PF prende cunhado de Vorcaro do Banco Master em nova fase da operação
O empresário, casado com a irmã do banqueiro, foi detido durante a segunda fase da operação Compliance Zero.
Imagem: Reprodução/Metropoles
Na manhã desta quarta-feira (14), o empresário Fabiano Campos Zettel foi detido pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). A prisão ocorreu no momento em que ele se preparava para embarcar em um jato particular rumo a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Zettel é cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, instituição investigada por supostas fraudes financeiras.
A prisão temporária foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), com o objetivo de permitir a apreensão do telefone celular do empresário e evitar interferências nas diligências da Polícia Federal.
A Justiça expediu mandado de prisão válido até as 7h desta quarta-feira. Na mesma decisão, Toffoli determinou a soltura de Zettel após o cumprimento da medida, desde que observadas condições cautelares, entre elas a proibição de deixar o país. Por esse motivo, o passaporte do empresário foi apreendido.
Buscas ocorrem em São Paulo e no Rio de Janeiro
Além da prisão, agentes da Polícia Federal realizaram buscas em dois imóveis ligados a Zettel, localizados nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. As diligências fazem parte da segunda fase da operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master.
Casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, Zettel é pastor evangélico e atua no setor empresarial. Ele é fundador e CEO da Moriah Asset, fundo de private equity com investimentos nos segmentos de alimentos, frutas e suplementos fitness, além de negócios no setor de academias de alto padrão.
Caso Banco Master
O caso ganhou maior repercussão após o Banco Central do Brasil decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, decisão que passou a ser contestada e abriu espaço para novas análises por parte do Tribunal de Contas da União e do Supremo Tribunal Federal.
As investigações apuram um esquema criminoso de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, que, nos últimos meses, passou a oferecer produtos com rentabilidades significativamente acima do padrão de mercado, especialmente certificados de depósito bancário (CDBs).
Nesta etapa da operação, a Polícia Federal cumpriu 42 mandados de busca e apreensão, inclusive em endereços ligados a Daniel Vorcaro e a outros familiares, como o pai e a irmã do banqueiro. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens e valores.
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Liquidação do Banco Master pressiona FGC
A liquidação reacendeu o debate sobre os riscos associados a CDBs com rentabilidade elevada e colocou o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) diante de um cenário inédito. O valor estimado para ressarcimento de investidores chega a R$ 41 bilhões, o que pode representar o maior pagamento já realizado pelo fundo.
Cerca de 1,6 milhão de investidores têm direito a acionar a garantia do FGC no caso do Banco Master. No entanto, ainda não há previsão para o início dos pagamentos, e o atraso já supera a média observada em episódios recentes, aumentando a insegurança entre os aplicadores.
Dados mais recentes indicam que o FGC dispõe de aproximadamente R$ 122 bilhões em recursos líquidos. Caso o valor estimado de ressarcimento se confirme, o episódio envolvendo o Banco Master poderá consumir quase um terço do caixa disponível do fundo, elevando a atenção do mercado financeiro sobre a solidez do mecanismo de proteção aos depositantes.
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