Ex-estudantes do Fies podem obter crédito de até R$ 180 mil no Fies Empreendedor
Nova linha de crédito oferece até R$ 180 mil para ex-alunos do Fies que mantêm o financiamento em dia e desejam empreender.
Foto: Reprodução/Sebrae
O governo federal lançou hoje, 29 de junho, o Fies Empreendedor 2026, uma linha de crédito destinada a graduados que mantêm o financiamento estudantil em dia. A taxa é de 11% ao ano, 0,87% ao mês, com limite de R$ 180 mil para pessoas jurídicas e R$ 80 mil para pessoas físicas. O programa faz parte de um pacote de R$ 4 bilhões anunciado pelo Ministério da Fazenda junto com o Desenrola Adimplentes.
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Entenda a nova linha de crédito para ex-alunos do Fies
O Fies Empreendedor é uma linha de crédito voltada a ex-estudantes que financiaram a graduação pelo Fies e estão adimplentes no período de amortização. O objetivo é facilitar o empreendedorismo entre jovens que concluíram o ensino superior com apoio do governo, mas que enfrentam dificuldades de acesso a capital para começar ou expandir um negócio.
Portanto, podem aderir estudantes que quitaram o Fies ou que estejam em dia com as parcelas durante a fase de amortização. Segundo o Ministério da Educação, o programa vai beneficiar cerca de 100 mil estudantes. Além disso, o ministro Leonardo Barchini destacou que a iniciativa vai atender principalmente jovens negros, indígenas, quilombolas e moradores de periferias que cursaram o ensino superior pelo Fies.
Regras e condições do Fies Empreendedor 2026
Em resumo, as condições do programa são as seguintes:
- Taxa de juros: 11% ao ano (0,87% ao mês), a mais baixa entre as linhas subsidiadas do país, segundo o governo
- Limite para Pessoa Jurídica (PJ): até R$ 180.000
- Limite para Pessoa Física (PF): até R$ 80.000
- Público: ex-estudantes do Fies adimplentes no período de amortização
- Recurso total: R$ 1 bilhão do Tesouro Nacional
Além disso, os R$ 1 bilhão destinados ao programa serão usados para financiar a nova linha de crédito. O risco das operações fica com as instituições financeiras participantes, assim como no Desenrola Adimplentes.
Restrição às bets é uma das exigências para acessar o crédito
Contudo, há um detalhe importante no pacote que merece atenção: como contrapartida para acessar o crédito, novos beneficiários ficam impedidos de acessar plataformas de apostas online por seis meses. No caso do Desenrola Inadimplentes, lançado em maio, essa restrição é de um ano.
Consequentemente, quem aderir ao Fies Empreendedor não poderá usar bets durante o período de restrição. O governo entende que essa medida protege o beneficiário de usar o crédito subsidiado para financiar apostas, preservando o objetivo do programa.
Desenrola Adimplentes: as regras do outro programa do pacote
Nesse contexto, o governo lançou também o Desenrola Adimplentes, com R$ 3 bilhões do Tesouro para trabalhadores informais com operações de crédito pessoal de até R$ 15 mil. As regras principais são:
- Taxa máxima: 1,99% ao mês
- Prazo: o remanescente da dívida original, com ampliação de até 6 meses
- Elegibilidade: quitou pelo menos 4 parcelas e está em dia ou com atraso máximo de 90 dias
- Crédito adicional: possibilidade de novo crédito de até 50% do saldo devedor original
- Garantia: FGO de 50% nas primeiras perdas, com 100% de cobertura por operação
Por enquanto, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil já sinalizaram adesão. A expectativa do governo é beneficiar entre 200 mil e 500 mil trabalhadores. Para saber mais sobre o programa anterior, veja nosso artigo sobre o Desenrola dos Adimplentes 2026.
O que o pacote significa para o mercado financeiro
Afinal, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que os R$ 4 bilhões são operações financeiras reembolsáveis e não impactam o resultado primário das contas públicas. Aliás, o governo argumenta que os programas substituem empréstimos existentes por crédito mais barato, sem adicionar pressão inflacionária líquida.
Assim, para o mercado financeiro, o pacote é relevante por dois motivos. Primeiro, porque amplia o crédito para um público historicamente mal atendido, informais e jovens empreendedores, o que pode impulsionar o consumo e o PIB. Segundo, porque o modelo de garantia via FGO reduz o risco para os bancos parceiros, tornando a adesão mais atraente. O contexto é favorável: o Copom de julho de 2026 deve manter o ritmo de corte de juros, o que tende a ampliar ainda mais o apetite por crédito.