Custo de vida no Brasil: sete em cada dez brasileiros sentem alta e endividamento cresce

Uma pesquisa Meio/Ideia mostra que sete em cada dez brasileiros perceberam aumento do custo de vida e crescimento do endividamento familiar.

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Última atualização:  08 de abr, 2026 às 17:00
Vista ao nível da rua de uma área comercial popular e movimentada, em São Paulo. Imagem: Shutterstock

O custo de vida no Brasil continua pressionando o bolso das famílias. Uma recente pesquisa do instituto Meio/Ideia, realizada entre os dias 3 e 7 de abril, revela que sete em cada dez brasileiros perceberam aumento no custo de viver no país. Segundo o levantamento, 30% afirmam que o aumento foi significativo, enquanto 40% sentiram alta moderada. Apenas 21% consideram que os preços permaneceram estáveis e 5,2% relatam redução nos gastos.

O estudo, que entrevistou 1.500 pessoas e tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais, também destacou que o crescimento do endividamento das famílias acompanha a alta do custo de vida, e o tema tem ganhado relevância política, podendo influenciar a decisão de voto na eleição de 2026.

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O endividamento das famílias brasileiras tem se tornado um ponto crítico para o governo federal. De acordo com a pesquisa, 40% dos entrevistados afirmam que suas dívidas aumentaram nos últimos meses, enquanto 42% mantêm o mesmo nível de endividamento. Apenas 18% indicam redução nas dívidas.

Especialistas apontam que o crescimento do endividamento está diretamente ligado ao aumento do custo de vida, especialmente em itens essenciais como alimentação, energia e transporte. A inflação dos últimos meses, combinada com juros altos no crédito e no cartão, tem levado muitas famílias a recorrer a empréstimos e renegociações para equilibrar o orçamento.

Além disso, a pesquisa revelou que o custo de vida e o endividamento terão impacto nas escolhas políticas de 2026. Cerca de 38% dos eleitores afirmam que esses fatores serão muito importantes para decidir seu voto, enquanto outros 36,6% consideram relevante, mas menos prioritário.

Governo avalia medidas para reduzir o impacto no bolso do brasileiro

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem acompanhado de perto a evolução do endividamento e do custo de vida, considerando o tema uma prioridade para o início do ano. Recentemente, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que o Executivo estuda permitir que os brasileiros saquem parte do FGTS para quitar dívidas, dentro de um pacote de crédito voltado a reduzir o endividamento familiar.

Outras medidas em avaliação incluem a criação de linhas de crédito com juros mais baixos, incentivo à renegociação de dívidas e o controle do endividamento futuro, com foco na diminuição de gastos com apostas e crédito rotativo. Uma das propostas mais avançadas é a consolidação de dívidas em um único contrato, com juros menores e descontos, negociado diretamente com os bancos. Para garantir essa operação, o Fundo de Garantia de Operações funcionaria como respaldo.

O Palácio do Planalto argumenta que a alta do custo de vida e das dívidas tem sido exacerbada por fatores externos, como a guerra no Irã, que impacta o preço de commodities e afeta o orçamento das famílias. O objetivo do governo é implementar medidas rápidas para conter o avanço das dívidas e garantir mais segurança financeira aos brasileiros.

Contexto histórico e econômico

O crescimento do custo de vida não é um fenômeno isolado. Nos últimos anos, o país enfrentou desafios econômicos como inflação elevada, aumento do preço de alimentos e energia, além de juros historicamente altos no crédito ao consumidor. Esses fatores combinados pressionam o orçamento familiar, tornando o gerenciamento das finanças pessoais um desafio constante.

Especialistas econômicos também destacam que o custo de vida elevado pode afetar o crescimento econômico, já que famílias endividadas tendem a reduzir o consumo, impactando setores como comércio, serviços e indústria.

Perspectivas e soluções

Para reduzir o impacto do custo de vida e do endividamento, analistas apontam a importância de políticas públicas que combinem controle da inflação, juros mais baixos e incentivos à educação financeira. O governo federal também deve atuar na renegociação de dívidas e na criação de mecanismos que facilitem a organização financeira das famílias.

Enquanto isso, as famílias precisam planejar seus gastos e priorizar pagamentos essenciais, evitando o uso excessivo de crédito rotativo, que é uma das principais fontes de endividamento. O acompanhamento de indicadores econômicos e notícias sobre o custo de vida, como a pesquisa Meio/Ideia, ajuda a população a tomar decisões mais conscientes.