Greve de ônibus no Rio segue no 2º dia e mantém filas de passageiros

Paralisação chega ao segundo dia com circulação parcial de ônibus e expectativa por audiência entre trabalhadores e empresas.

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Última atualização:  30 de jun, 2026 às 10:10
Ônibus parado durante a greve dos rodoviários no Rio de Janeiro, com passageiros e agente de segurança na rua. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A greve de ônibus no Rio de Janeiro entrou no segundo dia nesta terça-feira (30), mantendo impactos no transporte público e dificultando o deslocamento de milhares de passageiros. Apesar do aumento no número de ônibus em circulação em relação ao primeiro dia da paralisação, usuários continuaram enfrentando longas filas, veículos lotados e atrasos em diferentes regiões da cidade.

Enquanto isso, representantes dos trabalhadores e das empresas aguardam uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que pode definir os próximos passos da negociação.

Segundo informações divulgadas pelo sindicato das empresas de ônibus, cerca de 1.400 coletivos deixaram as garagens nas primeiras horas da manhã. O número representa um avanço em comparação ao dia anterior, quando aproximadamente 900 veículos circularam, mas permanece abaixo do percentual determinado pela Justiça, que estabeleceu a operação mínima de 50% da frota durante a greve.

A expectativa é que a reunião de mediação entre o Sindicato dos Rodoviários e o Rio Ônibus possa aproximar as partes e abrir caminho para um acordo que encerre a paralisação.

Passageiros enfrentam nova manhã de dificuldades

O segundo dia de greve repetiu o cenário observado na segunda-feira. Logo nas primeiras horas da manhã, pontos de ônibus e terminais registravam grande concentração de passageiros à espera de transporte.

Em diversas regiões da capital fluminense, usuários relataram demora superior ao intervalo habitual das linhas. Em alguns casos, os poucos ônibus disponíveis já chegavam completamente lotados, impedindo o embarque de novos passageiros.

A situação foi registrada em locais como o Terminal Gentileza, Avenida Brasil, Bonsucesso, São Cristóvão, Realengo e outros corredores de grande circulação.

Além do tempo maior de espera, muitos trabalhadores demonstraram preocupação com atrasos para chegar ao trabalho e cumprir seus horários.

Frota cresce, mas continua abaixo do previsto

Embora mais ônibus tenham entrado em operação nesta terça-feira, a circulação ainda ficou abaixo do mínimo esperado.

De acordo com o Rio Ônibus, aproximadamente 1.400 veículos estavam em atividade durante a manhã. Pela decisão judicial, o percentual mínimo corresponde a cerca de 50% da frota operacional.

A prefeitura havia solicitado um índice ainda maior, defendendo que 80% dos ônibus permanecessem circulando para reduzir os impactos sobre a população.

Segundo a administração municipal, o funcionamento parcial dos ônibus comuns compromete principalmente a integração com outros sistemas de transporte, como o BRT.

Outros modais operam normalmente

Enquanto os ônibus seguem afetados pela paralisação, outros meios de transporte funcionam normalmente.

O metrô, os trens urbanos e o sistema de barcas mantiveram suas operações regulares e passaram a ser indicados como alternativas para parte da população.

As concessionárias responsáveis pelo transporte ferroviário reforçaram a oferta de viagens ao longo do dia para atender ao aumento da demanda provocado pela greve.

No sistema BRT também houve ampliação da operação.

Segundo a MOBI-Rio, cerca de 361 ônibus articulados circulavam nas primeiras horas da manhã, número superior ao registrado na segunda-feira. Ainda assim, o serviço continuou operando abaixo do plano considerado ideal.

Audiência pode definir o rumo da paralisação

A principal expectativa desta terça-feira está concentrada na audiência de conciliação convocada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região.

O encontro reúne representantes do Sindicato dos Rodoviários e das empresas de ônibus para discutir o dissídio coletivo da categoria.

Após a reunião, os trabalhadores programaram uma assembleia para avaliar o resultado das negociações e decidir se mantêm ou suspendem a greve.

A expectativa do sindicato é sair da audiência com uma proposta concreta que possa ser apresentada aos profissionais.

Caso haja avanço nas conversas, a paralisação poderá ser encerrada ainda após a deliberação da categoria.

O que os rodoviários reivindicam

Entre as principais demandas apresentadas pelos trabalhadores estão reajustes salariais, mudanças nas condições de trabalho e melhorias nos benefícios oferecidos pela categoria.

As reivindicações incluem:

  • salário de R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais;
  • remuneração de R$ 5 mil para condutores de ônibus articulados;
  • aumento do vale-alimentação;
  • adoção da jornada de trabalho no modelo 5×2;
  • manutenção do passe livre da categoria;
  • pagamento referente ao intervalo de almoço;
  • plano de saúde e assistência odontológica;
  • contratação de profissionais do BRT pelo regime da CLT.

Segundo o sindicato, as propostas apresentadas pelas empresas até o momento não atendem às reivindicações aprovadas pelos trabalhadores.

Justiça determinou operação mínima

Antes do início da paralisação, o Tribunal Regional do Trabalho reconheceu a legalidade da greve e definiu regras para preservar o funcionamento do transporte público.

A decisão determinou que pelo menos metade da frota de cada linha permaneça em circulação durante o movimento.

Também foram estabelecidas medidas para evitar prejuízos às negociações, incluindo restrições à contratação de motoristas temporários para substituir grevistas e proteção aos trabalhadores contra demissões motivadas pela adesão ao movimento.

O entendimento da Justiça considera que o direito constitucional de greve deve ser conciliado com a necessidade de manter um serviço essencial para a população.

Impactos vão além da mobilidade urbana

A greve dos rodoviários produz efeitos que ultrapassam os transtornos enfrentados pelos passageiros.

Especialistas em mobilidade apontam que interrupções no transporte coletivo afetam diretamente a atividade econômica das grandes cidades, reduzindo a produtividade de empresas e aumentando os custos de deslocamento para trabalhadores.

Com menos ônibus circulando, cresce também a procura por aplicativos de transporte, táxis e outros serviços privados, o que pode elevar tarifas em períodos de maior demanda.

Além disso, setores que dependem de mão de obra presencial, como comércio, serviços e indústria, podem registrar atrasos, faltas e dificuldades operacionais enquanto a situação não for normalizada.

Para empresas, a instabilidade no transporte urbano também representa desafios logísticos, especialmente em centros metropolitanos como o Rio de Janeiro, onde milhões de pessoas utilizam diariamente o sistema de ônibus para chegar ao trabalho.

Próximos passos dependem das negociações

O desfecho da greve dependerá do resultado das negociações realizadas entre representantes dos trabalhadores e das empresas.

Caso haja consenso durante a audiência de conciliação, a proposta será submetida aos rodoviários em assembleia. Somente após essa avaliação a categoria decidirá pela continuidade ou encerramento da paralisação.

Enquanto isso, a recomendação das autoridades permanece para que passageiros utilizem, sempre que possível, alternativas como metrô, trens e barcas, reduzindo os impactos provocados pela circulação parcial dos ônibus.

A evolução das negociações será acompanhada ao longo do dia, já que qualquer avanço poderá alterar o funcionamento do transporte público nos próximos dias e influenciar a rotina de milhares de pessoas na capital fluminense.

Carolina Gandra

Carolina Gandra é Jornalista e Redatora do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.