Caso Master: PGR rejeita 2ª delação de Vorcaro e Mendonça decide o destino do banqueiro

O Caso Master voltou ao centro das atenções do sistema financeiro brasileiro nesta semana após mais um capítulo dramático no Supremo Tribunal Federal.

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16 de jun, 2026 às 14:00
Fotos do ministro André Mendonça e do empresário Daniel Vorcaro. Ministro André Mendonça (à esq.). Daniel Vorcaro (à dir.) (Imagem: Reprodução).

O Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet, rejeitou no domingo, 15 de junho, a segunda proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, fundador e principal acionista do Banco Master — instituição que foi liquidada pelo Banco Central do Brasil em 2025 após uma série de irregularidades que sacudiram o mercado de capitais.

A rejeição deixa o destino do banqueiro nas mãos do ministro André Mendonça, que se tornou relator do caso no STF em fevereiro de 2026, após o ministro Dias Toffoli deixar a relatoria da investigação.

Por que o PGR rejeitou a proposta

Na avaliação do gabinete de Paulo Gonet, a proposta de Vorcaro não apresenta “evidências robustas” suficientes para justificar os benefícios de uma delação premiada. Os procuradores concluíram que grande parte das alegações feitas pelo banqueiro são “relatos de ouvir falar” — ou seja, informações de terceira mão sem comprovação documental direta.

Essa foi a segunda rejeição em sequência. Antes do PGR, a própria Polícia Federal havia recusado uma proposta anterior de Vorcaro em 11 de junho, por razões similares: ausência de provas concretas para embasar os fatos narrados.

Entenda o contexto:

Contrato com a esposa de Moraes

O ponto mais explosivo das alegações de Vorcaro — e o que mais gerou repercussão na imprensa — é a menção a um contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes. Segundo as informações vazadas da proposta de delação, o contrato tinha valor total de R$ 129 milhões, com parcelas mensais de R$ 3,6 milhões. Até a liquidação do banco, teriam sido pagos R$ 80,2 milhões.

Vorcaro, contudo, afirma explicitamente que o contrato foi firmado para garantir “proximidade” com o ministro, mas que não houve troca de favores — o que tornaria o episódio moralmente questionável, porém não necessariamente criminoso. Esse é um dos principais argumentos do PGR para não aceitar a delação: a narrativa de Vorcaro sobre Moraes, na prática, não imputa crime ao magistrado.

A esposa do ministro e o próprio Moraes negam qualquer irregularidade. O STF, por sua vez, ainda não se pronunciou oficialmente sobre a questão específica do contrato.

Bloqueio de R$ 5,7 bilhões

Paralelamente à saga da delação, o STF já havia determinado o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens e ativos relacionados ao Banco Master e seus controladores. O valor bloqueado reflete o tamanho das perdas potenciais dos credores da instituição e o escopo da investigação em curso.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central no primeiro semestre de 2025 após suspeitas de irregularidades na emissão de CDBs com rentabilidades acima do mercado, utilizados para captar recursos de investidores de varejo que muitas vezes desconheciam os riscos envolvidos. O colapso do banco levantou questões sérias sobre a supervisão do sistema bancário e sobre a proteção dos investidores por parte do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O que o FGC cobre?

O caso Master é um lembrete prático e doloroso dos limites da proteção oferecida pelo FGC. O fundo garante depósitos e aplicações de até R$ 250 mil por CPF por instituição financeira — o que significa que investidores com valores acima desse teto em CDBs do Banco Master ficaram expostos às perdas.

Para os investidores de varejo que mantinham CDBs do Banco Master dentro do limite de R$ 250 mil, o FGC honrou o pagamento. Mas quem tinha volumes maiores amargou prejuízos que ainda são objeto de disputas judiciais.

O que esperar nos próximos passos?

Com a rejeição do PGR, o caso vai agora para as mãos de André Mendonça, que precisará decidir sobre o andamento da investigação sem a cooperação de Vorcaro. O ministro pode optar por diferentes caminhos processuais, incluindo a continuidade da investigação com base nas evidências já coletadas pela Polícia Federal ou a abertura de novas diligências.

Para o mercado financeiro, o Caso Master permanece como um sinal de alerta sobre a importância de diversificar riscos em renda fixa, não concentrar mais de R$ 250 mil em um único emissor, e verificar criteriosamente a saúde financeira das instituições que emitem os títulos antes de investir. CDBs com taxas muito acima do CDI sempre devem ser encarados com ceticismo — o prêmio de rentabilidade existe por uma razão: o risco é maior.

Com Poder360; Metrópoles; Agência Brasil.

Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.