Reestruturação da Braskem pesa e JPMorgan reduz projeção para BRKM5
Banco revisa projeções para a petroquímica após aumento das incertezas sobre a reestruturação financeira e cenário menos favorável para o setor.
Foto: REUTERS/Diego Vara
O JPMorgan rebaixou a recomendação das ações da Braskem (BRKM5) e reduziu pela metade o preço-alvo dos papéis, passando de R$ 15 para R$ 7,50 por ação. A revisão foi divulgada nesta terça-feira (30) e reflete uma mudança na avaliação do banco sobre as perspectivas da companhia.
Segundo os analistas, a combinação entre um ambiente menos favorável para a indústria petroquímica e o aumento das incertezas envolvendo a reestruturação financeira passou a limitar o potencial de valorização da empresa.
A nova análise indica que o foco dos investidores deixou de estar apenas na recuperação operacional e nas mudanças de governança da companhia. Agora, o principal fator para a evolução das ações passa a ser o desfecho das negociações entre a Braskem e seus credores.
A decisão ocorre poucas semanas após o próprio JPMorgan ter adotado uma visão mais positiva sobre a empresa. Na ocasião, a melhora das expectativas chegou a impulsionar uma forte valorização dos papéis no mercado. Entretanto, a revisão do cenário internacional e o avanço das discussões sobre a dívida alteraram a percepção do banco.
O que motivou a mudança de avaliação
Segundo o relatório, dois fatores sustentavam a recomendação mais favorável feita anteriormente.
O primeiro era a expectativa de melhora na governança corporativa após a mudança no controle acionário da companhia. O segundo era uma possível recuperação das margens do setor petroquímico, impulsionada pelo cenário internacional.
Com a redução das tensões geopolíticas e a revisão das expectativas para o mercado petroquímico global, o banco passou a trabalhar com projeções mais conservadoras para os resultados da empresa.
Além disso, o JPMorgan considera que o elevado nível de endividamento da Braskem aumenta o impacto de qualquer deterioração operacional sobre o valor das ações.
Preço-alvo cai para R$ 7,50
A redução do preço-alvo representa uma revisão significativa das expectativas para BRKM5.
Na prática, o banco entende que o atual momento exige maior cautela diante da falta de definição sobre como será conduzida a reorganização financeira da companhia.
Os analistas também reduziram suas estimativas para o desempenho operacional da empresa em 2026, refletindo um cenário menos otimista para a indústria petroquímica.
Embora a companhia continue operando normalmente, o mercado acompanha de perto a evolução das conversas com os credores, já que o resultado desse processo poderá influenciar diretamente o valor da empresa.
Negociações com credores ganham protagonismo
O relatório destaca que os documentos divulgados durante o processo de reestruturação ofereceram maior transparência sobre as negociações.
Na avaliação do JPMorgan, os credores demonstraram resistência à proposta inicial apresentada pela administração da Braskem, indicando que os acionistas também deverão participar da solução financeira.
Ainda não há definição sobre qual formato essa participação poderá assumir.
Entre as possibilidades citadas pelo banco estão:
- aporte adicional de capital pelos acionistas;
- instrumentos financeiros ligados ao capital da companhia;
- medidas que possam gerar diluição dos atuais investidores;
- outras alternativas negociadas entre empresa e credores.
Enquanto não houver uma definição, o banco considera que permanece elevado o nível de incerteza para os acionistas.
Recuperação judicial continua entre os riscos
Apesar de considerar uma solução negociada fora da Justiça como o cenário mais provável, o JPMorgan afirma que uma eventual recuperação judicial continua sendo um dos principais riscos para a tese de investimento.
Segundo os analistas, esse cenário permanece possível caso não haja acordo entre a companhia e seus credores.
A instituição ressalta ainda que seu preço-alvo atualizado não considera, neste momento, uma eventual diluição acionária. Caso essa alternativa faça parte da solução final, novos impactos sobre o valor estimado das ações poderão ocorrer.
Mudanças na governança seguem sendo ponto positivo
Mesmo com a revisão da recomendação, o banco reconhece avanços recentes na estrutura de governança da Braskem.
Em junho, foi concluída a transferência do controle da companhia da Novonor para a IG4 Capital. Com a operação, a gestora passou a assumir o controle da petroquímica, enquanto a Petrobras manteve participação relevante na empresa.
O novo acordo estabeleceu uma governança compartilhada entre os dois grupos.
Também houve mudanças na administração, com a definição de novos executivos responsáveis pela condução da companhia e pelo processo de reorganização financeira.
Na visão do JPMorgan, essas alterações representam um avanço institucional importante, mas ainda não são suficientes para reduzir os riscos associados ao elevado endividamento e às negociações em andamento.
O que o mercado acompanha daqui para frente
Nos próximos meses, investidores deverão acompanhar principalmente a evolução da reestruturação financeira da Braskem.
Entre os principais pontos observados pelo mercado estão:
- Definição de um acordo com os credores;
- Impacto da reorganização sobre os acionistas;
- Evolução das condições do setor petroquímico;
- Desempenho operacional da companhia;
- Eventuais mudanças na estrutura de capital.
Esses fatores poderão influenciar tanto a percepção de risco quanto as expectativas para os resultados futuros da empresa.
Enquanto isso, a revisão do JPMorgan reforça que o comportamento das ações tende a permanecer fortemente ligado às decisões envolvendo a estrutura financeira da Braskem, mais do que à evolução operacional de curto prazo.
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