Banco Central aponta R$ 10,6 bi em dinheiro esquecido; veja como consultar valores a receber

Recursos esquecidos em bancos podem reforçar programa de renegociação de dívidas e ainda podem ser resgatados pelos correntistas

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Última atualização:  12 de maio, 2026 às 10:31
Pessoa segurando notas de R$ 100 em notícia sobre dinheiro esquecido e consulta de valores a receber no BC Foto: Envato Elements

O Banco Central informou nesta terça-feira (12) que ainda existem R$ 10,57 bilhões em dinheiro esquecido por clientes em instituições financeiras do país.

Os valores, registrados até março de 2026, pertencem a pessoas físicas e empresas e podem ser consultados pelo Sistema de Valores a Receber (SVR). Parte desses recursos deverá ser transferida pelos bancos ao governo federal para ajudar no programa Desenrola 2.0, voltado à renegociação de dívidas.

Segundo o balanço divulgado pelo BC, cerca de R$ 8,13 bilhões pertencem a 45,3 milhões de pessoas físicas. Outros R$ 2,43 bilhões estão vinculados a mais de 5 milhões de empresas. Desde a criação do sistema, o Banco Central já devolveu R$ 14,55 bilhões aos titulares.

A medida ocorre em meio ao plano do governo federal de utilizar entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões desses recursos não resgatados para reforçar o Fundo Garantidor de Operações (FGO), mecanismo que dará suporte financeiro ao Desenrola 2.0.

A proposta é ampliar as garantias oferecidas aos bancos para facilitar renegociações de dívidas de famílias endividadas.

Como o governo pretende usar os recursos

As instituições financeiras tinham prazo até esta terça-feira (12) para transferir parte dos valores ao fundo público definido pelo governo. O dinheiro será utilizado como garantia para operações de crédito realizadas dentro do Desenrola 2.0.

De acordo com o Ministério da Fazenda, os recursos continuarão disponíveis para devolução aos correntistas que comprovarem direito aos valores. O governo informou que 10% do montante transferido permanecerá reservado justamente para cobrir eventuais pedidos de resgate.

A equipe econômica argumenta que os valores atualmente parados nas instituições financeiras poderão ter função econômica mais ampla ao apoiar renegociações de dívidas e reduzir riscos para o sistema financeiro.

Após a transferência, o Ministério da Fazenda deverá publicar um edital de chamamento público no Diário Oficial da União. O documento abrirá prazo de 30 dias para que pessoas e empresas contestem a transferência e solicitem a devolução do dinheiro.

Caso o pedido seja apresentado dentro do prazo, o valor retornará ao banco responsável, que terá até 15 dias úteis para devolver os recursos ao titular. O montante será corrigido pelo IPCA-15.

O que é o dinheiro esquecido

O chamado “dinheiro esquecido” reúne valores deixados em contas bancárias encerradas, tarifas cobradas indevidamente, cotas de cooperativas, recursos de consórcios e outros saldos que não foram resgatados pelos clientes.

O sistema criado pelo Banco Central permite que pessoas físicas, empresas e até herdeiros consultem gratuitamente se existem valores disponíveis em seu nome.

Entre os principais casos estão:

  • contas correntes ou poupanças encerradas com saldo disponível;
  • tarifas cobradas indevidamente pelas instituições;
  • recursos de consórcios não resgatados;
  • parcelas ou sobras de cooperativas de crédito;
  • valores vinculados a pessoas falecidas.

Segundo o BC, o sistema segue funcionando normalmente e os correntistas continuam podendo pedir a devolução dos recursos.

Como consultar os valores a receber

A consulta deve ser feita exclusivamente pela plataforma oficial do Banco Central. O acesso exige conta gov.br nos níveis prata ou ouro.

Para receber os recursos automaticamente, o cidadão precisa cadastrar uma chave PIX vinculada ao CPF. Quem não tiver chave cadastrada pode entrar em contato diretamente com a instituição financeira para combinar outra forma de pagamento.

Desde o ano passado, o Banco Central também disponibilizou uma função de solicitação automática de resgate. Com ela, o usuário não precisa acessar o sistema repetidamente para verificar novos valores disponíveis.

Para ativar o recurso automático, é necessário:

  • possuir conta gov.br prata ou ouro;
  • ativar a verificação em duas etapas;
  • ter chave PIX do tipo CPF cadastrada;
  • acessar o Sistema Valores a Receber.

O Banco Central reforça que não envia mensagens, links ou faz ligações pedindo dados pessoais para liberar valores. O órgão alerta para tentativas de golpe envolvendo o tema.

Segurança foi reforçada em 2026

Em fevereiro deste ano, o BC implementou novas camadas de segurança no acesso ao sistema. Agora, além do login gov.br, os usuários precisam utilizar autenticação em duas etapas.

O processo inclui validação pelo aplicativo oficial do gov.br e geração de código temporário para acesso ao sistema. A medida foi adotada após aumento nas tentativas de fraude envolvendo consultas de valores a receber.

A expectativa do governo é que a combinação entre devolução de recursos, renegociação de dívidas e fortalecimento do crédito ajude a reduzir a inadimplência ao longo de 2026.

Apesar disso, especialistas destacam que os correntistas continuam com direito de solicitar os valores eventualmente transferidos ao fundo do Desenrola, desde que respeitem os prazos previstos no edital de chamamento.

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Dúvidas frequentes sobre valores a receber

Como consultar se tenho dinheiro esquecido nos bancos?

A consulta pode ser feita gratuitamente pelo sistema oficial do Banco Central, na plataforma de valores a receber. Basta informar CPF ou CNPJ e acessar com conta gov.br nível prata ou ouro.

Quem pode resgatar valores a receber?

Pessoas físicas, empresas e até herdeiros de pessoas falecidas podem solicitar o resgate. No caso de falecidos, é necessário comprovar vínculo como herdeiro, inventariante ou representante legal.

O que acontece se o dinheiro esquecido não for resgatado?

Parte dos recursos poderá ser transferida para um fundo ligado ao programa Desenrola 2.0. Mesmo assim, o governo prevê prazo para contestação e pedido de devolução dos valores pelos correntistas.

Carolina Gandra

Carolina Gandra é Jornalista e Redatora do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.