Daniel Vorcaro eleva proposta de delação para R$ 60 bilhões e tenta avançar em acordo com a PGR

O banqueiro Daniel Vorcaro aumentou para R$ 60 bilhões a proposta de devolução de recursos em uma possível delação premiada negociada com a Procuradoria-Geral da República.

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Última atualização:  22 de maio, 2026 às 10:46
Foto oficial de Daniel Vorcaro, empresário envolvido em desdobramentos de investigações da Polícia Federal em Brasília. Foto: Divulgação

O banqueiro Daniel Vorcaro aumentou de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões a proposta de devolução de recursos em uma possível delação premiada negociada com a Procuradoria-Geral da República. A movimentação ocorre após resistência da Polícia Federal em aceitar os termos iniciais apresentados pela defesa do empresário.

As negociações ganharam força nos últimos dias depois que a PGR sinalizou que ainda está disposta a manter conversas com os advogados de Vorcaro, apesar de a primeira versão da colaboração ter sido considerada insuficiente pelos investigadores. A avaliação das autoridades é de que o material entregue inicialmente não apresentou informações relevantes o bastante para justificar um acordo formal.

O caso envolve suspeitas relacionadas ao Banco Master, instituição financeira que entrou no centro das investigações conduzidas pela Polícia Federal. A tentativa de acordo busca reduzir danos financeiros e colaborar com informações que possam esclarecer o funcionamento do suposto esquema investigado.

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Daniel Vorcaro tenta reformular delação após rejeição inicial

A primeira proposta de delação apresentada por Daniel Vorcaro foi rejeitada pela Polícia Federal. Segundo investigadores, o conteúdo possuía omissões importantes e não atendia aos critérios exigidos para um acordo de colaboração premiada.

Mesmo diante da negativa da PF, a Procuradoria-Geral da República decidiu manter o canal de negociação aberto. Integrantes da defesa avaliam que existe espaço para avanço porque as tratativas começaram inicialmente com a equipe do procurador-geral Paulo Gonet antes da entrada efetiva da Polícia Federal nas discussões.

Agora, além do aumento para R$ 60 bilhões, a PGR também exige que toda a linha de depoimentos seja refeita. O objetivo é ampliar o detalhamento das informações, apresentar novos fatos e fortalecer a utilidade da colaboração para as investigações em andamento.

Nos bastidores, integrantes da Procuradoria afirmam que Vorcaro precisará demonstrar disposição concreta para colaborar com o Ministério Público. A percepção é que apenas ampliar o valor financeiro não será suficiente para garantir a aceitação do acordo.

PGR vê possível última oportunidade para acordo

Investigadores envolvidos no caso consideram que a negociação com a PGR pode representar a última oportunidade para Daniel Vorcaro fechar uma delação premiada.

Isso porque a Polícia Federal mantém resistência em relação ao conteúdo inicialmente apresentado. A continuidade das conversas com a Procuradoria ocorre em meio à avaliação de que ainda existe potencial para obtenção de informações relevantes sobre operações financeiras, movimentações internas e possíveis responsabilidades ligadas ao colapso do Banco Master.

O avanço das negociações também ocorre após a segunda prisão do banqueiro, episódio que aumentou a pressão sobre a defesa para buscar um entendimento com as autoridades.

A delação premiada é considerada estratégica em casos complexos porque permite aos investigadores acessar informações internas, identificar outros envolvidos e rastrear recursos financeiros eventualmente desviados.

Destino dos R$ 60 bilhões dependerá do STF

Caso o acordo seja concluído, a palavra final ficará nas mãos do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, responsável pela relatoria do caso.

Caberá ao magistrado homologar a colaboração premiada, analisar a legalidade do acordo e definir como os valores eventualmente devolvidos serão distribuídos entre os prejudicados.

Entre os principais interessados está o Fundo Garantidor de Créditos. A instituição privada, mantida pelos bancos para proteger investidores e correntistas em casos de quebra bancária, já desembolsou bilhões para ressarcir clientes afetados pela crise envolvendo o Banco Master.

Com isso, o FGC tenta recuperar parte dos recursos utilizados para cobrir os prejuízos causados pela situação da instituição financeira.

BRB também busca recuperar valores ligados ao Banco Master

Outro possível beneficiado em uma eventual divisão dos recursos é o Banco de Brasília. O banco foi impactado financeiramente após negociações envolvendo o Banco Master antes da intensificação da crise.

A definição sobre quanto cada instituição poderá receber dependerá da homologação do acordo e das decisões tomadas pelo Supremo Tribunal Federal em conjunto com a Procuradoria-Geral da República.

Além do FGC e do BRB, outros investidores e instituições que alegam prejuízos poderão ser incluídos entre os beneficiários dos valores recuperados.

Para especialistas, o caso pode se transformar em uma das maiores negociações financeiras já discutidas em acordos de colaboração no país, principalmente pelo montante bilionário envolvido e pelos possíveis desdobramentos no sistema financeiro nacional.