Cesta básica sobe em todas as capitais e aumenta pressão sobre o orçamento das famílias

A cesta básica registrou aumento em todas as capitais brasileiras em maio de 2026, segundo levantamento do Dieese e da Conab.

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Última atualização:  11 de jun, 2026 às 15:51
Foto de um carrinho de compras com alimentos dentro Foto: Freepik

A cesta básica sobe em todas as capitais brasileiras pelo quinto mês consecutivo em 2026, reforçando a pressão sobre o orçamento das famílias e elevando o custo de vida em diversas regiões do país. Dados divulgados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que os preços dos alimentos essenciais avançaram em maio, impulsionados principalmente pelos aumentos da batata, tomate, carne bovina e feijão.

O levantamento revela que as 27 capitais registraram alta no período. Além disso, o encarecimento dos produtos básicos ampliou o tempo de trabalho necessário para a compra da cesta e aumentou a distância entre o salário mínimo atual e o valor considerado ideal para suprir as necessidades de uma família brasileira.

Para especialistas, o movimento reflete tanto fatores climáticos quanto oscilações na oferta de alimentos, que continuam influenciando os preços ao consumidor.

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Cesta básica sobe em todas as capitais do país

Entre abril e maio, as maiores elevações foram registradas em Recife, onde a cesta básica avançou 8,05%. Na sequência aparecem Florianópolis, com alta de 7,81%, Fortaleza, com 7,48%, e Porto Alegre, com aumento de 7,24%.

O resultado evidencia uma pressão disseminada sobre os preços dos alimentos essenciais em todas as regiões do Brasil. Produtos amplamente consumidos pelas famílias tiveram reajustes expressivos durante o período, impactando diretamente o orçamento doméstico.

O cenário ocorre em um momento de atenção para os indicadores de inflação dos alimentos, que vêm sendo acompanhados de perto por consumidores, economistas e autoridades econômicas.

São Paulo mantém a cesta básica mais cara do Brasil

Mesmo sem registrar a maior variação percentual do mês, São Paulo permaneceu na liderança do ranking das cestas mais caras do país. Em maio, o conjunto de produtos básicos alcançou o valor de R$ 952,20 na capital paulista, após avanço mensal de 5,08%.

Logo atrás aparecem Cuiabá, com custo médio de R$ 925,49, Rio de Janeiro, com R$ 914,48, e Florianópolis, com R$ 913,43.

Nas regiões Norte e Nordeste, onde a composição da cesta básica apresenta algumas diferenças em relação às demais capitais, os menores custos foram registrados em São Luís, com R$ 651,15, e Aracaju, com R$ 652,73.

A diferença entre os valores demonstra como fatores regionais, logísticos e de oferta podem influenciar significativamente o preço final dos alimentos.

Alta acumulada da cesta básica chega perto de 22% em algumas capitais

Na comparação entre maio de 2025 e maio de 2026, praticamente todas as capitais brasileiras apresentaram aumento no custo da cesta básica.

Recife liderou as altas anuais, acumulando avanço de 14,29%. Em contrapartida, Boa Vista registrou a menor variação positiva, de 0,79%. A única exceção foi São Luís, que apresentou queda de 2,52% no período.

Quando analisado apenas o acumulado de 2026, todas as capitais registraram elevação dos preços. Mais uma vez, Recife aparece no topo da lista, com alta acumulada de 21,94%, enquanto São Luís apresentou o menor crescimento, de 3,45%.

Os números reforçam a persistência das pressões sobre os alimentos ao longo do ano e indicam que a recuperação do poder de compra das famílias continua sendo um desafio.

Trabalhador precisa trabalhar mais para comprar os mesmos produtos

O aumento da cesta básica teve reflexo direto sobre a renda da população. Segundo o Dieese, o tempo médio necessário para adquirir os produtos que compõem a cesta passou de 100 horas e 52 minutos em abril para 105 horas e 50 minutos em maio.

Na prática, isso significa que os trabalhadores precisaram dedicar mais horas de trabalho para comprar exatamente os mesmos itens essenciais de alimentação.

Além disso, o comprometimento médio do salário mínimo líquido com a cesta básica alcançou 52,01%, indicando que mais da metade da renda disponível é destinada apenas à aquisição de alimentos considerados básicos.

O indicador evidencia as dificuldades enfrentadas principalmente pelas famílias de menor renda, que possuem menor capacidade de absorver aumentos de preços.

Dieese calcula salário mínimo ideal próximo de R$ 8 mil

Com base no custo da cesta básica mais cara do país e considerando as despesas previstas pela Constituição Federal, o Dieese estimou que o salário mínimo necessário para atender adequadamente uma família deveria ser de R$ 7.999,44 em maio.

O valor corresponde a aproximadamente 4,93 vezes o salário mínimo oficial de R$ 1.621,00 vigente no período.

A diferença entre o salário recebido pelos trabalhadores e o montante considerado necessário para cobrir gastos com alimentação, moradia, saúde, educação, transporte e lazer continua sendo um dos principais indicadores utilizados para medir a capacidade de consumo das famílias brasileiras.

Diante da alta generalizada dos alimentos, a discussão sobre renda, custo de vida e poder de compra ganha ainda mais relevância. Enquanto os preços seguem pressionados em diversas regiões, consumidores continuam enfrentando desafios para equilibrar o orçamento doméstico e manter o acesso aos itens básicos do dia a dia.