Tesouro Direto volta a subir após ata do Copom e aversão ao risco global

Taxas dos títulos públicos avançam nesta terça-feira, enquanto investidores avaliam sinais do Banco Central e cenário externo mais turbulento.

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23 de jun, 2026 às 13:30
Decisão do Copom Foto: Divulgação/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

As taxas do Tesouro Direto voltaram a registrar alta nesta terça-feira (23), refletindo a cautela dos investidores diante do cenário internacional e da repercussão da ata da mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). As informações foram divulgadas pela Bloomberg.

Após um breve alívio observado na curva de juros brasileira com o cancelamento de um leilão de títulos atrelados à inflação, o movimento perdeu força. O mercado voltou a exigir retornos maiores dos títulos públicos, acompanhando o aumento da aversão ao risco nos mercados globais.

O destaque ficou para o Tesouro IPCA+ 2032, que voltou a oferecer juros reais acima de 8,5% ao ano. Na sessão anterior, o papel havia recuado para 8,44%. Já o Tesouro IPCA+ com juros semestrais e vencimento em 2037 também apresentou avanço, aproximando-se novamente do patamar de 8% ao ano.

Taxas e rentabilidades dos títulos do Tesouro

TítuloRendimento AnualInvest. Mín.Preço Unit.Vencimento
Tesouro Reserva 2036SELICR$ 1,00R$ 10.656,6101/01/2036
Tesouro Selic 2031SELIC + 0,0743%R$ 192,16R$ 19.216,9401/03/2031
Tesouro Prefixado 202914,69%R$ 7,09R$ 709,4901/01/2029
Tesouro Prefixado 203214,74%R$ 4,69R$ 469,9301/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203714,59%R$ 8,16R$ 816,4201/01/2037
Tesouro IPCA+ 2032IPCA + 8,48%R$ 28,80R$ 2.880,3615/08/2032
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037IPCA + 7,89%R$ 41,52R$ 4.152,7815/05/2037
Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,58%R$ 16,94R$ 1.694,6915/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,61%R$ 40,44R$ 4.044,9815/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 7,22%R$ 8,89R$ 889,1415/08/2050
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060IPCA + 7,42%R$ 40,42R$ 4.042,0915/08/2060
Terça-feira (23), às 12h41 (fonte: Tesouro Direto)

Tesouro Direto acompanha alta dos juros futuros

Os títulos prefixados também registraram valorização das taxas. Os papéis com vencimento em 2029 e 2031 passaram a oferecer rentabilidade de aproximadamente 14,83% ao ano, refletindo as expectativas do mercado para a trajetória da Selic, atualmente em 14,25%.

O movimento ocorre em meio às discussões sobre a decisão do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual. Investidores buscam compreender melhor os próximos passos da autoridade monetária e os impactos sobre a inflação.

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Ata do Copom gera debates entre analistas

A divulgação da ata do Copom trouxe mais detalhes sobre a decisão recente do Banco Central e provocou diferentes interpretações no mercado financeiro.

Segundo avaliação de Alberto Ramos, diretor de macroeconomia do Goldman Sachs, o documento sugere que o Copom estaria disposto a conviver com uma inflação acima da meta durante parte do horizonte relevante da política monetária.

Na visão do economista, uma postura mais agressiva nos juros poderia levar a uma inflação menor até o fim de 2027. No entanto, o Banco Central considera que essa estratégia poderia gerar volatilidade excessiva nos preços dos ativos financeiros e na atividade econômica.

Queda das bolsas nos EUA aumenta cautela dos investidores

Além dos fatores domésticos, o ambiente externo também contribuiu para a pressão sobre os juros brasileiros. As bolsas norte-americanas abriram em forte queda após uma onda de vendas atingir empresas ligadas ao setor de tecnologia e inteligência artificial.

O índice Nasdaq chegou a recuar 2,4%, enquanto o S&P 500 e o Dow Jones registraram perdas de cerca de 1,6%. O movimento foi impulsionado por preocupações dos investidores sobre a sustentabilidade da forte valorização recente das empresas relacionadas ao segmento de chips e inteligência artificial.

Diante desse cenário, investidores passaram a buscar maior proteção, o que aumentou a pressão sobre os ativos de renda fixa e contribuiu para a alta das taxas do Tesouro Direto.

Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.