PF pede ao STF retirada de Daniel Vorcaro de cela especial após rejeição de nova delação

A Polícia Federal solicitou ao STF que Daniel Vorcaro deixe a cela especial onde está preso após a rejeição de sua segunda proposta de delação premiada.

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12 de jun, 2026 às 13:32
Fotografia em plano médio e ângulo de perfil três quartos de um homem sorrindo durante um evento. Ele tem pele clara, cabelos castanhos escuros penteados para trás e barba bem aparada. Veste um terno azul-escuro, camisa social branca e uma gravata azul clara com detalhes texturizados. Na parte inferior da imagem, aparece a ponta de um microfone azul, indicando que ele está dando uma entrevista. O fundo mostra um salão amplo e festivo com iluminação azulada, com várias pessoas sentadas a mesas e luzes difusas de velas, criando uma atmosfera de evento formal. Foto: Reprodução/ YouTube

O pedido da Polícia Federal para que Daniel Vorcaro deixe a cela especial onde está custodiado em Brasília abre um novo capítulo nas investigações que envolvem o controlador do Banco Master. A solicitação foi encaminhada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a rejeição da segunda proposta de colaboração premiada apresentada pela defesa do banqueiro. Segundo a corporação, o material entregue não trouxe informações inéditas nem provas capazes de ampliar as apurações já em andamento.

A medida coloca em discussão a permanência de Vorcaro na Superintendência da Polícia Federal, onde ele ocupa uma cela especial desde o início das negociações para um possível acordo de delação. O caso ganhou relevância devido ao alcance das investigações, que envolvem suspeitas de fraudes financeiras, corrupção e possíveis relações com agentes públicos.

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A Polícia Federal formalizou junto ao STF o pedido para que Daniel Vorcaro perca o benefício da cela especial após a rejeição de sua segunda tentativa de firmar um acordo de colaboração premiada.

Na avaliação dos investigadores, o conteúdo apresentado pela defesa não agregou elementos relevantes às investigações. Os relatos teriam repetido informações já conhecidas pelas autoridades e não foram acompanhados de provas que permitissem confirmar as alegações feitas pelo investigado.

Agora, caberá ao ministro André Mendonça decidir sobre o futuro da custódia do banqueiro. Entre as possibilidades estão a transferência para uma cela comum da própria Polícia Federal, o envio ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, ou até mesmo o retorno à Penitenciária Federal de Brasília.

Investigação já possui ampla base de provas

Um dos principais argumentos utilizados pela Polícia Federal para rejeitar a proposta está relacionado ao volume de informações já reunidas durante a investigação.

Os investigadores tiveram acesso a oito aparelhos celulares utilizados por Vorcaro, além de mensagens, documentos e outros materiais coletados ao longo das apurações. Segundo fontes ligadas ao caso, grande parte do conteúdo apresentado na nova proposta de colaboração já constava nos relatórios elaborados pelos órgãos responsáveis pela investigação.

De acordo com a avaliação da PF, os anexos entregues pela defesa não apresentaram fatos novos suficientes para justificar o avanço das negociações. O entendimento dos investigadores é que o material buscava explicar determinadas relações políticas e empresariais, mas sem trazer evidências concretas capazes de abrir novas linhas investigativas.

Nova delação menciona autoridades políticas

Embora tenha sido rejeitada, a segunda proposta de colaboração trouxe referências a figuras importantes da política nacional.

Entre os relatos apresentados estaria uma suposta negociação envolvendo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, relacionada a uma possível doação de R$ 20 milhões para uma candidatura ao Senado por Minas Gerais nas eleições de 2022.

A proposta também mencionaria o senador Ciro Nogueira. Segundo informações reveladas sobre o conteúdo da delação, foram citados supostos pagamentos mensais e benefícios concedidos ao parlamentar. Até o momento, as alegações não foram consideradas suficientes pela Polícia Federal para sustentar o avanço de um acordo de colaboração.

Histórico das negociações de colaboração

Daniel Vorcaro foi encaminhado inicialmente para a Penitenciária Federal de Brasília após sua segunda prisão, ocorrida em março. Poucos dias depois, teve início a negociação de um acordo de colaboração premiada.

Com a abertura das tratativas, o banqueiro foi autorizado a permanecer em uma cela especial na sede da Polícia Federal, onde passou a contar com acesso mais frequente aos seus advogados.

Em maio, após a rejeição da primeira proposta de delação, Vorcaro chegou a ser transferido para uma cela comum dentro da própria superintendência. A situação foi revertida posteriormente quando uma nova rodada de negociações foi iniciada.

A retomada das conversas ocorreu após mudanças na equipe de defesa, com a saída do advogado José Luis Oliveira Lima e a entrada do criminalista Sérgio Leonardo na condução do caso.

Banco Master permanece no centro das investigações

As investigações conduzidas pela Polícia Federal apontam Daniel Vorcaro como um dos principais alvos de um suposto esquema de fraudes financeiras e corrupção de agentes públicos.

Segundo as suspeitas apuradas pelas autoridades, as irregularidades teriam beneficiado o próprio banqueiro e o Banco Master, causando prejuízos a correntistas, investidores e fundos de previdência vinculados a estados e municípios.

Com a rejeição da segunda proposta de colaboração premiada, o processo entra em uma nova fase. Além da decisão sobre a manutenção ou não da cela especial, os investigadores seguem concentrados na análise do vasto conjunto de provas já reunidas para avançar nas apurações e definir os próximos passos do caso.