CURY3 e CYRE3 sobem 4% com expectativa de corte da Selic

IPCA abaixo do esperado fortalece expectativas de corte da Selic e impulsiona ações de construtoras, com CURY3 e CYRE3 liderando os ganhos na B3.

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Última atualização:  10 de jul, 2026 às 16:00
Imagem da fachada do condomínio Cury Dez Vila das Belezas 3. Foto: Cury/Divulgação

As ações das construtoras lideraram as altas da B3 nesta sexta-feira (10). A Cury (CURY3) avançou 4,45%, enquanto a Cyrela (CYRE3) subiu 4,25%. O principal gatilho foi a divulgação do IPCA de junho, que registrou alta de apenas 0,16%, bem abaixo da expectativa do mercado, de 0,31%. Com a inflação surpreendendo para baixo, os investidores reforçaram as apostas de que o Banco Central poderá iniciar um novo ciclo de corte da Selic já na reunião de agosto. Como consequência, o setor imobiliário, um dos mais sensíveis aos juros, foi o principal destaque do pregão.

Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano, após três reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual. Apesar disso, o crédito imobiliário ainda permanece caro e limita parte da demanda. Mesmo assim, qualquer sinal de queda adicional nos juros costuma impulsionar as ações do setor, já que reduz o custo do financiamento para consumidores e empresas. Foi exatamente esse movimento que levou investidores às compras logo na abertura do mercado.

Além das construtoras, empresas do varejo também registraram valorização. No entanto, o segmento imobiliário apresentou os maiores ganhos percentuais do dia. Isso ocorre porque companhias voltadas aos segmentos de média e alta renda dependem diretamente das condições de financiamento. Com juros menores, o crédito fica mais acessível, a procura por imóveis tende a crescer e as margens das empresas ganham espaço para melhorar.

O histórico reforça a relação entre juros e construtoras

A relação entre a Selic e o desempenho das construtoras é conhecida pelo mercado. Em ciclos anteriores de queda dos juros, as ações do setor chegaram a acumular altas de até 246%, segundo levantamento da InfoMoney. Por isso, sempre que surgem sinais de flexibilização da política monetária, os investidores voltam a olhar para essas empresas.

A lógica é simples. Com a redução dos juros, o financiamento imobiliário fica mais barato, aumentando o poder de compra das famílias. Ao mesmo tempo, o custo de capital das incorporadoras diminui e o acesso ao crédito para novos lançamentos se torna mais favorável. Esse conjunto de fatores contribui para ampliar as vendas e melhorar a rentabilidade das empresas.

Mesmo em um cenário de juros elevados ao longo de 2025, Cury e Cyrela apresentaram resultados consistentes. A Cury manteve forte desempenho comercial, enquanto a Cyrela expandiu sua atuação no segmento de alta renda. Assim, ambas entram em um possível ciclo de cortes da Selic com fundamentos sólidos.

Cyrela segue entre as favoritas dos analistas

A Cyrela (CYRE3) continua sendo uma das ações preferidas do setor entre as principais casas de análise. O BTG Pactual mantém a companhia como sua principal recomendação para o mercado imobiliário em 2026. Já a Empiricus incluiu o papel em sua carteira recomendada de dividendos para julho, substituindo a Direcional (DIRR3). Além disso, segundo o Investing.com, a empresa anunciou um programa de recompra de até 14,5 milhões de ações.

Esse tipo de iniciativa costuma ser interpretado de forma positiva pelo mercado, pois demonstra que a administração considera a ação descontada. Além disso, a redução do número de papéis em circulação tende a elevar o lucro por ação, tornando a empresa ainda mais atrativa para investidores com foco no longo prazo.

A Cury (CURY3), por sua vez, mantém destaque no segmento de baixa renda. A companhia possui forte exposição ao programa Minha Casa Minha Vida, cujo financiamento depende principalmente dos recursos do FGTS e, por isso, sofre menor impacto das oscilações da Selic. Ainda assim, um ambiente de juros menores também favorece a demanda por imóveis, fortalecendo a perspectiva de crescimento da empresa.

Vale comprar CURY3 e CYRE3 agora?

A forte valorização desta sexta-feira mostra que o mercado já começou a precificar uma possível redução da Selic. Ainda assim, essa expectativa dependerá da decisão do Copom em agosto e da evolução dos próximos indicadores de inflação. Caso o Banco Central confirme um novo corte nos juros, o setor pode ganhar ainda mais fôlego. Por outro lado, uma piora no cenário inflacionário pode adiar esse movimento e aumentar a volatilidade das ações.

Para quem investe com horizonte de médio e longo prazo, os fundamentos continuam favoráveis. O Brasil ainda enfrenta um elevado déficit habitacional e a demanda por imóveis permanece estruturalmente forte. Nesse contexto, Cury e Cyrela chegam bem posicionadas para aproveitar um ambiente de crédito mais barato.

Em resumo, a combinação de inflação mais baixa, expectativa de redução da Selic e fundamentos sólidos recolocou o setor imobiliário no radar dos investidores. Se o ciclo de queda dos juros realmente se confirmar nos próximos meses, as construtoras poderão continuar entre os principais destaques da Bolsa. Vale acompanhar também nossa análise sobre o IPCA de junho de 2026 e a reação do Ibovespa para entender o cenário macroeconômico que impulsionou o mercado nesta semana.

Leticia Carvalho

Formada em Sistemas de Informação, com pós-graduação em Gestão de Marketing pela Anhembi Morumbi, é autora do portal com atuação focada em economia, negócios e tecnologia. Possui mais de 15 anos de experiência em administração e empreendedorismo, aliando análise de dados à produção de conteúdo jornalístico. Já teve passagem profissional por grandes portais de conteúdo do Brasil, onde desenvolveu trabalhos voltados à informação financeira, tendências de mercado e transformação digital.