IPCA-15 sobe 0,89% em abril e reforça pressão de alimentos e combustíveis na inflação

Dados do IBGE mostram aceleração frente a março e reforçam cenário de pressão nos preços essenciais

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Última atualização:  28 de abr, 2026 às 13:39
Impacto do setor de alimentos e combustíveis na inflação. Imagem: Envato Elements (Montagem: MI)

O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial do país, registrou alta de 0,89% em abril de 2026, segundo dados divulgados nesta terça-feira (28) pelo IBGE. No acumulado de 12 meses, o índice avançou 4,37%, permanecendo próximo das projeções do mercado, embora ainda acima do centro da meta de inflação.

O resultado indica uma aceleração relevante em relação a abril de 2025, quando o índice havia subido 0,43%. Na comparação com março deste ano, também há sinal de pressão mais intensa sobre os preços, especialmente em itens essenciais do dia a dia.

Alimentação pesa mais uma vez no bolso do consumidor

O principal vetor da alta foi o grupo Alimentação e Bebidas, que subiu 1,46% no mês e respondeu sozinho por 0,31 ponto percentual do índice geral. Dentro desse grupo, a alimentação no domicílio teve destaque, com avanço de 1,77%, acelerando em relação ao mês anterior.

Produtos básicos apresentaram aumentos expressivos, o que ajuda a explicar a percepção de inflação mais alta entre as famílias. Entre os principais destaques estão:

  • Cenoura: +25,43%
  • Cebola: +16,54%
  • Leite longa vida: +16,33%
  • Tomate: +13,76%
  • Carnes: +1,14%

Além disso, a alimentação fora de casa também ficou mais cara, com alta de 0,70%. O aumento foi puxado tanto pelos lanches quanto pelas refeições, refletindo repasses de custos ao consumidor final.

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Combustíveis disparam e puxam transportes

O grupo Transportes foi o segundo maior impacto no índice, com alta de 1,34% e contribuição de 0,27 ponto percentual. O principal responsável foi o aumento dos combustíveis, que saíram de leve queda em março para uma forte alta em abril.

A gasolina teve papel central, com avanço de 6,23%, sendo o maior impacto individual no índice. Outros combustíveis também subiram:

  • Óleo diesel: +16%
  • Etanol: +2,17%
  • Gás veicular: -1,55%

Esse movimento está diretamente ligado ao cenário internacional, especialmente à alta do petróleo, que vem sendo pressionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Por outro lado, nem todos os itens de transporte subiram. As passagens aéreas registraram queda expressiva de 14,32%, após forte alta no mês anterior, ajudando a conter parcialmente o avanço do grupo.

Saúde, energia e serviços também sobem

Outros grupos importantes também contribuíram para a alta da inflação. Em Saúde e cuidados pessoais, a variação foi de 0,93%, influenciada principalmente pelo reajuste autorizado nos preços de medicamentos, além do aumento nos itens de higiene pessoal.

Já o grupo Habitação acelerou de 0,24% em março para 0,42% em abril, com destaque para a energia elétrica residencial, que subiu 0,68%. O aumento reflete reajustes tarifários aplicados em algumas regiões, especialmente no Rio de Janeiro.

O que o resultado indica para a economia

A alta do IPCA-15 reforça um cenário de inflação ainda pressionada no curto prazo, especialmente em itens essenciais como alimentos e combustíveis — que têm impacto direto no orçamento das famílias.

Mesmo com o índice vindo próximo das expectativas, o comportamento recente dos preços acende um alerta para o mercado e para o Banco Central do Brasil, que monitora a inflação para definir a trajetória da taxa de juros.

Além disso, fatores externos continuam no radar, como a volatilidade do petróleo e as incertezas no cenário internacional, que podem manter a inflação elevada nos próximos meses.

Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.