Move Brasil libera quase R$ 2 bilhões para financiar caminhões no primeiro mês

O programa federal Move Brasil liberou quase R$ 2 bilhões em financiamentos no primeiro mês de operação para estimular a renovação da frota de caminhões no país.

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09 de fev, 2026 às 09:30
Fileira de caminhões modernos de carga, na cor prata, estacionados em um pátio de concreto sob a luz do entardecer. Imagem: Freepik

O Move Brasil, programa federal de estímulo à renovação da frota pesada, liberou quase R$ 2 bilhões em financiamentos para caminhões logo no primeiro mês de operação. A iniciativa busca acelerar a troca de veículos antigos por modelos mais novos e eficientes, além de reaquecer um mercado fortemente impactado pela alta dos juros e pela queda nas vendas ao longo de 2025.

O resultado foi divulgado na último domingo (8), durante um evento em Guarulhos (SP), pelo vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. Segundo ele, a resposta inicial do setor foi positiva, especialmente diante do cenário de retração enfrentado pela indústria de caminhões no país.

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O Move Brasil foi criado com o objetivo de financiar a compra de caminhões novos e seminovos, priorizando veículos menos poluentes e mais eficientes do ponto de vista energético. O programa é operado por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e conta com recursos do Tesouro Nacional.

A proposta central é renovar a frota nacional, reduzindo a idade média dos veículos em circulação, ao mesmo tempo em que estimula a retomada das vendas no setor automotivo pesado. A iniciativa surge em um momento de forte desaceleração do mercado, após sucessivas altas da taxa básica de juros.

Queda nas vendas de caminhões motivou criação do programa

De acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o mercado de caminhões acumulou queda de 9,2% em 2025. O recuo foi ainda mais intenso entre os modelos pesados, usados no transporte de longas distâncias, com retração de 20,5% na comparação com 2024.

Somente em janeiro, as vendas do segmento caíram 34,67% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Para o governo, esse desempenho negativo está diretamente ligado ao custo elevado do crédito, já que a maior parte das compras de caminhões depende de financiamento.

Juros altos travaram investimentos, avalia Alckmin

Durante o evento, Alckmin afirmou que a alta taxa de juros foi o principal entrave para a renovação da frota nos últimos meses. Segundo ele, mesmo com recordes de produção agrícola e exportações, a logística acabou prejudicada pela dificuldade de acesso ao crédito.

“Normalmente, quem compra esse tipo de bem de uso duradouro financia. Com juros entre 22% e 23% ao ano, o investimento fica inviável. O programa veio justamente para destravar esse processo”, afirmou o ministro.

Com taxas entre 13% e 14% ao ano, o Move Brasil passou a oferecer condições mais compatíveis com a realidade do setor, o que explica a liberação de aproximadamente R$ 1,9 bilhão logo no início da operação.

Empresas já utilizam o Move Brasil para expandir operações

Na prática, o programa já começa a gerar impactos concretos. Um exemplo é o da empresa de transportes comandada por Orlando Boaventura, em Santa Isabel, na região metropolitana de São Paulo. O empresário utilizou o financiamento do Move Brasil para adquirir um novo caminhão, o 29º da frota.

Segundo ele, os modelos mais novos garantem economia significativa de combustível, além de reduzir custos de manutenção. A expectativa é de ampliação das operações e contratação de mais cinco funcionários ainda em 2025.

Programa também foca empregos e sustentabilidade

Além do estímulo econômico, o Move Brasil tem como um de seus pilares a redução das emissões de carbono. A substituição de caminhões antigos contribui para uma logística mais limpa e alinhada às metas ambientais do país.

Representantes dos trabalhadores destacaram que o programa é resultado de um esforço conjunto entre governo, indústria e sindicatos, com foco na preservação de empregos em toda a cadeia automotiva, que inclui fábricas, concessionárias e fornecedores de peças.

Indústria defende continuidade do Move Brasil

Executivos do setor automotivo defenderam a manutenção do programa como forma de garantir previsibilidade e estimular novos investimentos. O CEO da Scania no Brasil, Christopher Polgorski, destacou que cada emprego direto mantido na produção de caminhões gera outros seis empregos indiretos.

Ele também citou a expectativa de que o Banco Central inicie, nos próximos meses, um ciclo de redução da taxa Selic, o que pode reforçar ainda mais os efeitos do programa.

Como funciona o Move Brasil

O Move Brasil disponibiliza R$ 10 bilhões em crédito, sendo R$ 1 bilhão exclusivo para caminhoneiros autônomos e cooperados. O limite de financiamento é de até R$ 50 milhões por usuário, com prazo máximo de cinco anos e carência de até seis meses.

As operações contam com garantia de até 80% do valor financiado por meio do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI). O programa não tem prazo fixo para encerramento e seguirá ativo até que os recursos se esgotem.

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