Braskem (BRKM5) despenca 10% após prejuízo bilionário no 4T25 e acende alerta
Resultado do 4T25 reforça cautela do mercado com caixa e dívida
Foto: Divulgação
Braskem (BRKM5) registrou forte queda nas ações nesta quinta-feira (26), na B3, após divulgar prejuízo bilionário no quarto trimestre de 2025. Os papéis chegaram a cair mais de 10% durante o pregão, refletindo a reação negativa do mercado aos resultados financeiros e às perspectivas ainda desafiadoras para a companhia.
O movimento ocorreu após a empresa reportar prejuízo líquido de R$ 10,28 bilhões no período, mais que o dobro das perdas registradas um ano antes. Além disso, o resultado veio acompanhado de sinais de pressão sobre o caixa e a liquidez.
Investidores reagiram principalmente à combinação de desempenho operacional fraco e incertezas sobre a capacidade de recuperação no curto prazo.
Prejuízo elevado e receita menor pressionam percepção
No balanço, a companhia apresentou prejuízo expressivo no quarto trimestre, com forte aumento em relação ao mesmo período de 2024, quando havia registrado perdas de R$ 5,65 bilhões.
A receita líquida somou R$ 16,10 bilhões, uma queda de 16% na comparação anual, refletindo menor volume de vendas e um ambiente ainda desfavorável para o setor petroquímico.
Apesar de uma leve melhora no Ebitda recorrente, que ficou em R$ 589 milhões, alta de 6% em relação ao ano anterior, o resultado não foi suficiente para compensar a queda na receita e os impactos negativos vindos dos custos e do cenário global.
Analistas apontam que o desempenho segue afetado pelo ciclo de baixa da indústria, com margens comprimidas e menor demanda por produtos químicos e resinas.
Liquidez segue no radar dos investidores
Outro ponto de atenção é a situação financeira da empresa. Mesmo com aumento no caixa, que atingiu cerca de US$ 2,1 bilhões no trimestre, especialistas destacam que a liquidez permanece apertada.
Isso ocorre principalmente diante de compromissos relevantes de dívida, com cerca de US$ 1,5 bilhão em vencimentos previstos para 2026, o que mantém a pressão sobre a estrutura de capital.
Relatórios de bancos e casas de análise indicam que a empresa ainda enfrenta desafios para equilibrar geração de caixa e endividamento.
Há também preocupação com possíveis medidas de reestruturação, que podem incluir captação de recursos ou mudanças na estrutura de capital, com potencial impacto para acionistas.
Cenário externo e setor limitam recuperação
O ambiente global também pesa sobre as perspectivas da Braskem. O setor petroquímico atravessa um período de baixa, com spreads reduzidos e custos elevados, especialmente na América do Norte.
Por outro lado, algumas operações internacionais mostram sinais de melhora, mas ainda insuficientes para mudar o quadro geral. Além disso, fatores como preços de matérias-primas e demanda global seguem influenciando diretamente os resultados da companhia.
O que dizem os analistas
De forma geral, analistas mantêm postura cautelosa em relação ao papel. A avaliação predominante é de que, embora haja possíveis gatilhos positivos no médio prazo, o cenário atual ainda exige atenção, principalmente em relação à alavancagem e à geração de caixa.
A recomendação mais comum segue neutra, com investidores aguardando sinais mais claros de recuperação operacional e financeira antes de uma mudança mais consistente no sentimento de mercado.
Veja mais notícias do Mercado e acompanhe os principais movimentos que impactam seus investimentos.