INPC de janeiro sobe 0,39% e acumula alta de 4,3% em 12 meses

O INPC de janeiro registrou alta de 0,39%, acelerando em relação a dezembro e elevando o acumulado de 12 meses para 4,3%, segundo o IBGE.

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10 de fev, 2026 às 17:00
Uma mulher de blusa vermelha observa produtos em uma prateleira de supermercado lotada. Imagem: Tânia Rêgo / Agência Brasil

O INPC de janeiro registrou alta de 0,39%, acelerando em relação a dezembro e elevando o acumulado de 12 meses para 4,3%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice, que é referência para o reajuste de salários e benefícios, passou a indicar maior pressão inflacionária sobre as famílias de menor renda no início de 2025.

Os números foram apresentados nesta terça-feira (10), no Rio de Janeiro, e mostram que a inflação medida pelo INPC voltou a ganhar força, principalmente por causa do aumento nos preços de itens não alimentícios.

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) mede a variação do custo de vida de famílias com renda mensal entre um e cinco salários mínimos, faixa que atualmente considera o salário mínimo de R$ 1.621.

O indicador tem papel central na economia brasileira porque é amplamente utilizado para a correção do poder de compra dos salários, servindo como base para negociações coletivas ao longo do ano. Além disso, o INPC acumulado em 12 meses influencia diretamente o reajuste de benefícios sociais e previdenciários.

De acordo com o IBGE, o objetivo do índice é captar com maior precisão o impacto da inflação sobre a população assalariada de menor renda, que destina uma parcela maior do orçamento a itens essenciais, como alimentação.

INPC de janeiro acelera em relação a dezembro

O resultado de 0,39% em janeiro representa uma aceleração frente à taxa de 0,21% registrada em dezembro. Com isso, o acumulado em 12 meses avançou de 3,9% para 4,3%, reforçando o movimento de alta observado no início do ano.

Esse avanço indica que, embora a inflação de alimentos tenha perdido força, outros grupos de preços passaram a pressionar o índice de forma mais intensa.

Alimentos desaceleram, mas itens não alimentícios pressionam

Um dos destaques do INPC de janeiro foi a desaceleração dos preços dos alimentos. A inflação do grupo alimentício caiu de 0,28% em dezembro para 0,14% em janeiro, reduzindo sua contribuição para o resultado geral do índice.

Por outro lado, os produtos e serviços não alimentícios apresentaram forte aceleração. O grupo saltou de 0,19% em dezembro para 0,47% em janeiro, tornando-se o principal fator de pressão inflacionária no período.

Esse comportamento reforça a percepção de que, mesmo com algum alívio nos preços da comida, despesas como habitação, transporte, vestuário e serviços continuam pesando no orçamento das famílias de menor renda.

Diferença entre INPC e IPCA

Embora sejam frequentemente comparados, o INPC e o IPCA possuem metodologias e públicos distintos. Enquanto o INPC foca famílias com renda de até cinco salários mínimos, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) abrange famílias com renda de até 40 salários mínimos e é considerado a inflação oficial do país.

Em janeiro, o IPCA registrou alta de 0,33%, com acumulado de 4,44% em 12 meses, resultado ligeiramente superior ao observado no INPC no mesmo período.

Outro ponto relevante está nos pesos atribuídos aos grupos de preços. No INPC, os alimentos representam cerca de 25% do índice, percentual maior que o do IPCA, onde o peso é de aproximadamente 21%. Isso ocorre porque famílias de menor renda gastam proporcionalmente mais com alimentação.

Onde o IBGE coleta os dados do INPC

A pesquisa do INPC é realizada em dez regiões metropolitanas: Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.

Além disso, o levantamento também abrange os municípios de Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju, garantindo uma amostra representativa do comportamento dos preços no país.

Impacto do INPC no reajuste de salários e benefícios

O INPC acumulado em 12 meses costuma ser utilizado como referência para o reajuste salarial de diversas categorias profissionais, especialmente aquelas com maior concentração de trabalhadores de menor renda.

O índice também influencia diretamente o cálculo do seguro-desemprego, do teto do INSS e dos benefícios pagos a segurados que recebem acima do salário mínimo. No caso do salário mínimo, o governo utiliza o INPC acumulado até novembro como um dos parâmetros para definir o reajuste anual.

Dessa forma, a alta do INPC de janeiro reforça a atenção de trabalhadores, sindicatos e formuladores de políticas públicas sobre a evolução do custo de vida ao longo de 2025.

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