FIIs de shoppings ganham espaço nas recomendações na virada do semestre
Fundos imobiliários de shopping voltam ao radar dos analistas após meses de domínio da logística e dos recebíveis.
Imagem: Envato Elements
Os FIIs de shoppings em julho de 2026 ganharam destaque nas principais carteiras recomendadas do mercado, marcando uma virada importante no posicionamento dos analistas na entrada do segundo semestre.
Depois de meses em que logística e recebíveis dominaram as preferências, os fundos imobiliários de shopping center voltaram ao radar. Atualmente, eles voltaram a ocupar posições relevantes nas listas divulgadas por BTG Pactual, XP Investimentos, BB Investimentos e Santander. Portanto, quem acompanha o mercado de FIIs com atenção precisa entender o que está por trás desse movimento.
O principal destaque é o XPML11 (XP Malls), que surge como novidade do mês entre os mais recomendados, com quatro indicações. O BB Investimentos considera o fundo uma opção mais líquida e diversificada dentro do segmento, com desconto frente ao valor patrimonial, algo pouco habitual para ativos de qualidade.
Além disso, o HSML11 (HSI Malls) mantém cinco recomendações, liderando o segmento de shoppings e figurando entre os fundos mais citados do mês. Dessa forma, dois FIIs do setor aparecem simultaneamente entre os oito mais indicados do mercado, um feito que não ocorria há alguns trimestres.
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IFIX recua 1,21% em junho
Para entender o contexto desta virada, é preciso olhar para o que aconteceu no primeiro semestre. O IFIX, índice de referência dos fundos imobiliários, recuou 1,21% em junho e fechou o período com queda de 1,21% no ano — revertendo um início de 2026 mais promissor. A pressão veio principalmente da abertura da curva de juros longos e da aproximação do calendário eleitoral de 2026, que sempre traz incerteza ao mercado de ativos de risco.
No front da política monetária, o Copom cortou a Selic para 14,25%, mas sinalizou que o balanço de riscos inflacionários segue assimétrico para cima. Na prática, isso reduz o espaço para novos cortes e mantém a pressão sobre os fundos de tijolo, que competem diretamente com a renda fixa. Em consequência, casas como o Santander passaram a recomendar um portfólio mais equilibrado para o segundo semestre.
Concretamente, a sugestão é dividir a carteira: metade em fundos de tijolo (logística, shoppings, lajes) e metade em fundos de papel (recebíveis indexados ao CDI ou à inflação).
No entanto, mesmo nesse cenário desafiador, os shoppings começam a se destacar pela combinação de fundamentos operacionais sólidos e cotas com desconto frente ao valor patrimonial. Por isso, os analistas enxergam uma janela de entrada interessante para quem tem horizonte de médio prazo.
FIIs de shoppings mais recomendados para julho
O HSML11 (HSI Malls) é o fundo de shoppings mais recomendado de julho, com cinco indicações. O BTG Pactual destaca os imóveis localizados em regiões maduras e resilientes, o baixo nível de inadimplência e a participação majoritária nos ativos — o que amplia a capacidade de captura de ganhos operacionais.
- Para a XP Investimentos, a tese se apoia na gestão especializada e nos fundamentos operacionais sólidos do portfólio. O dividend yield dos últimos 12 meses está em 9,75% e o fundo acumula queda de 3,08% no ano, o que representa uma oportunidade de entrada para quem acredita na recuperação do setor.
Já o XPML11 (XP Malls), com quatro indicações, é a novidade do mês. O BB Investimentos ressalta o desconto incomum frente ao valor patrimonial e a liquidez superior à dos pares. O Itaú BBA pondera que o fundo revisou o guidance de distribuição para a faixa de R$ 0,83 a R$ 0,92 por cota no segundo semestre, em um contexto de redução do resultado acumulado ainda não distribuído e de nível relevante de alavancagem. Ainda assim, o ativo segue entre as preferências para o setor, com dividend yield de 12 meses em 10,60% e retorno positivo de 1,74% no ano.
- Para os analistas, os dois fundos representam perfis distintos dentro do mesmo segmento. O HSML11 tem viés mais defensivo, com portfólio em regiões consolidadas. O XPML11 é mais diversificado, mais líquido e com maior potencial de valorização das cotas.
- Além disso, ambos os fundos se beneficiam da sazonalidade positiva do varejo no segundo semestre, que historicamente é mais forte pelo Dia dos Pais, Dia das Crianças e Black Friday.
Dividendos maiores na virada do semestre
Um dos atrativos dos FIIs de shoppings em julho de 2026 é o pagamento de dividendos sazonalmente mais altos. A legislação que rege os fundos imobiliários determina que os FIIs distribuam no mínimo 95% do lucro apurado pelo regime de caixa em balanços semestrais, encerrados em junho e dezembro. Por isso, é comum que julho e janeiro sejam meses de proventos mais robustos para os cotistas.
Além disso, muitos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) realizam pagamentos de juros e amortizações em bases semestrais. Dessa maneira, esses títulos compõem as carteiras de fundos híbridos e de papel, fazendo com que uma parcela relevante do caixa entre nos fundos justamente neste período. Em consequência, os FIIs de shoppings que acumularam resultados operacionais ao longo do primeiro semestre tendem a distribuir proventos extraordinários em julho, reforçando a tese de entrada neste momento.
Adicionalmente, as datas de pagamento de julho começaram em 7 de julho, contemplando fundos dos segmentos de crédito, logística, lajes corporativas, shoppings e renda urbana. Portanto, quem adquiriu cotas antes das datas de corte já garante participação nos dividendos desta rodada.
Os outros FIIs mais indicados
Além dos shoppings, o ranking de julho acompanhado pelo mercado mostra os fundos com mais recomendações por segmento.
Na logística, o VILG11 (Vinci Logística) lidera com seis indicações — o maior número do mês. O fundo tem portfólio de 390 mil m² em sete estados, mais de 60 locatários (incluindo Tok&Stok, Ambev e Netshoes) e vacância de apenas 2%. O dividend yield dos 12 meses está em 10,63%. O BRCO11 (Bresco Logística) aparece em segundo com cinco indicações, destacado pela qualidade premium dos seus 14 galpões logísticos e pelos contratos atípicos que garantem previsibilidade de receita.
Nos fundos de recebíveis, o KNCR11 (Kinea Rendimentos) e o MCCI11 (Mauá Capital Recebíveis) reúnem quatro indicações cada. O KNCR11 é favorecido pelo cenário de juros altos por mais tempo, pois sua carteira é indexada ao CDI, com dividend yield de 13,82%. O MCCI11 carrega CRIs atrelados principalmente à inflação, com rentabilidade implícita de IPCA + 9,7% ao ano e DY próximo de 12,7%.
Em suma, o mercado de FIIs em julho de 2026 apresenta uma composição plural. Há opções para todos os perfis: logística para quem busca crescimento, recebíveis para proteção contra juros altos, e shoppings para quem enxerga valor na sazonalidade do segundo semestre.