Acordo EUA-Irã será assinado na Suíça e pressiona petróleo
O acordo EUA-Irã, que será assinado na Suíça, prevê a retomada gradual das exportações de petróleo iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz.
Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Imagem ilustrativa
O acordo EUA-Irã será oficialmente assinado na próxima sexta-feira (19), na Suíça, marcando um dos eventos mais relevantes para o mercado global de energia em 2026. A expectativa de retomada das exportações iranianas de petróleo e a reabertura do Estreito de Ormuz já provocaram forte reação nos mercados internacionais, derrubando os preços do petróleo Brent e pressionando ações de petroleiras como Petrobras (PETR4) e PRIO (PRIO3).
A cerimônia ocorrerá após semanas de negociações entre Washington e Teerã para encerrar o conflito que elevou as tensões no Oriente Médio. O principal ponto do acordo é o início do alívio gradual das sanções impostas ao setor petrolífero iraniano, permitindo que o país volte a exportar petróleo para o mercado internacional.
O movimento é acompanhado de perto por investidores porque pode alterar o equilíbrio entre oferta e demanda da commodity nos próximos meses, influenciando diretamente empresas ligadas à produção de petróleo e combustíveis.
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Acordo EUA-Irã prevê retomada das exportações de petróleo
Entre os principais itens do tratado estão o encerramento permanente das operações militares entre as partes envolvidas, a retomada das negociações sobre o programa nuclear iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz ao tráfego comercial internacional.
A passagem marítima é considerada uma das mais estratégicas do planeta. Cerca de 20% do petróleo consumido globalmente passa pelo local diariamente. Durante os períodos mais intensos do conflito, restrições à navegação aumentaram o receio de interrupções no fornecimento global, elevando o chamado prêmio de risco geopolítico incorporado aos preços do petróleo.
Com a confirmação da reabertura da rota e a possibilidade de retorno gradual do petróleo iraniano ao mercado, parte desse prêmio começou a desaparecer das cotações.
O efeito foi imediato. O Brent para entrega em agosto recuou para a região dos US$ 83 por barril, acumulando perdas próximas de 5% em apenas dois pregões. Há poucas semanas, a commodity era negociada acima dos US$ 90, impulsionada pelas incertezas relacionadas ao conflito.
Impacto do acordo EUA-Irã sobre Petrobras e PRIO
A queda do petróleo teve reflexo direto nas ações das principais produtoras brasileiras.
Os papéis da Petrobras (PETR4) registraram perdas desde o anúncio preliminar do acordo, enquanto a PRIO (PRIO3) apresentou desempenho ainda mais pressionado devido à sua maior sensibilidade às oscilações da commodity.
A explicação é simples: boa parte da receita dessas empresas está vinculada ao preço internacional do barril. Quando o Brent recua, a expectativa de faturamento e geração de caixa também tende a diminuir.
Apesar da reação negativa do mercado, especialistas destacam que os fundamentos das companhias permanecem sólidos. Os campos do pré-sal brasileiro continuam entre os mais competitivos do mundo, com custos de extração significativamente inferiores aos preços atuais do petróleo.
Mesmo com o Brent próximo de US$ 83 por barril, as operações seguem altamente rentáveis, preservando a capacidade de geração de caixa e distribuição de dividendos.
Retorno do petróleo iraniano não deve acontecer de forma imediata
Embora o mercado tenha reagido rapidamente ao anúncio do acordo EUA-Irã, a ampliação efetiva da oferta global de petróleo tende a ocorrer de forma gradual.
Analistas avaliam que parte da infraestrutura energética iraniana precisará passar por processos de manutenção e reativação após meses de restrições provocadas pelo conflito e pelas sanções econômicas.
Além disso, a normalização das exportações depende de ajustes logísticos, contratos de fornecimento e adequações operacionais que podem levar semanas ou até meses para serem concluídos.
Por esse motivo, alguns especialistas acreditam que a recente queda do petróleo pode ter antecipado parte dos efeitos esperados para o mercado.
OPEP+ pode limitar novas quedas do petróleo
Outro fator importante para os investidores é a atuação da OPEP+, grupo formado pelos maiores produtores de petróleo do mundo.
Caso o Brent permaneça abaixo de determinados níveis considerados estratégicos, o cartel poderá avaliar novos cortes de produção para evitar uma queda mais acentuada das cotações.
A Arábia Saudita, principal liderança da organização, costuma defender preços mais elevados para equilibrar suas contas públicas e financiar projetos de desenvolvimento econômico.
Por isso, parte do mercado acredita que a região entre US$ 75 e US$ 80 por barril pode funcionar como um importante piso para o petróleo nos próximos meses.
Esse cenário ajuda a reduzir preocupações sobre uma eventual deterioração significativa dos resultados das empresas brasileiras ligadas ao setor de energia.