Tarcísio rebate Haddad sobre investimentos federais em obras de São Paulo e eleva tensão política
O governador Tarcísio de Freitas criticou declarações de Fernando Haddad sobre o financiamento de obras em São Paulo, classificando como “bobagem” a tentativa de atribuir protagonismo ao governo federal.
Imagem: Reuters/Adriano Machado
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, rebateu as declarações de Fernando Haddad sobre o papel do governo federal no financiamento de obras no estado e classificou as afirmações como “grande bobagem”. A fala ocorreu na última segunda-feira (6), durante a abertura do 68º Congresso Estadual de Municípios, realizado na capital paulista, e intensifica a disputa política entre os dois adversários.
A controvérsia teve início após Haddad divulgar vídeos nas redes sociais, na sexta-feira (3) e no sábado (4), nos quais afirma que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva seria responsável por bancar grande parte das obras em São Paulo. Segundo o ex-ministro, há participação significativa da União por meio de repasses diretos, financiamentos e garantias concedidas principalmente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
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Durante o evento, Tarcísio rebateu Haddad sobre investimentos federais em obras de São Paulo e criticou o que chamou de tentativa de “compartilhar a paternidade” de projetos executados no estado. Segundo o governador, a população está mais preocupada com a entrega das obras do que com disputas políticas.
“O que chama atenção é como isso tem incomodado alguns. Tem gente colocando propaganda na TV para tentar se apropriar de obra alheia. Não adianta querer compartilhar a paternidade agora, isso é uma grande bobagem”, afirmou.
A declaração foi reforçada com críticas ao uso político das realizações de infraestrutura. Para Tarcísio, destacar o financiamento do BNDES como protagonismo do governo federal distorce o papel da instituição. Ele argumentou que conceder crédito para obras é justamente a função central do banco.
Vídeos de Haddad destacam atuação do governo federal
Nos vídeos divulgados, Haddad sustenta que o governo federal tem participação decisiva em grandes projetos de infraestrutura em São Paulo. Sem citar diretamente Tarcísio, o pré-candidato afirma que a gestão estadual omite os investimentos feitos pela União.
Entre os pontos destacados, estão:
- Financiamentos via BNDES
- Repasses diretos ao estado
- Garantias para operações de crédito
- Renegociação da dívida paulista
Haddad também afirma que essas ações foram fundamentais para viabilizar obras importantes e reforça que “nunca um governo federal trabalhou tanto por São Paulo”.
Principais obras no centro da disputa
A divergência envolve grandes projetos de infraestrutura e mobilidade urbana no estado. Entre as obras mencionadas estão:
- Trecho Norte do Rodoanel
- Trem Intercidades (ligação entre São Paulo e Campinas)
- Expansão da Linha 2-Verde do Metrô
- Construção de moradias pelo programa habitacional federal
- Investimentos em saúde e equipamentos públicos
Esses projetos contam, em maior ou menor grau, com financiamento federal, especialmente por meio do BNDES, o que tem alimentado o embate sobre a responsabilidade pelas entregas.
Disputa política ganha força com cenário eleitoral
O embate entre Tarcísio e Haddad ocorre em um contexto de pré-campanha eleitoral em São Paulo. As inserções partidárias divulgadas pelo petista marcam o início de uma estratégia de comunicação voltada para associar obras estaduais ao apoio do governo federal.
Por outro lado, Tarcísio busca reforçar a imagem de gestor responsável pelas entregas e minimizar o peso da participação da União. A troca de críticas evidencia uma disputa narrativa sobre quem deve receber o crédito pelas realizações.
Lula já criticou postura do governo paulista
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia se manifestado sobre o tema anteriormente. Em março, durante evento com prefeitos, ele afirmou que o governo estadual apresenta obras financiadas pela União como se fossem exclusivamente próprias.
Na ocasião, Lula citou programas habitacionais e projetos de mobilidade, afirmando que muitos deles dependem diretamente de recursos federais.
Histórico de atritos e novos capítulos
A troca de críticas não é recente. Nos últimos meses, declarações públicas de ambos os lados têm intensificado o clima de rivalidade. Tarcísio já afirmou que o governo federal recorre à “narrativa” por falta de entregas, enquanto aliados de Haddad defendem maior reconhecimento ao papel da União.
Outro episódio relevante envolveu o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, que criticou a ausência de menção ao banco em uma inauguração do Rodoanel. O caso reforçou a disputa simbólica sobre o crédito pelas obras.