XP eleva projeção da Selic para 14% e vê inflação mais pressionada em 2026
A XP Investimentos revisou suas projeções econômicas e passou a estimar que a Selic encerrará 2026 em 14%, acima das expectativas anteriores.
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A projeção da Selic para 2026 voltou ao centro das atenções do mercado financeiro após a XP Investimentos revisar suas estimativas para juros e inflação no Brasil. Em relatório divulgado nesta terça-feira (3), a instituição passou a prever que a taxa básica de juros encerrará o próximo ano em 14%, refletindo um cenário de inflação mais persistente e desafios adicionais para a política monetária.
A revisão ocorre em meio ao aumento das pressões inflacionárias globais e domésticas, além dos efeitos de medidas de estímulo fiscal e crédito adotadas pelo governo brasileiro. Segundo os economistas da casa, o Banco Central deverá interromper o ciclo de cortes de juros mais cedo do que o previsto anteriormente para evitar uma deterioração das expectativas de inflação.
Projeção da Selic para 2026 muda com piora das expectativas de inflação
A principal mudança apresentada pela XP foi a redução da expectativa de cortes na taxa básica de juros. A instituição agora projeta apenas duas reduções de 0,25 ponto percentual, levando a Selic dos atuais 14,5% para 14% ao final de 2026.
Anteriormente, a expectativa era de três cortes ao longo do próximo ano. No entanto, o cenário econômico passou por alterações importantes nos últimos meses.
Entre os fatores que influenciaram a revisão estão a continuidade dos conflitos no Oriente Médio, a alta dos custos relacionados à cadeia de Inteligência Artificial, os impactos climáticos provocados por um El Niño mais severo e o aumento dos estímulos fiscais e de crédito no Brasil.
Na avaliação da corretora, esses elementos elevam os riscos de inflação e exigem maior cautela por parte do Banco Central.
Inflação deve permanecer acima da meta nos próximos anos
A revisão das expectativas para os juros está diretamente ligada à nova projeção para a inflação.
A XP elevou sua estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 para 5,5%, acima dos 5,3% projetados anteriormente e muito distante dos 3,8% estimados em fevereiro. Para 2027, a previsão passou de 4% para 4,2%.
De acordo com os economistas da instituição, a inflação segue sendo alimentada por fatores como a forte demanda doméstica, o mercado de trabalho aquecido e os efeitos indiretos dos fenômenos climáticos sobre os preços dos alimentos.
A combinação desses fatores dificulta o processo de convergência da inflação para a meta perseguida pelo Banco Central.
Estímulos econômicos sustentam crescimento do PIB
Apesar da deterioração do cenário inflacionário, a XP manteve sua projeção de crescimento econômico para 2026 em 2%.
Segundo os cálculos da instituição, os programas de estímulo fiscal e expansão do crédito anunciados desde o último trimestre de 2025 somam aproximadamente R$ 200 bilhões.
Esse montante pode adicionar até 1,5 ponto percentual ao Produto Interno Bruto (PIB) ao longo do próximo ano, contribuindo para sustentar o nível de atividade econômica.
Por outro lado, os efeitos positivos devem perder força em 2027. A expectativa é de que o crescimento desacelere para 1,2%, influenciado pela manutenção de juros elevados por um período mais longo e pela redução dos estímulos fiscais.
Mercado de trabalho aquecido reforça pressão sobre os preços
Outro fator apontado pela XP como relevante para o cenário inflacionário é a resiliência do mercado de trabalho.
Os dados mais recentes mostram taxa de desemprego de 5,8%, enquanto o rendimento médio real dos trabalhadores alcançou R$ 3.732, representando crescimento anual de 5,3%.
Com mais pessoas empregadas e maior renda disponível, o consumo tende a permanecer elevado, aumentando a demanda por bens e serviços e dificultando o controle da inflação.
Para os economistas, esse ambiente reforça a necessidade de uma política monetária mais restritiva.
Dívida pública continua em trajetória de alta
Além da inflação, a situação fiscal também aparece como motivo de preocupação.
A XP estima que a Dívida Bruta do Governo Geral alcance 83,3% do PIB ao final de 2026. Em 2027, a relação deverá avançar para 88,1%.
O relatório aponta que os custos associados às medidas de estímulo econômico superam os ganhos obtidos com eventuais melhorias nas contas primárias, mantendo a trajetória ascendente do endividamento público.
A expectativa é de que o setor público consolidado registre déficit primário equivalente a 0,5% do PIB neste ano.
Câmbio valorizado ajuda a reduzir parte das pressões inflacionárias
Apesar do cenário desafiador, a valorização do real continua funcionando como um importante fator de contenção da inflação.
A XP projeta que a moeda brasileira permaneça próxima de R$ 5 por dólar, sustentada pelo bom desempenho das exportações e pela entrada de capital estrangeiro.
A instituição também elevou sua projeção para o superávit da balança comercial em 2026 para US$ 85 bilhões.
Grande parte desse resultado deverá ser impulsionada pelas exportações de commodities, especialmente petróleo, cujo volume exportado apresenta crescimento expressivo ao longo do ano.
Além disso, a expectativa para o Investimento Direto no País (IDP) foi revisada para US$ 85 bilhões, equivalente a 3,1% do PIB.
Mercado acompanha novas revisões para a Selic
A revisão da projeção da Selic para 2026 pela XP acompanha um movimento semelhante observado em outras instituições financeiras.
Bancos e gestoras passaram a reduzir as apostas em cortes mais profundos dos juros diante da persistência inflacionária. Atualmente, parte do mercado já trabalha com uma taxa básica encerrando o próximo ano entre 13,5% e 14%.
Enquanto isso, o relatório Focus ainda aponta uma mediana de 13,25%, indicando que as expectativas permanecem divididas sobre o ritmo de flexibilização monetária nos próximos meses.
Diante desse cenário, a condução da política monetária continuará sendo um dos principais fatores observados por investidores, empresas e agentes econômicos ao longo de 2026.