Tesouro Direto hoje: IPCA+ encosta em 8% e renova maior taxa do ano
As taxas do Tesouro Direto operam em alta nesta segunda-feira (19), com destaque para o Tesouro IPCA+ 2029, que encostou em 8% ao ano acima da inflação, renovando a maior taxa de 2026.
Foto: Pixabay
As taxas do Tesouro Direto hoje operam em alta nesta segunda-feira (19), com destaque para os títulos atrelados à inflação. O Tesouro IPCA+, especialmente o papel com vencimento em 2029, encostou em 8% ao ano acima da inflação, renovando a maior taxa registrada em 2026 e chamando a atenção dos investidores de renda fixa.
O movimento ocorre no mercado brasileiro, logo na abertura das negociações, em um ambiente marcado por revisões nas expectativas de juros, divulgação do Relatório Focus e um cenário internacional ainda pressionado pela alta dos rendimentos dos títulos norte-americanos.
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Entre os papéis mais negociados do Tesouro Direto hoje, o Tesouro IPCA+ 2029 passou a oferecer remuneração de IPCA + 7,99% ao ano, superando levemente os níveis observados no fechamento da última sexta-feira (16). A taxa representa o maior patamar do ano e reforça o movimento de abertura da curva de juros reais no Brasil.
O avanço do IPCA+ ocorre em um momento em que investidores buscam proteção contra a inflação e retorno real elevado, especialmente diante das incertezas fiscais e do cenário de juros elevados no médio e longo prazo.
Já o título mais longo da categoria, o Tesouro IPCA+ 2050, oferece IPCA + 7,08% ao ano, praticamente estável em relação à sessão anterior, mas ainda em patamar considerado historicamente elevado.
Prefixados sobem e superam 13% ao ano
Além dos títulos indexados à inflação, os títulos prefixados também registram alta no Tesouro Direto hoje. O papel com vencimento em 2028 passou a pagar 13,16% ao ano, atingindo a maior taxa observada em 2026.
Os títulos de prazo mais longo seguem oferecendo retornos ainda mais elevados:
- Tesouro Prefixado 2032: 13,78% ao ano
- Tesouro Prefixado com juros semestrais 2035: 13,87% ao ano
A elevação reflete a expectativa de manutenção de juros altos por mais tempo, além da maior percepção de risco no horizonte fiscal brasileiro.
Relatório Focus influencia juros e inflação
No radar dos investidores está a divulgação do Relatório Focus, publicado pelo Banco Central, que reúne as projeções de economistas para os principais indicadores macroeconômicos.
A expectativa para a taxa Selic em 2028 foi revisada para cima, passando de 9,88% para 10%. Para os anos anteriores e posteriores, o mercado projeta:
- 2026: 12,25%
- 2027: 10,50%
- 2029: 9,50%
Na outra ponta, houve nova revisão para baixo da projeção de inflação em 2026, de 4,05% para 4,02%. As estimativas para 2027 e 2028 permaneceram estáveis, em 3,80% e 3,50%, respectivamente.
Essas projeções ajudam a explicar o comportamento do Tesouro Direto hoje, especialmente a valorização dos prêmios oferecidos pelos títulos de médio e longo prazo.
Cenário externo limita liquidez, mas mantém pressão
No cenário internacional, as bolsas dos Estados Unidos permanecem fechadas nesta segunda-feira devido ao feriado do Dia de Martin Luther King Jr., o que reduz o fluxo de investidores globais e a liquidez dos mercados.
Apesar disso, o ambiente externo segue pressionado. No sábado (17), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar impor tarifas a países europeus, aumentando a incerteza no comércio internacional e elevando a aversão ao risco.
Alta dos Treasuries reforça pressão sobre juros globais
Na última sessão antes do feriado, os Treasuries, títulos do governo norte-americano, fecharam em alta nos rendimentos. O Treasury de 10 anos, referência global, pagava 4,22% ao ano, enquanto os papéis de 20 e 30 anos ofereciam retornos de 4,79% e 4,83%, respectivamente.
A alta dos juros nos Estados Unidos tende a pressionar os mercados emergentes, contribuindo para o avanço das taxas do Tesouro Direto hoje, principalmente nos vencimentos mais longos.
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