Citi rebaixa Nubank (ROXO34) após corte do BofA e ação ROXO34 cai com temor sobre crédito
O Citi rebaixou a recomendação do Nubank de compra para neutra e reduziu o preço-alvo das ações para US$ 13, poucos dias após um movimento semelhante do Bank of America.
Imagem: Divulgação
O Citi rebaixa Nubank (ROXO34) poucos dias após uma decisão semelhante do Bank of America (BofA), ampliando a pressão sobre os papéis da fintech brasileira. A nova avaliação de Wall Street provocou forte reação do mercado, levando os recibos de ações ROXO34 a registrarem queda expressiva nos últimos pregões.
O movimento ocorre em um momento de maior cautela com o setor financeiro, especialmente entre instituições que possuem forte exposição ao crédito para pessoas físicas. Segundo os analistas, o principal ponto de atenção está no crescimento da carteira de empréstimos do Nubank em um ambiente marcado por juros elevados e aumento do risco de inadimplência.
Para investidores, o episódio levanta questionamentos sobre a capacidade da empresa de manter seu ritmo de expansão sem comprometer a rentabilidade futura.
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Citi rebaixa Nubank e reduz preço-alvo para US$ 13
O Citi anunciou a redução de sua recomendação para as ações do Nubank, alterando a classificação de compra para neutra. Além disso, o banco norte-americano cortou seu preço-alvo para os papéis de US$ 18 para US$ 13.
A revisão ocorreu após uma análise mais conservadora sobre o desempenho futuro da fintech. Na visão dos especialistas da instituição, o modelo de crescimento do Nubank continua robusto, mas os riscos associados à expansão do crédito passaram a exigir maior cautela por parte dos investidores.
A reação do mercado foi imediata. Após a divulgação do relatório, os recibos negociados na B3 registraram queda próxima de 8%, refletindo a preocupação dos investidores com possíveis impactos nos resultados futuros.
O rebaixamento ganhou ainda mais relevância porque aconteceu poucos dias depois de uma avaliação semelhante feita pelo BofA, reforçando o sentimento negativo entre participantes do mercado.
Principal preocupação está na carteira de crédito
O principal argumento apresentado pelo Citi envolve a forte relação entre crescimento da carteira de crédito e aumento do custo de risco da operação.
Segundo os analistas, o Nubank possui exposição relevante a cartões de crédito e empréstimos pessoais, produtos que normalmente apresentam maior sensibilidade a mudanças no cenário econômico.
A preocupação é ampliada pelo perfil da base de clientes da instituição. Uma parcela significativa dos usuários pertence às faixas de renda mais vulneráveis aos efeitos dos juros elevados e da inflação persistente.
Nesse contexto, qualquer deterioração da capacidade de pagamento dos consumidores pode resultar em aumento da inadimplência e, consequentemente, em maiores provisões para perdas.
Para o Citi, existe uma correlação muito elevada entre o avanço da carteira de crédito e o crescimento dos custos relacionados ao risco, fator que pode limitar o potencial de expansão dos lucros nos próximos anos.
Revisão das projeções de lucro e rentabilidade
Como consequência dessa avaliação mais cautelosa, o Citi revisou suas estimativas financeiras para o Nubank.
As projeções de lucro para 2026 sofreram redução de aproximadamente 9%, enquanto as expectativas para 2027 foram cortadas em cerca de 15%.
Além disso, a estimativa de retorno sobre patrimônio (ROE), uma das métricas mais acompanhadas pelo mercado financeiro, também foi ajustada para baixo.
Embora os números projetados continuem indicando uma operação lucrativa e eficiente, a nova previsão sugere um crescimento menos acelerado do que o esperado anteriormente.
A mudança reforça a percepção de que a fintech poderá enfrentar desafios adicionais para manter os níveis de rentabilidade observados nos últimos anos.
BofA já havia emitido alerta semelhante
Antes do Citi, o Bank of America também demonstrou preocupação com a evolução da carteira de crédito do Nubank.
Os analistas do banco destacaram que a instituição está entrando em uma fase mais madura de seu ciclo de crescimento. Após anos de expansão acelerada, a fintech passa a conviver com riscos mais evidentes relacionados à qualidade de sua carteira.
Na avaliação do BofA, o Nubank pode ser mais impactado por um cenário de deterioração econômica do que bancos tradicionais, justamente devido ao perfil de seus clientes e ao tipo de crédito oferecido.
A combinação dos dois rebaixamentos em sequência aumentou a atenção do mercado sobre os próximos resultados da companhia.
Mudança na diretoria financeira aumenta incertezas
Outro fator que contribuiu para a volatilidade das ações foi a recente troca no comando financeiro da empresa.
A mudança de CFO surpreendeu parte dos investidores porque não havia sido amplamente antecipada pelo mercado.
Embora substituições em cargos executivos façam parte da rotina corporativa, a alteração ocorreu em um momento delicado para a companhia, coincidindo com os rebaixamentos promovidos por grandes bancos internacionais.
Como resultado, o episódio acabou ampliando as dúvidas sobre os próximos passos da estratégia financeira da fintech.
Nubank mantém fundamentos sólidos apesar das críticas
Apesar das preocupações levantadas pelos bancos de investimento, o Nubank continua sendo uma das maiores fintechs da América Latina.
A empresa possui mais de 100 milhões de clientes distribuídos entre Brasil, México e Colômbia, além de operar um ecossistema cada vez mais diversificado de produtos financeiros.
Nos últimos anos, a companhia expandiu sua atuação para áreas como investimentos, seguros, contas para empresas e outros serviços digitais, reduzindo gradualmente sua dependência exclusiva do crédito.
Esse processo de diversificação é visto por muitos analistas como um fator importante para sustentar o crescimento de longo prazo.
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Cenário econômico será decisivo para os próximos resultados
O desempenho do Nubank nos próximos trimestres estará diretamente ligado ao ambiente macroeconômico brasileiro.
Com a taxa Selic em patamares elevados e a inflação ainda acima da meta perseguida pelas autoridades monetárias, o crédito ao consumidor enfrenta um cenário mais desafiador.
Juros altos aumentam o custo do dinheiro e podem dificultar o pagamento de dívidas por parte das famílias, elevando os índices de inadimplência.
Por esse motivo, o mercado acompanhará de perto os resultados do segundo trimestre de 2026. O balanço deverá fornecer sinais importantes sobre a qualidade da carteira de crédito e ajudar a determinar se as preocupações levantadas por Citi e BofA são justificadas ou excessivamente conservadoras.
Até lá, a trajetória das ações continuará sendo influenciada pela evolução dos indicadores de crédito, pelo comportamento da economia brasileira e pela capacidade do Nubank de equilibrar crescimento e controle de risco.