IPCA sobe 0,58% em maio e inflação anual acelera para 4,72%, acima das expectativas

O IPCA avançou 0,58% em maio de 2026, superando as expectativas do mercado e elevando a inflação acumulada em 12 meses para 4,72%.

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Última atualização:  12 de jun, 2026 às 09:23
Notas de 100 reais dispostas em uma superfície branca, destacando a linha e detalhes do dinheiro brasileiro. Foto: Getty Images

O IPCA registrou alta de 0,58% em maio de 2026, mostrando uma aceleração da inflação brasileira e superando as projeções do mercado financeiro. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e revelam que o índice oficial de preços acumulou avanço de 4,72% nos últimos 12 meses.

O resultado ficou acima das estimativas coletadas pela Reuters, que apontavam para uma elevação mensal de 0,53% e uma taxa anual de 4,66%. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento dos preços dos alimentos e da energia elétrica, enquanto a queda dos combustíveis ajudou a evitar uma inflação ainda maior.

A divulgação do IPCA é acompanhada de perto por investidores, consumidores e pelo Banco Central, já que o indicador serve como referência para a política monetária e influencia diretamente decisões sobre a taxa básica de juros.

IPCA sobe acima das expectativas do mercado

A inflação oficial voltou a ganhar força em maio após registrar pressão significativa em itens essenciais para o orçamento das famílias brasileiras. O grupo Alimentação e bebidas foi o principal responsável pelo resultado do período, respondendo por aproximadamente metade da alta registrada pelo IPCA.

Além disso, os custos relacionados à habitação também contribuíram para a aceleração do índice. O aumento da conta de luz e dos gastos com saúde reforçou a pressão inflacionária observada ao longo do mês.

Embora o resultado permaneça abaixo dos níveis observados em períodos de inflação mais elevada, o dado acima das projeções reforça a atenção do mercado em relação ao comportamento dos preços nos próximos meses.

Alimentos lideram a pressão inflacionária

Entre os grupos pesquisados pelo IBGE, Alimentação e bebidas apresentou a maior contribuição para o IPCA de maio. O segmento registrou alta de 1,33%, impactando diretamente o índice geral.

Dentro da alimentação consumida em casa, alguns produtos tiveram aumentos expressivos. A batata-inglesa apresentou uma das maiores elevações do mês, seguida pelo tomate e pela cebola. As carnes também registraram avanço nos preços, ampliando a pressão sobre o orçamento das famílias.

De acordo com a avaliação técnica divulgada pelo instituto, fatores ligados à oferta de produtos agrícolas e aos custos de transporte contribuíram para os reajustes observados. Por outro lado, alguns itens ajudaram a amenizar o impacto sobre a inflação. Entre eles estão o café moído e determinadas frutas, que apresentaram redução nos preços durante o período.

O comportamento dos alimentos continua sendo um dos principais desafios para o controle da inflação, já que esses produtos possuem peso relevante na composição do índice oficial.

Energia elétrica foi o item com maior impacto individual

O grupo Habitação também exerceu forte influência sobre o resultado do mês. A principal pressão veio da energia elétrica residencial, que apresentou alta significativa e foi o item com maior impacto individual sobre o IPCA.

Segundo o IBGE, o avanço foi consequência da combinação entre reajustes tarifários aplicados em diferentes regiões do país e da adoção da bandeira tarifária amarela durante o mês de maio.

Com a mudança da bandeira, os consumidores passaram a pagar uma cobrança adicional nas contas de energia, refletindo diretamente nos índices de inflação. Além disso, diversas capitais registraram reajustes específicos autorizados pelas distribuidoras locais, ampliando o efeito sobre o indicador nacional.

O aumento dos custos de habitação é especialmente relevante porque afeta despesas consideradas essenciais para a maioria das famílias brasileiras.

Saúde e cuidados pessoais também contribuíram para a alta

Outro grupo que apresentou influência relevante sobre a inflação foi Saúde e cuidados pessoais. O segmento registrou avanço de 0,90% no mês.

Entre os destaques estão os produtos de higiene pessoal, especialmente perfumes, que registraram aumento expressivo. Os planos de saúde também apresentaram elevação, contribuindo para o avanço do grupo.

A combinação entre reajustes de serviços e produtos de consumo cotidiano reforçou a tendência de pressão observada em diferentes setores da economia.

Queda dos combustíveis evitou inflação mais elevada

Apesar da forte pressão exercida pelos alimentos e pela energia elétrica, o grupo Transportes ajudou a conter uma aceleração ainda maior do IPCA.

Os combustíveis apresentaram recuo no período, com destaque para as quedas observadas nos preços do etanol, do óleo diesel e da gasolina. Esta última foi responsável pelo maior impacto negativo individual do mês sobre o índice.

A redução dos combustíveis contribuiu para aliviar parte dos custos enfrentados pelos consumidores e ajudou a compensar parcialmente as altas registradas em outros segmentos.

Caso os preços dos combustíveis tivessem permanecido em trajetória de alta, o resultado final da inflação poderia ter sido ainda mais elevado.

Aracaju e Campo Grande registraram as maiores altas

Na análise regional, Aracaju e Campo Grande apresentaram as maiores variações do IPCA em maio, ambas com avanço de 1,31%.

Nos dois casos, os aumentos da energia elétrica e dos alimentos estiveram entre os principais fatores que explicam o resultado acima da média nacional.

Em sentido contrário, Curitiba registrou a menor inflação do país no período. A capital paranaense foi beneficiada principalmente pela queda da gasolina e pela redução de despesas relacionadas ao emplacamento e licenciamento de veículos.

Os dados mostram que, embora a inflação seja um fenômeno nacional, seus impactos variam de acordo com a estrutura de consumo e os reajustes específicos observados em cada região do país.