Valdemar Costa Neto emendas parlamentares: investigação aponta atuação sem mandato

A Polícia Federal investiga Valdemar Costa Neto por suposta atuação irregular na indicação de R$ 119 milhões em emendas parlamentares, mesmo sem mandato.

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Última atualização:  10 de jul, 2026 às 14:03
Foto em plano médio de Valdemar Costa Neto, um homem de pele clara e cabelos grisalhos. Ele veste um terno escuro, camisa social clara e gravata avermelhada estampada. Ele está com a mão direita erguida, com os dedos tocando a boca em uma expressão reflexiva ou pensativa, olhando diretamente para a câmera. O fundo está desfocado com tons de marrom e azul. Foto: Beto Barata/PL/Divulgação

Segundo a Polícia Federal, Valdemar Costa Neto teria atuado na indicação de 21 emendas parlamentares, que, juntas, somam R$ 119 milhões. Embora seja presidente nacional do PL, ele não possui mandato eletivo nem ocupa cargo na Câmara dos Deputados que lhe permita interferir diretamente na destinação de recursos do Orçamento da União.

A investigação sustenta que a atuação atribuída ao dirigente partidário seria semelhante à de um líder parlamentar. Esse entendimento foi reforçado por mensagens trocadas entre servidores da Câmara, consideradas pela PF como um dos principais elementos do inquérito.

Entre os diálogos destacados está uma conversa em que um servidor pergunta: “Fechou o valor do Pres Valdemar?”. Em seguida, outro responde: “Pode colocar o máximo que der. Ele tá querendo Turismo.”

Na avaliação da Polícia Federal, essas conversas indicam que servidores estariam operacionalizando indicações relacionadas ao presidente do PL, mesmo sem que ele tivesse competência legal para essa função.

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STF bloqueia R$ 119 milhões em bens de Valdemar Costa Neto

As mensagens também embasaram a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens de Valdemar Costa Neto.

O valor corresponde exatamente ao montante das emendas sob investigação e, segundo o magistrado, a medida busca preservar eventual ressarcimento aos cofres públicos caso sejam confirmadas irregularidades ao fim do processo.

Na decisão, Dino classificou como “espantosa” a influência atribuída ao presidente do PL sobre servidores da Câmara dos Deputados. O ministro ressaltou que Valdemar não ocupa cargo público nem possui mandato parlamentar que lhe permita decidir sobre a destinação de verbas do Orçamento federal.

O magistrado também reforçou que a Constituição estabelece regras específicas para a apresentação e execução de emendas parlamentares, que não podem ser utilizadas como patrimônio privado ou instrumento de negociação entre dirigentes partidários.

Conversas entre servidores reforçam suspeitas da PF

A Polícia Federal afirma que os diálogos obtidos durante a investigação revelam uma rotina de comunicação envolvendo servidores responsáveis pela operacionalização das emendas.

Para os investigadores, o conteúdo das mensagens demonstra que havia consultas sobre valores e áreas de destinação dos recursos, sempre fazendo referência ao presidente do PL. Um dos trechos menciona o interesse em direcionar recursos para a área do Turismo.

Esses elementos passaram a integrar o conjunto de provas analisado pelo STF e poderão ser aprofundados ao longo das próximas etapas da investigação.

Até o momento, a decisão do Supremo tem caráter cautelar e não representa um julgamento definitivo sobre a responsabilidade de Valdemar Costa Neto.

Investigação segue em andamento

O inquérito conduzido pela Polícia Federal busca esclarecer se houve desvio na utilização do mecanismo das emendas parlamentares e qual teria sido a participação de servidores da Câmara dos Deputados na operacionalização das indicações.

As autoridades ainda apuram se outros agentes públicos ou políticos participaram do suposto esquema e se houve prejuízo aos cofres públicos.

Enquanto as investigações avançam, o bloqueio patrimonial determinado pelo STF permanece em vigor como medida preventiva. Os envolvidos terão oportunidade de apresentar defesa durante o andamento do processo, que seguirá sob análise do Supremo Tribunal Federal.

O caso amplia o debate sobre os mecanismos de controle das emendas parlamentares e sobre os limites da atuação de dirigentes partidários na definição do destino de recursos públicos. A apuração da Polícia Federal e as futuras decisões do STF deverão definir se houve irregularidades e quais serão as consequências jurídicas para os investigados.