Boletim Focus reduz projeção de inflação para 3,91% em 2026 pela 7ª semana seguida
Inflação recua pela 7ª semana no Focus; mercado projeta Selic a 12,13%, PIB de 1,82% e dólar a R$ 5,45. Veja os detalhes do Boletim Focus da última semana de fevereiro
Foto: AdobeStock
O Banco Central do Brasil divulgou nesta segunda-feira (23) o Boletim Focus, indicando nova redução nas expectativas de inflação para 2026. Segundo a pesquisa, que reúne projeções de mais de 100 instituições financeiras, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou de 3,95% para 3,91%, marcando a sétima queda consecutiva.
Inflação segue convergindo para a meta
Caso a projeção se confirme, a inflação ficará abaixo dos 4,26% registrados em 2025 e dentro do regime de meta contínua, que estabelece objetivo de 3% ao ano, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. O movimento reforça a percepção de que o processo de desinflação segue em curso, ainda que de forma gradual.
Para os anos seguintes, as estimativas permanecem estáveis:
- 2027: 3,80%
- 2028: 3,50%
- 2029: 3,50%
Selic segue alta, mas em trajetória de queda
Mesmo com a inflação cedendo, o mercado projeta que a taxa básica de juros continuará em patamar elevado ao longo de 2026. A expectativa para a Selic ao fim do ano recuou levemente de 12,25% para 12,13% ao ano.
Para os anos seguintes, as projeções foram mantidas:
- 2027: 10,50%
- 2028: 10,00%
A manutenção de juros altos reflete a cautela do mercado diante de incertezas fiscais e externas, além da necessidade de consolidar a convergência da inflação à meta.
Crescimento do PIB tem leve melhora
O relatório também trouxe uma pequena revisão positiva para a atividade econômica. A expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 subiu de 1,80% para 1,82%.
Para 2027, a projeção foi mantida em 1,80%, indicando um cenário de expansão moderada da economia brasileira, ainda limitada por condições financeiras restritivas.
Dólar recua mesmo em ano eleitoral
Outro destaque do Focus foi a revisão para baixo na expectativa de câmbio. O mercado passou a projetar o dólar a R$ 5,45 no fim de 2026, ante R$ 5,50 na semana anterior.
A queda ocorre mesmo em um contexto de ano eleitoral, que tradicionalmente aumenta a volatilidade cambial. O movimento reflete, em parte, o diferencial de juros favorável ao Brasil e o desempenho recente da moeda, que já havia recuado mais de 11% em 2025.
Para 2027, a projeção foi mantida em R$ 5,50.
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Leitura do cenário: inflação controlada e economia moderada
Os dados do Boletim Focus reforçam um cenário de desinflação gradual, juros ainda elevados e crescimento econômico moderado. A combinação sugere que o Banco Central deve manter uma postura cautelosa na condução da política monetária ao longo de 2026.
Para investidores, o ambiente indica continuidade de oportunidades em renda fixa, ao mesmo tempo em que a melhora das expectativas de inflação pode abrir espaço para uma redução mais consistente dos juros no médio prazo.
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