PF deflagra Operação Miragem contra fraudes no Banco Digimais

A Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem para investigar um suposto esquema de fraudes no Banco Digimais.

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23 de jun, 2026 às 13:30
Operação da Polícia Federal Foto: Divulgação

A Operação Miragem da Polícia Federal foi deflagrada nesta terça-feira (23) em São Paulo para investigar um suposto esquema de fraudes no sistema financeiro envolvendo o Banco Digimais. A ação resultou no bloqueio de até R$ 670 milhões em bens e valores de investigados, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão em diferentes endereços ligados ao banco e a empresas associadas.

A investigação mira possíveis irregularidades na gestão da instituição, incluindo manipulação de balanços contábeis, operações de crédito consideradas irregulares e ocultação da real situação financeira do banco. Segundo a PF, o objetivo do esquema seria manter a aparência de solidez econômica diante de órgãos reguladores e do mercado.

A operação ocorre em um momento de atenção do sistema financeiro brasileiro, especialmente em instituições digitais e bancos de médio porte que vêm passando por reestruturações e mudanças de controle.

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Operação Miragem investiga fraude no sistema financeiro e manipulação de balanços

A Operação Miragem, nome central desta investigação, tem como foco apurar crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, especialmente gestão fraudulenta e inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis.

De acordo com a Polícia Federal, os investigadores identificaram indícios de que o grupo responsável pela administração do Banco Digimais teria realizado alterações sistemáticas em registros financeiros. Essas ações teriam permitido a supervalorização de ativos e a geração artificial de receitas, em valores que podem chegar a centenas de milhões de reais.

O esquema também envolve suspeitas de operações financeiras realizadas de forma irregular em benefício da empresa controladora do banco, além de possíveis inconsistências em sistemas oficiais de registro regulatório.

As apurações tiveram como base relatórios do Banco Central do Brasil, que apontaram indícios de graves irregularidades na condução da instituição.

Mandados, bloqueios e investigados na Operação Miragem

Ao todo, mais de 50 policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão em São Paulo, atingindo 10 empresas e 8 pessoas físicas.

A Justiça Federal também autorizou o bloqueio e sequestro de bens e valores de até R$ 670.348.945,70. Além disso, foi determinado o afastamento de sigilos bancário e fiscal dos investigados.

Entre os nomes citados nas investigações está Edir Macedo, apontado como controlador da instituição financeira. No entanto, como reside fora do país, não houve pedido de busca e apreensão contra ele nesta fase.

A PF informou que os investigados poderão responder por crimes como:

  • Gestão fraudulenta
  • Inserção de dados falsos em documentos contábeis
  • Operações de crédito vedadas pela legislação financeira

O que é o Banco Digimais e como chegou ao centro da investigação

O Banco Digimais foi fundado em 1981, em Porto Alegre, inicialmente como Banco Renner. Ao longo dos anos, a instituição passou por diversas transformações, incluindo sua expansão para crédito ao consumidor e posterior reestruturação como banco múltiplo.

Em 2020, o banco adotou sua marca atual e passou a operar como banco digital, concentrando atividades principalmente no financiamento de veículos e produtos de crédito ao varejo, como CDBs e fundos distribuídos por parceiros.

Nos últimos anos, a instituição passou por mudanças relevantes de governança e estrutura societária. Em 2025, houve uma tentativa de venda do controle acionário que não foi concluída. Já em 2026, o BTG Pactual anunciou um acordo para aquisição do controle do banco, ainda sujeito à aprovação de órgãos reguladores como Banco Central e Cade.

O banco também enfrentou deterioração de sua percepção de risco no mercado. A agência Fitch rebaixou sua nota de crédito para “CCC(bra)”, indicando alto risco financeiro e menor capacidade de honrar compromissos.

Impactos e próximos passos da investigação

A Operação Miragem pode ter impactos relevantes no setor bancário, especialmente em instituições financeiras de médio porte e digitais, que vêm ampliando sua participação no mercado de crédito no Brasil.

A Polícia Federal segue analisando documentos, transações e registros contábeis para identificar a extensão das supostas irregularidades e possíveis beneficiários do esquema.

O desdobramento da operação também pode influenciar negociações em andamento, como a possível aquisição do banco pelo BTG Pactual, além de eventuais medidas adicionais de regulação e supervisão por parte do Banco Central.

A PF informou que as investigações continuam e que novas fases da operação não estão descartadas, dependendo da análise do material apreendido.