Tesouro Direto: juros do IPCA+ voltam a subir e título 2037 se aproxima de 8% ao ano

Avanço dos juros reais reflete preocupações do mercado com o cenário fiscal após divulgação dos dados das contas públicas.

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Última atualização:  30 de jun, 2026 às 12:43
Investir no Tesouro Direto. Imagem: Envato Elements

Os títulos do Tesouro Direto indexados à inflação voltaram a registrar alta nas taxas nesta terça-feira (30), ampliando o movimento observado na sessão anterior. O destaque ficou para o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2037 e pagamento de juros semestrais, cuja remuneração alcançou 7,94% ao ano acima da inflação, aproximando-se novamente do patamar de 8%.

Enquanto isso, os títulos prefixados apresentaram poucas oscilações ao longo do dia, indicando que a maior pressão permaneceu concentrada nos papéis atrelados ao IPCA, principalmente nos vencimentos intermediários e longos.

O movimento ocorre em meio à repercussão dos dados fiscais divulgados pelo Banco Central, que reforçaram as preocupações dos investidores com a trajetória das contas públicas brasileiras.

Títulos de longo prazo registram novas altas

Além do papel com vencimento em 2037, outros títulos do Tesouro IPCA+ também tiveram aumento na rentabilidade.

O Tesouro IPCA+ 2050 passou de 7,33% para 7,37% ao ano em apenas um pregão, acumulando alta de 14 pontos-base em dois dias úteis. Já o Tesouro IPCA+ 2040 avançou de 7,64% para 7,68% ao ano, acompanhando a elevação dos prêmios exigidos pelo mercado para financiar a dívida pública em prazos mais longos.

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Resultado fiscal pressiona curva de juros

A alta dos juros reais ganhou força após a divulgação do resultado fiscal de maio. Segundo o Banco Central, o déficit nominal do governo central alcançou R$ 149 bilhões, ligeiramente acima das expectativas do mercado.

Ao mesmo tempo, a dívida bruta do governo geral subiu para 81,1% do Produto Interno Bruto (PIB), também superando as projeções dos analistas. Na avaliação de especialistas, o principal fator de preocupação não é apenas o nível atual da dívida, mas a percepção sobre sua evolução nos próximos anos.

Quando o mercado identifica dificuldades para estabilizar as contas públicas, os investidores tendem a exigir remunerações maiores para comprar títulos públicos, elevando as taxas de juros de longo prazo.

Juros mais altos afetam crédito e investimentos

Segundo analistas do mercado financeiro, o aumento dos prêmios de risco pode gerar impactos que vão além dos títulos públicos. Com juros elevados, o custo de financiamento para empresas e consumidores tende a aumentar, reduzindo o acesso ao crédito e desestimulando novos investimentos.

Além disso, a percepção de fragilidade fiscal pode influenciar as expectativas de inflação e dificultar a condução da política monetária.

Mercado acompanha próximos passos do Copom

Apesar da pressão recente sobre a curva de juros, parte dos investidores ainda aposta na continuidade do ciclo de redução da taxa Selic. As projeções do mercado indicam que a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para agosto, segue com maior probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual nos juros básicos.

Entretanto, economistas alertam que a evolução do cenário fiscal continuará sendo um dos principais fatores observados pelo mercado e pelo Banco Central nas próximas decisões de política monetária.

Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.