Polícia Federal faz nova operação contra o Banco Master e bloqueia bilhões em bens

A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero contra o Banco Master, investigando suspeitas de organização criminosa, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro.

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14 de jan, 2026 às 12:00
Fachada da sede do Banco Master no edifício Auri Faria Lima, em São Paulo. Imagem: Rovena Rosa | Agência Brasil

A Polícia Federal faz nova operação contra o Banco Master nesta quarta-feira (14), ao deflagrar a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de crimes financeiros envolvendo a instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro. A ação ocorre após o avanço das apurações sobre fraudes bilionárias e tem como foco interromper a atuação do grupo investigado e recuperar recursos considerados ilícitos.

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A nova ofensiva da Polícia Federal marca mais um desdobramento relevante da Operação Compliance Zero, que apura indícios de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. A investigação é conduzida em conjunto com outros órgãos de controle e conta com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a PF, a operação foi deflagrada após a identificação de novas evidências que reforçam a suspeita de que o Banco Master teria sido utilizado como instrumento para a emissão de créditos falsos e títulos forjados, movimentando cifras expressivas fora das normas do sistema financeiro nacional.

Mandados de busca e apreensão em cinco estados

As autoridades cumprem 42 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul. As ordens judiciais foram expedidas pelo STF e executadas simultaneamente para evitar a destruição de provas ou ocultação de bens.

Além das buscas, a Justiça determinou medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores, que ultrapassam R$ 5,7 bilhões. O montante inclui contas bancárias, aplicações financeiras, imóveis e outros ativos que, segundo os investigadores, podem ter origem em práticas ilegais.

Objetivo da Operação Compliance Zero

De acordo com a Polícia Federal, o principal objetivo da nova fase da Operação Compliance Zero é desarticular completamente a estrutura financeira do grupo investigado, impedindo a continuidade das atividades suspeitas e assegurando a recuperação de recursos para eventual ressarcimento.

A PF afirma que o esquema teria operado de forma sistemática, utilizando mecanismos complexos para mascarar operações irregulares, inclusive com impacto direto no mercado financeiro. As autoridades avaliam que a atuação da organização criminosa pode ter causado prejuízos relevantes a investidores e instituições.

Situação de Daniel Vorcaro

O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi preso em novembro, quando tentava embarcar para o exterior em um jatinho particular, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. A prisão foi posteriormente relaxada por decisão judicial, e Vorcaro passou a cumprir prisão domiciliar.

Mesmo fora do sistema prisional, o empresário continua sendo um dos principais alvos da investigação. As novas medidas judiciais reforçam a avaliação dos investigadores de que o caso ainda está longe de ser concluído.

O que diz a defesa do dono do Banco Master

Em nota divulgada após a deflagração da nova operação, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário tem colaborado com as autoridades desde o início das investigações. Segundo os advogados, todas as determinações judiciais estão sendo cumpridas de forma integral.

A defesa sustenta ainda que Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, destacando o interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento do inquérito dentro do devido processo legal.

Entenda o histórico do caso

A Operação Compliance Zero teve sua primeira fase deflagrada em novembro, quando também foram alvos o ex-presidente do BRB e outros envolvidos. As investigações apontam para um esquema de concessão de créditos fictícios, que pode ter movimentado até R$ 17 bilhões em títulos fraudulentos.

Em março de 2025, o BRB chegou a anunciar a intenção de adquirir o Banco Master por R$ 2 bilhões, mas a operação foi barrada pelo Banco Central, que identificou inconsistências relevantes. Meses depois, em novembro, foi decretada a falência da instituição financeira ligada a Vorcaro.

Impacto no sistema financeiro

O caso é acompanhado de perto por autoridades reguladoras e pelo mercado, já que envolve suspeitas de fraudes de grande escala e possíveis falhas de governança. Especialistas avaliam que o desfecho da investigação pode influenciar debates sobre fiscalização bancária e compliance no setor financeiro brasileiro.

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