IGP-10 cai 0,30% em junho com recuo de commodities e combustíveis
Desaceleração nos preços ao produtor compensou pressões em alimentos e construção civil.
Foto: Envato Elements
O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) registrou queda de 0,30% em junho, após avançar 0,89% em maio, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta terça-feira (16). O resultado foi influenciado principalmente pelo recuo dos preços ao produtor, impulsionado pela redução de commodities agrícolas e energéticas. Com isso, o indicador acumula alta de 3,16% no ano e de 2,15% nos últimos 12 meses.
A retração marca uma mudança em relação ao mês anterior e reflete uma perda de força das pressões inflacionárias observadas em parte da cadeia produtiva.
Entre os produtos que contribuíram para o resultado estão itens ligados ao agronegócio e ao setor de energia, que registraram acomodação de preços após períodos de maior volatilidade.
Embora o índice geral tenha recuado, alguns segmentos da economia continuaram registrando aumentos de custos, especialmente na construção civil e em determinados grupos de alimentos.
O que puxou a queda do IGP-10
O principal responsável pelo resultado de junho foi o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa a maior parcela do IGP-10.
Após subir 0,95% em maio, o IPA passou a registrar queda de 0,71% em junho. O movimento foi impulsionado principalmente pela redução dos preços de matérias-primas e commodities.
Entre os fatores que contribuíram para esse cenário estão:
- Recuo nos preços do café;
- Queda da cana-de-açúcar;
- Redução dos combustíveis;
- Menor pressão sobre insumos industriais;
- Acomodação de preços em mercados internacionais.
O grupo de Matérias-Primas Brutas foi um dos destaques negativos do período, revertendo a leve alta observada no mês anterior e registrando queda expressiva.
Além disso, os preços de bens intermediários e bens finais também mostraram desaceleração, indicando menor intensidade dos reajustes ao longo da cadeia produtiva.
Inflação ao consumidor perde força
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a variação de preços para as famílias, também apresentou desaceleração em junho. A taxa passou de 0,68% em maio para 0,56% neste mês.
O principal alívio veio do grupo Transportes, beneficiado pela redução dos preços dos combustíveis. O comportamento desse segmento ajudou a compensar aumentos observados em outras categorias de consumo.
Por outro lado, alguns itens continuaram pressionando o orçamento das famílias.
O grupo Alimentação manteve ritmo elevado de alta, refletindo reajustes em determinados produtos agrícolas. Também houve aceleração em despesas relacionadas à habitação, comunicação e vestuário.
Mesmo com essas pressões, o resultado geral mostrou um cenário mais moderado para a inflação ao consumidor quando comparado aos meses anteriores.
Construção civil segue pressionada
Enquanto os preços ao produtor e parte do varejo apresentaram desaceleração, a construção civil continuou registrando aumento de custos.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 0,92% em junho, acima da alta de 0,86% registrada em maio.
O principal fator para o aumento foi a elevação das despesas com mão de obra, que aceleraram no período.
Os custos relacionados a materiais, equipamentos e serviços mostraram desaceleração, mas ainda permaneceram em patamares elevados.
Esse comportamento impediu uma queda mais intensa do IGP-10 e demonstra que parte da economia ainda convive com pressões de custos específicas.
O que o resultado indica para a economia
O IGP-10 é um dos indicadores acompanhados por economistas, empresas e investidores para avaliar a evolução dos preços no país. O índice influencia contratos de aluguel, negociações empresariais e análises sobre inflação.
O resultado de junho sugere um cenário de menor pressão inflacionária em setores ligados à produção de bens, especialmente aqueles dependentes de commodities.
Ao mesmo tempo, a permanência de aumentos em áreas como alimentação e construção civil mostra que a desaceleração dos preços não ocorre de forma uniforme em toda a economia.
Para o mercado financeiro, indicadores como o IGP-10 ajudam a compor as expectativas sobre inflação, atividade econômica e os próximos passos da política monetária.
Nas últimas semanas, investidores têm acompanhado atentamente os dados de preços para avaliar o ambiente econômico e as perspectivas para os juros no país.
Com a queda registrada em junho, o indicador reforça sinais de acomodação em parte da cadeia produtiva, embora alguns segmentos continuem enfrentando custos elevados.
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