XP reduz projeção do IPCA e mantém Selic em 14% para o fim de 2026
Queda no preço do petróleo levou a ajustes nas estimativas para inflação, câmbio, PIB e contas externas.
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A XP Investimentos revisou nesta terça-feira (7) parte de suas projeções para a economia brasileira após a queda dos preços internacionais do petróleo. A instituição reduziu a estimativa para a inflação medida pelo IPCA em 2026, manteve a previsão para a taxa Selic em 14% no fim do ano e preservou a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2%.
As mudanças refletem um cenário de menor pressão inflacionária, mas ainda marcado por desafios fiscais e incertezas externas.
Segundo a instituição, a redução no preço do barril do petróleo deve aliviar parte da inflação ao consumidor, especialmente por causa do impacto sobre combustíveis e outros custos da economia. Ao mesmo tempo, o movimento reduz receitas ligadas às exportações brasileiras da commodity e pode influenciar o desempenho das contas externas.
O que mudou nas projeções da XP
O principal ajuste foi na expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A projeção passou de 5,5% para 5,2% em 2026, enquanto a estimativa para 2027 foi mantida em 4,2%.
Já para o petróleo Brent, a XP reduziu a previsão de preço para o segundo semestre de 2026. A expectativa agora é de que o barril encerre o período cotado em US$ 75, abaixo da estimativa anterior.
Entre as principais revisões estão:
- IPCA de 2026: de 5,5% para 5,2%;
- Preço do Brent: projeção reduzida para US$ 75 por barril;
- PIB de 2026: mantido em crescimento de 2%;
- PIB de 2027: reduzido de 1,2% para 1%;
- Déficit em conta corrente: elevado de 2,1% para 2,5% do PIB.
Apesar da revisão para baixo da inflação, a projeção continua acima da meta perseguida pelo Banco Central.
Selic segue projetada em 14%
Mesmo com uma inflação menos pressionada, a XP manteve a expectativa de que a taxa básica de juros termine 2026 em 14%.
Os economistas da instituição avaliam que o ambiente pode abrir espaço para um ajuste pontual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). No entanto, a expectativa é de que o Banco Central continue adotando cautela diante do cenário fiscal e das incertezas econômicas.
Para 2027, a casa projeta uma retomada mais consistente do ciclo de redução dos juros, levando a Selic para 11,5% ao final do período.
Petróleo influencia inflação e atividade econômica
A queda do petróleo tem efeitos distintos sobre a economia brasileira. Por um lado, ajuda a conter a inflação ao reduzir custos de combustíveis e transporte. Por outro, diminui parte da arrecadação pública relacionada ao setor de petróleo e reduz o valor das exportações brasileiras.
Na avaliação da XP, esse cenário também reduz a pressão inflacionária global e pode diminuir a necessidade de novas altas de juros pelo Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos.
Ainda assim, a instituição destaca que fatores como a valorização do dólar e as incertezas políticas continuam sendo pontos de atenção para os mercados.
PIB permanece em 2% neste ano
A projeção para o crescimento da economia brasileira em 2026 permaneceu em 2%.
Segundo o relatório, medidas de estímulo à atividade econômica continuam sustentando o crescimento no curto prazo. Entretanto, a expectativa para 2027 foi revisada para baixo, passando de 1,2% para 1%, refletindo a perspectiva de desaceleração do crédito e do fim de parte dos estímulos adotados recentemente.
Contas externas e cenário fiscal seguem no radar
Além da inflação, a XP revisou a previsão para o déficit em conta corrente, que passou de 2,1% para 2,5% do PIB.
A instituição explica que a redução nas exportações de petróleo deve ser parcialmente compensada pela permanência de um fluxo consistente de investimentos estrangeiros no país.
No campo fiscal, a expectativa continua sendo de déficit primário equivalente a 0,3% do PIB em 2026. A análise aponta que menores receitas provenientes do petróleo podem ser compensadas pela redução de gastos com subsídios aos combustíveis, embora despesas financeiras continuem pressionando a trajetória da dívida pública.
Eleições também entram no radar do mercado
O relatório destaca que o cenário eleitoral começa a ganhar espaço nas análises dos investidores.
Segundo a XP, pesquisas recentes mostram mudanças no ambiente político, fator que pode gerar maior volatilidade nos ativos financeiros ao longo dos próximos meses.
Apesar disso, a instituição avalia que ainda não há elementos suficientes para indicar uma tendência clara para os mercados, uma vez que o cenário eleitoral segue aberto.
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