Braskem (BRKM5) lucra mais de R$ 1,4 bi no 1T26, mas mercado vê recuperação frágil e ação oscila
A Braskem teve lucro líquido de R$ 1,45 bilhão no primeiro trimestre de 2026.
Imagem: Divulgação
A Braskem (BRKM5) registrou um forte avanço no lucro do primeiro trimestre de 2026, mas veio acompanhada de sinais mistos que aumentaram a volatilidade das ações e reforçaram a cautela dos investidores. Apesar de o resultado líquido ter mais que dobrado na comparação anual, a performance operacional ficou abaixo do esperado e a elevada alavancagem segue no centro das preocupações.
O balanço foi divulgado referente ao período de janeiro a março de 2026, com impacto direto nos papéis da companhia na B3, que oscilaram entre alta e queda no mesmo pregão. O mercado reagiu de forma instável devido ao contraste entre lucro contábil forte e indicadores operacionais mais fracos.
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A Braskem mostrou um lucro líquido de R$ 1,45 bilhão, crescimento de 107% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço, no entanto, não foi suficiente para sustentar otimismo consistente entre analistas.
O Ebitda recorrente da companhia ficou em R$ 1,01 bilhão, uma queda de 24% na base anual, enquanto a receita líquida caiu 20%, para R$ 15,49 bilhões. Esses números ficaram abaixo das expectativas do mercado, que projetava Ebitda próximo de R$ 1,18 bilhão.
O resultado evidencia que a melhora no lucro não veio acompanhada de uma recuperação sólida da operação principal da petroquímica, o que limita a leitura positiva do balanço.
Onde e como a Braskem teve desempenho no trimestre
A análise regional ajuda a entender o comportamento do resultado:
- Brasil: apresentou recuperação relevante do Ebitda, impulsionado por créditos fiscais e melhora nos spreads de resinas.
- Estados Unidos e Europa: voltaram ao campo positivo, com leve recuperação operacional e aumento de volumes.
- México: foi o principal ponto de pressão, com queda na utilização das plantas devido à redução no fornecimento de etano e restrições financeiras da operação local.
Esses fatores mostram que a recuperação da Braskem é desigual entre suas regiões, o que aumenta a incerteza sobre a consistência da retomada.
A pressão da alavancagem financeira
Um dos pontos mais sensíveis do balanço é a estrutura de capital da companhia. A alavancagem financeira chegou a 16,81 vezes medida em dólar, quase o dobro do nível registrado um ano antes.
Esse aumento da dívida em relação à geração de caixa reforça o risco financeiro da empresa e limita sua capacidade de expansão ou distribuição de valor aos acionistas no curto prazo.
Além disso, parte do lucro líquido foi influenciado por ganhos cambiais não recorrentes, ligados à valorização do real frente ao dólar. Esse fator reduz a qualidade do resultado, já que não reflete diretamente a operação industrial.
Por que a ação da Braskem ficou volátil após o balanço
As ações da Braskem apresentaram forte volatilidade após a divulgação do resultado. Em alguns momentos, chegaram a subir mais de 2%, mas rapidamente inverteram o movimento e entraram em leilão com queda.
Esse comportamento ocorre em meio a um cenário já aquecido, após um rali expressivo nos dias anteriores. O mercado passou a realizar lucros enquanto avalia se a recuperação da companhia é sustentável.
Além disso, a percepção de risco aumenta devido à necessidade de reestruturação financeira e ao impacto limitado do resultado operacional.
Perspectivas para a Braskem em 2026
Apesar das preocupações, algumas casas de análise projetam melhora do cenário para os próximos trimestres. O Bradesco BBI avalia que o segundo trimestre de 2026 pode trazer forte recuperação do Ebitda, impulsionado por spreads petroquímicos mais favoráveis.
Em um cenário mais otimista, caso o ambiente global de preços se mantenha aquecido, o Ebitda anual da Braskem poderia superar US$ 2 bilhões em 2026.
No entanto, o próprio banco mantém recomendação de venda, destacando que a companhia ainda precisa avançar em sua reestruturação de capital para reduzir riscos de diluição aos acionistas.