Equatorial (EQTL3) assume controle da Copasa (CSMG3) após privatização bilionária
Operação de R$ 8,38 bilhões transforma estrutura acionária da companhia mineira e marca uma das maiores transações recentes do mercado brasileiro.
Imagem: Copasa/Reprodução.
A privatização da Copasa (CSMG3) foi concluída oficialmente nesta semana, encerrando mais de cinco décadas de controle estatal sobre a companhia responsável pelos serviços de saneamento em Minas Gerais. A operação foi realizada na B3, em São Paulo, e resultou na entrada da Equatorial Energia (EQTL3) como principal acionista da empresa.
A transação movimentou aproximadamente R$ 8,38 bilhões e envolveu a venda de cerca de 171,1 milhões de ações ordinárias. Os papéis foram negociados por R$ 49,03 cada, valor acima do preço mínimo estabelecido pelo governo mineiro para a operação.
Com a conclusão da oferta, a Equatorial passou a deter 30% do capital social da Copasa, consolidando-se como acionista de referência da companhia.
Governo reduz participação, mas mantém poder de veto
A nova estrutura societária representa uma mudança significativa no controle da empresa. Antes da operação, o governo de Minas Gerais possuía pouco mais de 50% do capital da Copasa. Após a venda das ações, sua participação foi reduzida para aproximadamente 5%.
Apesar da redução, o Estado preservou influência sobre decisões consideradas estratégicas por meio de uma golden share, mecanismo que garante poder de veto em temas específicos relacionados à companhia.
Os demais 65% do capital permanecem distribuídos entre investidores institucionais e acionistas do mercado.
Equatorial reforça presença no saneamento
A aquisição faz parte da estratégia de expansão da Equatorial no segmento de saneamento básico, setor que tem atraído investimentos bilionários desde a aprovação do novo marco legal.
Segundo a companhia, a operação está alinhada ao objetivo de ampliar sua atuação em serviços de infraestrutura e capturar ganhos de eficiência operacional em negócios considerados essenciais.
A empresa já possui experiência em concessões de utilidade pública e passa agora a ter papel central na condução das estratégias da Copasa para os próximos anos.
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Investidores também ampliam participação
Além da Equatorial, outros investidores relevantes participaram da operação.
A Perfin adquiriu cerca de 12,76% do capital da companhia, reforçando a demanda do mercado pelo ativo durante o processo de privatização.
O volume financeiro movimentado colocou a operação entre as maiores ofertas de ações realizadas recentemente no mercado brasileiro.
Regras buscam garantir estabilidade de longo prazo
Para evitar mudanças bruscas na composição acionária da empresa após a privatização, parte dos papéis vendidos estará sujeita a restrições de negociação.
Metade das ações adquiridas ficará bloqueada para venda por um período de quatro anos. Já a parcela restante estará submetida a regras de lock-up até o fim de 2033 ou até que sejam alcançadas as metas de universalização dos serviços de saneamento previstas no contrato.
O objetivo é assegurar comprometimento dos investidores com os projetos de longo prazo da companhia.
Nova fase para a empresa mineira
Fundada oficialmente em 1974, a Copasa se consolidou como uma das maiores companhias estaduais de saneamento do país. Sua origem remonta à antiga Companhia Mineira de Água e Esgoto (Comag), criada na década de 1960.
Agora sob uma nova configuração acionária, a empresa inicia um ciclo voltado à expansão dos investimentos, modernização da operação e cumprimento das metas de universalização previstas para os próximos anos.
A expectativa do mercado é que a entrada da Equatorial acelere iniciativas voltadas à eficiência operacional e ampliação dos serviços de abastecimento de água e coleta de esgoto em Minas Gerais.