Tesouro Direto volta a subir após ata do Copom e aversão ao risco global
Taxas dos títulos públicos avançam nesta terça-feira, enquanto investidores avaliam sinais do Banco Central e cenário externo mais turbulento.
Foto: Divulgação/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
As taxas do Tesouro Direto voltaram a registrar alta nesta terça-feira (23), refletindo a cautela dos investidores diante do cenário internacional e da repercussão da ata da mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). As informações foram divulgadas pela Bloomberg.
Após um breve alívio observado na curva de juros brasileira com o cancelamento de um leilão de títulos atrelados à inflação, o movimento perdeu força. O mercado voltou a exigir retornos maiores dos títulos públicos, acompanhando o aumento da aversão ao risco nos mercados globais.
O destaque ficou para o Tesouro IPCA+ 2032, que voltou a oferecer juros reais acima de 8,5% ao ano. Na sessão anterior, o papel havia recuado para 8,44%. Já o Tesouro IPCA+ com juros semestrais e vencimento em 2037 também apresentou avanço, aproximando-se novamente do patamar de 8% ao ano.
Taxas e rentabilidades dos títulos do Tesouro
| Título | Rendimento Anual | Invest. Mín. | Preço Unit. | Vencimento |
|---|---|---|---|---|
| Tesouro Reserva 2036 | SELIC | R$ 1,00 | R$ 10.656,61 | 01/01/2036 |
| Tesouro Selic 2031 | SELIC + 0,0743% | R$ 192,16 | R$ 19.216,94 | 01/03/2031 |
| Tesouro Prefixado 2029 | 14,69% | R$ 7,09 | R$ 709,49 | 01/01/2029 |
| Tesouro Prefixado 2032 | 14,74% | R$ 4,69 | R$ 469,93 | 01/01/2032 |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 | 14,59% | R$ 8,16 | R$ 816,42 | 01/01/2037 |
| Tesouro IPCA+ 2032 | IPCA + 8,48% | R$ 28,80 | R$ 2.880,36 | 15/08/2032 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037 | IPCA + 7,89% | R$ 41,52 | R$ 4.152,78 | 15/05/2037 |
| Tesouro IPCA+ 2040 | IPCA + 7,58% | R$ 16,94 | R$ 1.694,69 | 15/08/2040 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045 | IPCA + 7,61% | R$ 40,44 | R$ 4.044,98 | 15/05/2045 |
| Tesouro IPCA+ 2050 | IPCA + 7,22% | R$ 8,89 | R$ 889,14 | 15/08/2050 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060 | IPCA + 7,42% | R$ 40,42 | R$ 4.042,09 | 15/08/2060 |
Tesouro Direto acompanha alta dos juros futuros
Os títulos prefixados também registraram valorização das taxas. Os papéis com vencimento em 2029 e 2031 passaram a oferecer rentabilidade de aproximadamente 14,83% ao ano, refletindo as expectativas do mercado para a trajetória da Selic, atualmente em 14,25%.
O movimento ocorre em meio às discussões sobre a decisão do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual. Investidores buscam compreender melhor os próximos passos da autoridade monetária e os impactos sobre a inflação.
Leia também:
Ata do Copom gera debates entre analistas
A divulgação da ata do Copom trouxe mais detalhes sobre a decisão recente do Banco Central e provocou diferentes interpretações no mercado financeiro.
Segundo avaliação de Alberto Ramos, diretor de macroeconomia do Goldman Sachs, o documento sugere que o Copom estaria disposto a conviver com uma inflação acima da meta durante parte do horizonte relevante da política monetária.
Na visão do economista, uma postura mais agressiva nos juros poderia levar a uma inflação menor até o fim de 2027. No entanto, o Banco Central considera que essa estratégia poderia gerar volatilidade excessiva nos preços dos ativos financeiros e na atividade econômica.
Queda das bolsas nos EUA aumenta cautela dos investidores
Além dos fatores domésticos, o ambiente externo também contribuiu para a pressão sobre os juros brasileiros. As bolsas norte-americanas abriram em forte queda após uma onda de vendas atingir empresas ligadas ao setor de tecnologia e inteligência artificial.
O índice Nasdaq chegou a recuar 2,4%, enquanto o S&P 500 e o Dow Jones registraram perdas de cerca de 1,6%. O movimento foi impulsionado por preocupações dos investidores sobre a sustentabilidade da forte valorização recente das empresas relacionadas ao segmento de chips e inteligência artificial.
Diante desse cenário, investidores passaram a buscar maior proteção, o que aumentou a pressão sobre os ativos de renda fixa e contribuiu para a alta das taxas do Tesouro Direto.