Duplicata escritural: Banco Central lança sistema para ampliar crédito empresarial

Nova etapa da duplicata escritural começa com fase assistida e busca ampliar o acesso ao financiamento para empresas de todos os portes.

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Última atualização:  30 de jun, 2026 às 14:29
Fachada do Banco Central do Brasil, órgão responsável pela regulamentação da duplicata escritural no país. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Banco Central deu início nesta terça-feira (30) à implementação da duplicata escritural, um novo modelo digital para registro e negociação de duplicatas que promete transformar o mercado de crédito empresarial no Brasil. A primeira etapa ocorre em formato de produção assistida, funcionando como um período de testes antes da obrigatoriedade do sistema, prevista para começar em 2027.

A iniciativa busca modernizar a o uso das duplicatas comerciais, tornando esses documentos totalmente digitais, rastreáveis e padronizados. A expectativa é que a mudança facilite o acesso das empresas ao crédito, aumente a segurança das operações e fortaleça o mercado de recebíveis, cujo potencial anual é estimado entre R$ 10 trilhões e R$ 13 trilhões.

Segundo estimativas do setor financeiro, a nova estrutura poderá ampliar significativamente o volume de ativos utilizados como garantia em financiamentos, contribuindo para destravar cerca de R$ 11 trilhões em operações ao longo dos próximos anos.

O que muda com a duplicata escritural

A duplicata é um título usado para representar valores que uma empresa tem a receber pela venda de produtos ou prestação de serviços.

No modelo tradicional, muitas dessas operações ainda dependem de processos descentralizados, documentos físicos ou registros pouco integrados, o que dificulta a verificação da autenticidade dos títulos e aumenta os riscos para instituições financeiras.

Com a duplicata escritural, todo o ciclo passa a ocorrer em ambiente eletrônico.

O documento será registrado em entidades autorizadas pelo Banco Central, permitindo que sua emissão, aceite, negociação, antecipação e liquidação sejam acompanhados digitalmente.

Na prática, isso torna os recebíveis mais confiáveis para bancos, fintechs, fundos de investimento e demais instituições que oferecem crédito.

Primeira fase será de adaptação

O lançamento desta semana marca apenas o início da implementação do novo sistema.

A chamada produção assistida permitirá que empresas, registradoras, escrituradoras e instituições financeiras realizem testes operacionais antes da entrada em vigor das regras obrigatórias.

O cronograma definido pelo Banco Central prevê uma implantação gradual:

  • Junho de 2027: início da obrigatoriedade para grandes empresas;
  • Dezembro de 2027: inclusão das médias empresas;
  • Junho de 2028: adoção pelas pequenas empresas.

A implementação escalonada busca reduzir impactos operacionais e permitir ajustes na infraestrutura tecnológica durante a transição.

Objetivo é ampliar o acesso ao crédito

Especialistas do setor financeiro apontam que o principal benefício econômico da duplicata escritural será a ampliação da oferta de crédito empresarial.

Atualmente, apenas uma pequena parcela das duplicatas emitidas no país é usada como garantia para operações financeiras.

Com registros padronizados e maior transparência, a expectativa é que mais instituições tenham interesse em financiar empresas utilizando esses ativos como garantia.

Além do aumento da concorrência entre bancos tradicionais, o novo ambiente poderá estimular a participação de fintechs, fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) e outros agentes do mercado financeiro.

Essa ampliação tende a criar um ambiente mais competitivo para as empresas que buscam capital de giro.

Pequenas empresas podem ser beneficiadas

Embora o sistema alcance empresas de todos os portes, especialistas avaliam que pequenas e médias empresas poderão sentir impactos importantes.

Hoje, muitos negócios enfrentam dificuldades para obter crédito por não possuírem patrimônio suficiente para oferecer como garantia.

Com a duplicata escritural, os próprios recebíveis comerciais passam a representar ativos mais seguros e verificáveis, ampliando as possibilidades de financiamento.

Dados do setor também mostram crescimento nas operações com duplicatas realizadas por empresas de menor porte, indicando maior interesse por mecanismos alternativos de obtenção de recursos.

Caso a digitalização aumente a confiança dos financiadores, esse movimento poderá ganhar ainda mais força nos próximos anos.

Mais transparência e menos fraudes

Outro objetivo do novo sistema é reduzir problemas históricos do mercado de recebíveis.

Entre as principais irregularidades enfrentadas pelo setor estão a emissão de duplicatas sem lastro em operações comerciais reais e a utilização do mesmo recebível como garantia em mais de uma operação de crédito.

Com o registro centralizado e a rastreabilidade eletrônica, essas situações tendem a se tornar mais difíceis de ocorrer.

Cada duplicata passa a possuir identificação única e poderá ser acompanhada durante toda a sua existência, aumentando a segurança jurídica para empresas e instituições financeiras.

A expectativa é que esse ambiente mais transparente reduza riscos e fortaleça a confiança dos participantes do mercado.

Transição exigirá investimentos em tecnologia

Apesar dos benefícios esperados, a implementação do novo modelo também representa desafios.

Empresas precisarão adaptar seus sistemas internos para integração com plataformas financeiras, registradoras e instituições participantes.

Organizações de maior porte deverão revisar processos relacionados à emissão, aceite e liquidação das duplicatas, enquanto fornecedores de tecnologia trabalham para garantir interoperabilidade entre diferentes sistemas.

Essa etapa de adaptação será fundamental para o funcionamento eficiente do novo ecossistema.

Impactos para a economia

A digitalização das duplicatas faz parte de um movimento mais amplo de modernização da infraestrutura financeira brasileira.

Assim como ocorreu com sistemas eletrônicos de pagamentos e registro de ativos financeiros, a expectativa é aumentar a eficiência das operações, reduzir custos administrativos e ampliar a segurança das transações.

Especialistas também avaliam que a maior circulação de recebíveis poderá facilitar investimentos, fortalecer o capital de giro das empresas e ampliar o acesso ao financiamento produtivo.

Embora os efeitos completos dependam da adoção gradual do sistema e da adaptação dos participantes do mercado, a expectativa é que a duplicata escritural represente uma mudança estrutural na forma como empresas utilizam seus recebíveis para obter crédito.

Se os resultados esperados forem alcançados, o novo modelo poderá contribuir para um ambiente financeiro mais competitivo, transparente e eficiente, favorecendo tanto empresas quanto instituições que atuam no mercado de crédito.

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Carolina Gandra

Carolina Gandra é Jornalista e Redatora do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.