Déficit do setor público sobe para R$ 56,1 bilhões e dívida bruta alcança 81,1% do PIB
Dados do Banco Central mostram piora das contas públicas em maio, com avanço da dívida e resultado acima das expectativas do mercado.
Imagem: Reprodução via UOL.
O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 56,1 bilhões em maio de 2026, segundo dados divulgados nesta terça-feira (30) pelo Banco Central. O resultado representa uma alta de 66,3% em relação ao déficit de R$ 33,7 bilhões apurado no mesmo mês de 2025.
O setor público consolidado reúne as contas da União, dos estados, dos municípios e das empresas estatais. O desempenho de maio ficou acima das expectativas do mercado e reforçou as preocupações dos investidores com a trajetória das contas públicas brasileiras.
O Banco Central informou ainda que a Dívida Bruta do Governo Geral alcançou 81,1% do PIB em maio, o equivalente a aproximadamente R$ 10,6 trilhões. O indicador apresentou avanço de 0,9 ponto percentual em relação a abril, quando correspondia a 80,2% do PIB. Já a dívida líquida do setor público passou de 67,2% para 67,9% do PIB no mesmo período.
Resultado por segmento
Entre os entes que compõem o setor público, o governo central respondeu pela maior parcela do resultado negativo. Confira o desempenho de cada segmento em maio:
| Segmento | Resultado em maio de 2026 |
|---|---|
| Governo central | Déficit de R$ 55,2 bilhões |
| Governos regionais (estados e municípios) | Déficit de R$ 1,2 bilhão |
| Empresas estatais | Superávit de R$ 273 milhões |
No acumulado de 12 meses, o déficit do setor público chegou a R$ 149 bilhões, equivalente a 1,14% do Produto Interno Bruto (PIB).
Indicador do FMI mostra endividamento ainda maior
Pela metodologia utilizada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), o endividamento brasileiro é ainda mais elevado.
Nesse critério, que considera todos os títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, inclusive aqueles mantidos na carteira do Banco Central, a dívida bruta subiu para 94,3% do PIB em maio, frente aos 92,9% registrados no mês anterior.
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Mercado acompanha impacto sobre os juros
Especialistas avaliam que o avanço do déficit e da dívida pública tende a manter elevada a percepção de risco fiscal do país. Como consequência, investidores costumam exigir remunerações maiores para financiar o governo, pressionando a curva de juros e elevando o custo do crédito para empresas e consumidores.
Além disso, o nível de endividamento brasileiro permanece acima da média projetada pelo FMI para as economias emergentes e em desenvolvimento em 2026, estimada em 77,2% do PIB.
Na avaliação do mercado, a evolução das contas públicas continuará sendo um dos principais fatores monitorados nas próximas decisões de política monetária e nas expectativas para a economia brasileira.