Selic cai para 14,75% e Banco Central mantém cautela com cenário externo
Alta do petróleo e inflação influenciam decisão mais moderada
Foto: Adriano Machado/Reuters
O Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (18), reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, marcando o primeiro corte desde maio de 2024.
A decisão foi tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), em Brasília, e ocorre em meio a um cenário de maior incerteza global, com pressão sobre a inflação e mudanças nas expectativas do mercado.
A redução acontece após meses de manutenção dos juros em patamar elevado. Até recentemente, parte do mercado esperava um corte maior, de 0,50 ponto percentual, mas o avanço dos preços do petróleo e os riscos externos levaram a uma postura mais cautelosa por parte da autoridade monetária.
Cenário externo influencia decisão
O ambiente internacional teve peso importante na decisão. A alta recente do petróleo, que saiu da faixa de US$ 70 para níveis próximos ou acima de US$ 100 por barril, aumentou as preocupações com a inflação global e seus efeitos sobre a economia brasileira.
Além disso, as tensões geopolíticas e a incerteza sobre os próximos passos da política monetária nos Estados Unidos contribuíram para reduzir o espaço para cortes mais agressivos na taxa básica de juros.
Juro real segue elevado
Mesmo com a redução da Selic, o Brasil continua entre os países com juros reais mais altos do mundo. Com a nova taxa, o juro real ficou em torno de 9,5%, mantendo o país na segunda posição em um ranking que considera as maiores economias globais.
O juro real leva em conta a diferença entre a taxa de juros e a inflação projetada, sendo um dos principais indicadores observados por investidores para avaliar o retorno de aplicações financeiras.
Impactos para economia e mercado
Na prática, a queda da Selic tende a reduzir o custo do crédito ao longo do tempo, estimulando consumo e investimentos. No entanto, o ritmo mais lento de cortes indica que o processo deve ser gradual, especialmente diante das incertezas no cenário internacional.
Para o mercado financeiro, a decisão reforça a expectativa de um ciclo de afrouxamento monetário mais moderado em 2026. Investidores devem continuar atentos aos dados de inflação, atividade econômica e ao comportamento dos preços das commodities.
A sinalização do Banco Central é de cautela, indicando que novos cortes podem ocorrer, mas dependerão da evolução do cenário econômico, tanto no Brasil quanto no exterior.
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