice que reúne os principais FIIs, negocia com desconto, refletido em um P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial) de cerca de 0,89x. Isso significa que, em média, os fundos estão sendo negociados na Bolsa por apenas 89% do valor de seus patrimônios líquidos. Em outras palavras, o investidor paga menos do que o valor contábil dos imóveis e ativos que o fundo detém, o que pode representar uma oportunidade de compra caso o mercado volte a reprecificar esses ativos a valor de mercado.
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Renda Fixa Tradicional: revisitando o papel estratégico
Mesmo ao “sair da caixinha”, a renda fixa tradicional continua sendo uma excelente opção:
- Títulos Prefixados (Tesouro Prefixado, CDBs): O momento de “travar” taxas altas é agora, antes que os cortes comecem. Eles se valorizam com a queda dos juros futuros, gerando ganhos de capital.
- Títulos Híbridos (Tesouro IPCA+, Debêntures IPCA+): Indispensáveis para o longo prazo, protegem seu poder de compra e ainda oferecem um ganho real atrativo, que também se beneficia da queda dos juros.
- Títulos Pós-Fixados (Tesouro Selic, CDBs 100% CDI): Continuam sendo a escolha ideal para a reserva de emergência, garantindo segurança e liquidez, embora com rentabilidade decrescente.
Para esses produtos de emissão bancária, a proteção do FGC (até R$ 250 mil por CPF/instituição) segue como um importante pilar de segurança.
A hora de agir é agora, com estratégia
O cenário para 2026 é claro: os juros vão cair. Para o investidor, a mensagem é igualmente clara: a hora de agir é agora. Esperar os cortes começarem para então ajustar a carteira significa perder a maior parte da valorização dos ativos de risco e prefixados.
Mais do que apenas migrar de pós para pré-fixados, o momento atual convida a uma reflexão estratégica de construir um portfólio que não apenas se beneficie do ciclo de juros, mas que também participe ativamente do crescimento do Brasil.
Alocar em debêntures incentivadas, FI-Infras e FIIs é uma forma sofisticada de diversificar, buscar rentabilidades atrativas com isenção fiscal e, ao mesmo tempo, financiar o futuro da infraestrutura e do mercado imobiliário do país.
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