Banco Central define regras e prazos para exchanges de criptomoedas no Brasil

Novas regras para exchanges no Brasil prometem mais segurança, mas podem elevar custos e enxugar o mercado. Saiba mais no Melhor Investimento.

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Última atualização:  20 de fev, 2026 às 13:05
Novas regras do Banco Central para exchanges/corretoras de criptomoedas

O Banco Central do Brasil deu um passo decisivo na regulamentação do mercado de criptomoedas ao estabelecer regras e prazos para o funcionamento das chamadas sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais (SPSAVs), que incluem as exchanges de criptoativos.

A medida busca trazer mais segurança jurídica ao setor e proteger investidores, ao mesmo tempo em que impõe critérios mais rigorosos para a atuação dessas empresas no país.

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O que diz a nova regulamentação para criptomoedas no Brasil

Com as novas resoluções publicadas pela autoridade monetária, todas as plataformas que intermediam compra, venda, custódia ou transferência de criptomoedas precisarão de autorização formal para operar. O Banco Central definiu um prazo máximo de até três anos para analisar pedidos de empresas já em funcionamento e de até dois anos para novas companhias que desejam entrar no mercado.

Além disso, o processo de autorização será dividido em etapas. A primeira fase, com duração de até 360 dias, envolve a análise inicial das informações da empresa. Já a segunda etapa, que pode levar até 720 dias, exige documentação mais detalhada, incluindo comprovação de estrutura operacional, governança e controles internos.

Exigências para operar no Brasil

Para obter autorização, as exchanges precisarão atender a uma série de requisitos técnicos e regulatórios. Entre eles estão a comprovação de capital mínimo, mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro, políticas de segurança cibernética e sistemas de gestão de riscos. O objetivo, segundo o BC, é garantir que apenas instituições sólidas e confiáveis atuem no mercado brasileiro.

A regulamentação também busca evitar fraudes, golpes e falhas operacionais que já marcaram episódios recentes no setor global de criptoativos, aumentando a confiança dos investidores.

Brasil segue tendência global

A iniciativa do Banco Central acompanha um movimento internacional de maior regulação do mercado de criptoativos, com países buscando equilibrar inovação e segurança. No Brasil, o avanço das regras também dialoga com a crescente popularização de ativos digitais como o Bitcoin, que vem atraindo tanto investidores individuais quanto institucionais.

As empresas já em operação terão prazo para enviar a documentação necessária e se adequar às novas exigências. A partir disso, começa a contagem dos prazos para análise pelo Banco Central. A expectativa é que, com o novo marco regulatório, o mercado brasileiro de criptomoedas entre em uma fase mais madura, com maior previsibilidade e confiança para todos os participantes.

Especialista vê avanço, mas com ressalvas

Julia Santos, especialista em Ativos Digitais na InvestSmart XP e fundadora da Contadora Cripto.

Para Julia Santos, especialista em Ativos Digitais na InvestSmart XP e fundadora da Contadora Cripto, o movimento do Banco Central é positivo, mas não isento de desafios.

“Considero a nova regulamentação algo positivo, mas com ressalvas. De um lado, o Banco Central eleva as exigências para empresas que prestam serviços com criptomoedas, como capital mínimo, governança, segurança e auditoria, o que aumenta a proteção para o investidor e ajuda a tirar do jogo quem não tem estrutura mínima.”

Ela destaca, no entanto, que o aumento das exigências pode ter efeitos colaterais:

“Ao mesmo tempo, isso encarece a operação e aumenta a burocracia, o que naturalmente reduz espaço para novas entrantes menores, aumenta as taxas para os usuários e pode frear a inovação no Brasil.”

Regulação pode impulsionar crescimento mais “maduro”

Segundo Julia, o novo cenário pode fortalecer o mercado no longo prazo.

“Agora, o crescimento tende a ser mais ‘maduro’ do que explosivo. Regras claras e supervisão direta do Banco Central reduzem o risco de golpes e trazem mais confiança para o investidor tradicional.”

Ela ressalta que esse ambiente regulado pode destravar novos fluxos de capital:

“Isso é fundamental para destravar a entrada de capital institucional e para que bancos, corretoras e fintechs consigam oferecer produtos de cripto dentro de um ambiente regulado.”

No médio e longo prazo, a tendência é de consolidação:

“Menos plataformas, porém mais sólidas; mais produtos com ‘carimbo’ regulatório; e um investidor que passa a ver cripto como parte legítima da carteira.”

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Pedro Gomes

Jornalista formado pela UniCarioca, com experiência em esportes, mercado imobiliário e edtechs. Desde 2023, integra a equipe do Melhor Investimento.