Eleições 2026: veja as propostas econômicas de Lula, Flávio, Renan, Caiado e Zema

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10 de jul, 2026 às 11:53
Candidatos à Presidência em 2026 reunidos em montagem sobre propostas para a economia brasileira. Foto: DIvulgação e reprodução

Com a eleição presidencial em outubro de 2026, o debate sobre as propostas econômicas dos candidatos já está no centro da agenda pública, mesmo antes dos programas oficiais de governo.

Os cinco candidatos mais bem posicionados nas pesquisas defendem visões radicalmente diferentes sobre impostos, Previdência, salário mínimo e papel do Estado na economia. Para o investidor, entender essas diferenças é fundamental para antecipar cenários de Bolsa, câmbio e juros.

Propostas econômicas dos candidatos à Presidência em 2026: o campo de batalha eleitoral

Segundo análise do Congresso em Foco com base na pesquisa Nexus/BTG Pactual de abril de 2026, os cinco candidatos com maior intenção de voto são Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão).

As pesquisas mais recentes, de julho de 2026, mostram empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no primeiro turno, conforme dados da AtlasIntel publicados na Gazeta do Povo, com variações dependendo do instituto.

O debate econômico concentra-se, sobretudo, em três eixos: a sustentabilidade fiscal da dívida pública, a reforma do sistema previdenciário e a política de renda ao trabalhador. Portanto, cada candidato oferece uma combinação diferente de respostas a esses desafios.

Lula (PT): consumo e Reforma Tributária

O atual presidente entra na disputa pelo quarto mandato com a bandeira da Reforma Tributária e da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil mensais.

Seu modelo econômico aposta no estímulo ao consumo como vetor de crescimento, uma estratégia que rendeu expansão do PIB, mas também gerou pressão sobre o déficit público.

Além disso, Lula propõe a tributação dos super ricos e a regulação das big techs como fontes de receita para financiar a agenda social.

A transição ecológica também entra como pilar econômico, com o Brasil posicionado para atrair capital verde internacional. O risco para o mercado financeiro está no crescimento dos gastos públicos, que mantém os juros elevados e pressiona a dívida/PIB.

Flávio Bolsonaro (PL): reforma previdenciária e menos tributos

O senador carioca lidera a oposição com uma plataforma coordenada por Rogério Marinho. Sua crítica central é que o atual arcabouço fiscal “perdeu a capacidade de disciplinar gastos” e mantém os juros em patamar elevado. Por isso, Flávio propõe uma revisão profunda da Previdência Social, cujo modelo atual, segundo ele, está prestes a “estourar”.

Na agenda trabalhista, defende a retomada da Reforma Trabalhista de 2017, adaptando-a às novas tecnologias e ao trabalho por plataformas. Sua proposta de “menos tributos” mira combustíveis e energia, pontos de desgaste do governo Lula junto ao eleitor de baixa e média renda.

Para o mercado financeiro, a plataforma de Flávio sinaliza consolidação fiscal e pode ser lida como favorável à redução de juros no médio prazo.

Romeu Zema (Novo): privatizações e abertura comercial

O ex-governador de Minas Gerais apresenta a proposta de maior ruptura com o modelo atual. Seus “cinco pilares” incluem a privatização de todas as estatais federais, sem exceções para Petrobras, Caixa Econômica Federal ou Banco do Brasil, e a eliminação do Custo Brasil em quatro anos.

Além disso, na Previdência, Zema propõe ajustes automáticos de idade e alíquotas baseados na expectativa de vida, tornando o sistema estruturalmente sustentável no longo prazo.

No mercado de trabalho, defende contratos negociados livremente entre empregador e empregado, inclusive por jornada horária.

Sua abertura comercial gradual reduziria tarifas de importação, pressionando preços domésticos para baixo. Para investidores, a privatização da Petrobras seria o evento de maior impacto imediato no mercado.

Ronaldo Caiado (PSD): Custo-Brasil e minerais críticos

Assim, o governador de Goiás posiciona-se como gestor pragmático com alta aprovação em seu estado. Sua pauta econômica foca no enfrentamento do Custo-Brasil, que ele estima em 23% sobre o custo dos empresários por conta de burocracia e corrupção, e no aproveitamento estratégico dos minerais críticos e terras raras.

Nesse sentido, Caiado quer transformar o Brasil de exportador de commodities brutas em processador de recursos estratégicos, com parcerias com os EUA.

Fiscalmente, classifica o aumento da dívida pública do governo Lula como um “colapso completo” e defende a substituição do assistencialismo por emancipação social via emprego e crescimento. Contudo, sua plataforma ainda carece de detalhamento sobre instrumentos fiscais concretos.

Renan Santos (Missão): reestruturação federativa e capitalização

O candidato do Partido Missão apresenta a proposta de maior ruptura institucional. Sua agenda inclui fusão de municípios economicamente inviáveis, criação de indicadores de desempenho para gestores locais e possibilidade de intervenção federal em casos de descumprimento de metas fiscais.

Na Previdência, propõe transição para capitalização, modelo em que cada trabalhador acumula sua própria reserva, como no Chile. Além disso, defende o fim do reajuste automático de benefícios vinculados ao salário mínimo e um “tesouraço” de impostos para estimular a liberdade econômica.

Seu diferencial é vincular o ajuste fiscal diretamente ao combate ao crime organizado como pré-condição para o crescimento.

O que muda para sua carteira

Para o investidor, cada cenário dos candidatos 2026 economia implica trajetórias distintas para Bolsa, câmbio, juros e setores específicos. Uma vitória de Lula tenderia a manter a Selic alta por mais tempo, o que favorece a renda fixa, mas sustenta o consumo doméstico, beneficiando varejo e bancos.

Uma vitória da oposição fiscal (Flávio, Zema ou Renan) sinalizaria consolidação das contas públicas e potencial queda de juros no médio prazo, positivo para ações de infraestrutura, construtoras e fundos imobiliários.

Portanto, acompanhar as pesquisas e os programas de governo que serão oficializados no segundo semestre é parte indispensável da gestão de portfólio em 2026.

Leticia Carvalho

Formada em Sistemas de Informação, com pós-graduação em Gestão de Marketing pela Anhembi Morumbi, é autora do portal com atuação focada em economia, negócios e tecnologia. Possui mais de 15 anos de experiência em administração e empreendedorismo, aliando análise de dados à produção de conteúdo jornalístico. Já teve passagem profissional por grandes portais de conteúdo do Brasil, onde desenvolveu trabalhos voltados à informação financeira, tendências de mercado e transformação digital.